05/03/2026
O vento cortante no terraço do hotel de luxo não era nada comparado ao frio que subia pela espinha de Elena. Ela ajeitou o vestido vermelho, sentindo o tecido sedoso marcar cada curva, um presente caro de Dante, o homem que a esperava lá dentro, cercado de poder e segredos.
Dante era o porto seguro, o mistério elegante que a consumia em silêncios profundos e toques calculados. Mas Elena sentia que estava vivendo em uma gaiola de ouro.
— Fugindo do seu próprio noivado, Elena? — Uma voz rouca, carregada de deboche e um magnetismo perigoso, ecoou nas sombras.
Elena parou. Ela conhecia aquele tom. Era Liam. O homem que representava tudo o que Dante não era: impulsividade, paixão bruta e um passado que ela tentou enterrar.
— Liam? O que faz aqui? Você não tem o direito...
Antes que terminasse, ele a prensou contra a mureta de mármore. O cheiro de perfume amadeirado e perigo invadiu os sentidos dela.
— Eu tenho todos os direitos sobre o que eu marquei primeiro — sussurrou ele, a mão subindo possessivamente pela coxa dela, desafiando o limite do vestido. — Não é você que dizia me amar?
- Dias antes...
A vida de Elena sempre foi uma linha reta, desenhada por outros. Filha de uma família que faliu com elegância, ela aprendeu cedo que beleza era uma moeda de troca.
Dante surgiu como o salvador. O CEO da Valentin Enterprises não era apenas um homem de negócios; ele era uma força da natureza vestida em seda e grafite Cuja o pai da Elena lhe devia 30 milhões de dólares.
Quando ele entrou no escritório decadente dos Valencia, o cheiro de m**o foi substituído pelo seu perfume caro de sândalo e poder.
Elena Valencia subia a escadaria de mármore trincado, sentindo o peso de cada passo. Lá embaixo, no escritório que outrora pertenceu ao seu avô, o destino da sua linhagem estava sendo pesado em uma balança de ouro e gelo.
Seu pai, um homem quebrado pelo jogo e por investimentos desastrosos, mal conseguia olhar para os credores. Mas o homem que estava sentado na poltrona de couro desgastado não era um credor comum. Era Dante Valentin.
Elena entrou no escritório sem bater, carregando uma bandeja com café, a última formalidade de uma hospitalidade que já não podiam pagar. O silêncio na sala era tão denso que ela podia ouvir o tique-taque do relógio de parede parado há meses.
Dante Valentin não se moveu. Ele vestia um terno grafite impecável, as mãos cruzadas sobre o colo, observando o desespero do pai de Elena com uma indiferença cirúrgica. Quando Elena pousou a xícara sobre a mesa, os olhos cinzentos de Dante finalmente subiram, encontrando os dela.
— "Uma Mansão em ruína, Sr. Valencia," — a voz de Dante ecoou, fria e absoluta. — "E você quer me dar para quitar as tuas dívidas?" — O pai de Elena soltou um soluço sufocado. Mas Dante continuou, seus olhos fixos na postura ereta de Elena, que se recusava a baixar a cabeça diante da humilhação. — " Você está tentando me enganar, Sr. Valência? "
O pai da Elena deu um salto assustado. — " Não, Eu não me atreveria, Sr. Valentin " — Elena cerrou os dentes mantendo a postura perante a humilhação que eram subjugados
Dante soltou um riso seco, um som sem alegria que fez os pelos do braço de Elena se arrepiarem. Ele se inclinou para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos, quebrando a distância segura que mantinha até então. A luz fraca do abajur antigo realçava as linhas duras de seu rosto e a frieza metálica de seus olhos.
— "Pois saiba que este terreno não vale nem os juros da primeira parcela que você deixou de pagar," — disse Dante, sua voz baixando para um tom perigosamente calmo. — "Eu não compro ruínas, Valencia."
O pai de Elena escondeu o rosto nas mãos, os ombros sacudindo em um choro silencioso e patético. Elena sentiu uma mistura de pena e fúria. A humilhação era um gosto amargo em sua boca.
Dante levantou-se lentamente. Ele era alto, uma presença que parecia ocupar todo o espaço oxigenado daquela sala pequena. Ele caminhou ao redor da mesa, ignorando o homem quebrado na poltrona, e parou diante de Elena. O cheiro de sândalo e poder a envolveu, sufocante e magnético.
— "No entanto," — ele começou, estendendo a mão e tocando o queixo de Elena com a ponta dos dedos, forçando-a a manter o contato visual. — "Tem uma coisa que eu quero de você ."
Elena tentou desviar o rosto, mas a pressão dos dedos dele era firme.
— "O que você quer ?" — a voz dela saiu firme, apesar do coração martelando contra as costelas.
Dante deu um meio sorriso, algo que não chegou aos olhos cinzentos.
— "Quero o seu nome, Elena. Quero a tradição dos Valencia unida ao meu império." — Ele puxou a Elena mais perto segurando a cintura dela...