22/09/2026
SOU RAPPER, JURISTA E DEFENSOR DOS DIREITOS HUMANOS — MAS, ANTES DE TUDO, SOU FRUTO DE PROFESSORES!
E, POR ISSO, APOIO A GREVE DOS PROFESSORES!
Sou Rapper, músico, defensor dos direitos humanos e jurista. Sou, de certa forma, uma síntese de diferentes aprendizagens, experiências e caminhos que fui construindo ao longo da vida, graças ao conhecimento transmitido por professores e professoras do ensino público e privado.
Nada do que hoje sou teria sido possível sem aqueles que, dentro e fora da sala de aulas, acreditaram no valor da educação e contribuíram para a minha formação. Tive, inclusive, a felicidade de encontrar verdadeiras “anjas” ao longo deste percurso, pessoas que, em momentos particularmente difíceis, ajudaram a garantir o essencial: um caderno para estudar, as propinas, a alimentação, os cuidados de saúde e outras condições necessárias para que eu pudesse continuar a aprender.
A minha formação também não se limitou à academia tradicional. A Universidade Hip Hop de Angola teve um papel fundamental na minha educação extra-curricular, ensinando-me que o conhecimento também se constrói através da cultura, da arte, da intervenção social, da cidadania e da capacidade de questionar a realidade.
Por isso, falar de professores e professoras é falar de uma parte muito importante daquilo que sou.
Os professores foram, desde cedo, uma das minhas primeiras paixões. Em criança, sonhava ser como eles. Hoje, esse sonho transformou-se numa realidade diferente: tornei-me jurista, consultor jurídico e coordenador nacional, mas continuo a carregar comigo a profunda convicção de que nenhum destes percursos seria possível sem professores.
Um país que desvaloriza os seus professores compromete o seu próprio futuro. Sem professores valorizados, respeitados e devidamente remunerados, a educação perde qualidade e a sociedade f**a mais vulnerável à ignorância, à manipulação e à estupidif**ação.
Digo-o também de forma pessoal: graças ao Hip Hop e à Academia tornei-me aquilo que sou. E, por detrás de ambos, esteve sempre a figura do professor — aquele que ensina, questiona, orienta, inspira e abre caminhos.
É por estas razões que manifesto publicamente o meu apoio à greve dos professores e professoras.
Não deve haver faltas injustif**adas aos grevistas. Não deve haver ameaças, intimidações ou qualquer forma de represália contra os professores que exerçam legitimamente o seu direito à greve.
O caminho deve ser o diálogo sério, responsável e institucional. As reivindicações apresentadas pela classe docente devem ser analisadas e respondidas com transparência, responsabilidade e boa-fé, procurando soluções concretas para os problemas que estão na origem da paralisação.
Não se trata apenas de uma reivindicação laboral. Trata-se também de discutir o modelo de educação que queremos construir e o valor que atribuímos àqueles que têm a responsabilidade de formar as próximas gerações.
Por isso, a minha posição é simples:
Respeito pelos professores.
Respeito pelo direito à greve.
Respeito pelo diálogo.
Respeito pela educação.
Viva a educação.
Viva a classe docente.
Viva a classe trabalhadora.
Viva a greve dos professores!