29/05/2026
Existem memórias que o tempo não dissolve. Permanecem intactas, silenciosas, alojadas nos corredores mais profundos da consciência. São marcas que não desaparecem; apenas aprendemos a conviver com elas, discretamente, entre nós e os nossos próprios pensamentos.
Mas hoje, apraz-me falar de um homem cuja vida e ministério não se limitaram ao seu tempo, antes, prolongam-se na transformação contínua de vidas.
Nas imagens, o Servo de Deus, meu Dirigente, Pr. Rafeal Nascimento. Mais do que um simples obreiro, é o homem a quem o meu coração escolheu servir. É aquele a quem carrego a Bíblia, o microfone, a cadeira e todos os meios necessários à sua mobilização, não por obrigação, mas por convicção, honra e reconhecimento.
Recebeu-me ainda adolescente; hoje, quase homem feito, continuo debaixo da sua cobertura, protecção e instrução. Sou fruto do seu ministério e produto do seu investimento humano e espiritual. Se hoje possuo alguma experiência no serviço à Deus, devo-a, em grande medida, à convivência e à aprendizagem que tive ao seu lado. E digo isto com absoluta consciência, nunca tive outro Pastor.
Em mais de uma década de caminhada, só Deus conhece as decepções, as lágrimas, os silêncios e as superações que atravessámos. Houve momentos em que partir parecia razoável, talvez até justificável. Contudo, sempre que a vida colocou diante de mim o poder da escolha, escolhi permanecer. E tenho profundo orgulho dessas decisões, porque foram tomadas não no calor das emoções, mas na serenidade da consciência e na alegria do coração.
A vida ensinou-me uma verdade incontornável, homens perfeitos não existem. A imperfeição é herança inevitável da condição humana. Porém, os homens verdadeiramente bons distinguem-se por um detalhe raro, as suas virtudes são maiores do que os seus defeitos. E a maturidade consiste precisamente em reconhecer que devemos caminhar ao lado de homens cujas falhas somos capazes de suportar, porque os seus valores compensam as suas limitações.
E é exactamente aqui que reside o ponto de convergência, meu Pastor, as tuas virtudes superam os teus defeitos, e os teus defeitos nunca foram suficientemente grandes para apagar a grandeza do homem que és.
Talvez um dia, no cumprimento dos desígnios de Deus, a vida me conduza para outras missões e outros campos. Mas enquanto eu permanecer debaixo da tua estrutura, tudo farei para honrar o teu trabalho, a tua dedicação e o esforço investido na construção do homem que hoje me tornei.
Porque, para mim, lealdade não é conveniência; é princípio.
Honra não é discurso; é posicionamento.
E gratidão não é obrigação; é consciência.
Com carinho e respeito,
Madureira António✍️
Vosso filho.