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João Lourenço e a política das prioridades trocadasCarlos Alberto Jornalista e Director do Portal "A DENÚNCIA" Facebook ...
28/05/2026

João Lourenço e a política das prioridades trocadas

Carlos Alberto
Jornalista e Director do Portal "A DENÚNCIA"
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28Mai26

O país vive momentos sensíveis, marcados por episódios chocantes de bacanalização institucional, perante os quais não se ouve uma única palavra de repúdio ou indignação vinda das instâncias do Estado, como se as autoridades tivessem entrado numa espécie de hibernação política em matéria de ética e moral pública. Dá a impressão de que atravessamos um período de transumância política, em que até os deputados da oposição, mormente os da UNITA, optam pelo silêncio diante de práticas moralmente condenáveis envolvendo um deputado da Assembleia Nacional, esquecendo-se de que a condição de deputado não é meramente partidária: trata-se de uma missão de Estado. A Assembleia Nacional é um órgão de soberania e, como tal, deveria ser a primeira trincheira moral da República.

Mas, para cúmulo da nossa pouca vergonha colectiva, a prioridade do Chefe de Estado parece ser a exoneração do inspector-geral da Administração do Estado e a nomeação da nova titular da IGAE. E a questão aqui nem sequer é o mérito da exoneração. Eu próprio já escrevi, em momento oportuno, que o inspector exonerado era praticamente um peso morto na instituição. Aliás, a sua nomeação, se fôssemos um país normal, à luz das responsabilidades da IGAE e do perfil de João Manuel Francisco “João Pinto”, dificilmente deveria ter acontecido. Não era preciso grande exercício de análise para perceber que a escolha tinha sido, no mínimo, desajustada ao cargo.

A Inspecção-Geral da Administração do Estado (IGAE) teve, provavelmente, o seu melhor desempenho no tempo de Sebastião Gunza. Havia maior percepção de utilidade pública e a sensação de que o órgão existia para algo mais do que produzir relatórios decorativos. Ainda assim, também apresentou critérios pouco claros em termos de responsabilização institucional. Muitas vezes, limitava-se a publicitar práticas de corrupção envolvendo “peixes miúdos”, sem que se tivesse visto, com a mesma regularidade, a responsabilização de administradores ou governadores, não obstante denúncias nesse sentido. Mas é verdade que Sebastião Gunza procurou, em alguma medida, contribuir para a moralização das instituições do Estado. E fez a sua parte. Quanto à sucessora de João Pinto, prefiro nem entrar no mérito. Esse assunto talvez mereça outro texto.

A questão central nesta reflexão é a prioridade do Presidente da República. Era assim tão urgente mudar o “rosto” da IGAE, quando o país atravessa um dos períodos mais delicados da sua vida institucional e social? Com tantos desafios acumulados, tanta erosão da confiança pública e um descrédito cada vez mais visível das instituições, era realmente esta a prioridade presidencial? A sensação que f**a é a de uma tentativa de transmitir ao país a ideia de que ainda existe uma cruzada moral em curso dentro do aparelho do Estado. Só que o efeito produzido acabou por ser exactamente o contrário.

Sempre que um Presidente parece mais preocupado em gerir símbolos administrativos do que em restaurar a autoridade moral das instituições, instala-se inevitavelmente a percepção de desnorte. Um país pode sobreviver a crises económicas, tensões políticas e dificuldades sociais; o que raramente sobrevive é à sensação colectiva de que o seu "líder" deixou de distinguir o essencial do acessório. Neste momento, Angola transmite precisamente essa imagem: a de um Estado que continua a trocar rostos, discursos e cargos, sem conseguir convencer os cidadãos de que mudou verdadeiramente as prioridades.

É por isso que, por vezes, chego à conclusão de que talvez seja o meu próprio juízo que esteja a falhar, porque não consigo acreditar que eu seja dos poucos a notar tamanha incongruência, tamanha inversão de prioridades e tamanho desprezo pelos valores que deveriam nortear a sã convivência social e a própria organização do Estado. Estou confuso. E talvez a maior tragédia seja precisamente essa: num país normal, o absurdo ainda provoca reacção; aqui, começa perigosamente a ser tratado como rotina.

A encruzilhada do poder no processo de sucessão no MPLA (Parte IV)Carlos Alberto Jornalista e Director do Portal "A DENÚ...
27/05/2026

A encruzilhada do poder no processo de sucessão no MPLA (Parte IV)

Carlos Alberto
Jornalista e Director do Portal "A DENÚNCIA"
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27Mai26

O Presidente da República, João Lourenço, assinou, a 21 de Maio, o Despacho Presidencial n.º 196/26. O diploma impõe que os seus auxiliares do Executivo, as altas patentes das Forças Armadas e da Polícia Nacional e os dirigentes dos Serviços de Informações e da Inteligência e Segurança Militar não se desloquem, em missão privada, para o exterior sem prévia autorização do Chefe de Estado.

O despacho exige uma leitura atenta e cuidadosa, à luz dos episódios sensíveis que vêm atravessando o país e numa data de forte carga histórica como a de 27 de Maio. Não se trata de uma novidade administrativa. As deslocações privadas de ministros de Estado, ministros, secretários de Estado e dos titulares dos serviços auxiliares do Presidente sempre estiveram sujeitas à comunicação e à autorização superior. O mesmo se aplicava aos directores nacionais e quadros intermédios e, com rigor ainda maior, aos órgãos de defesa, segurança e do Serviço de Informações.

Se esta sempre foi uma prática, por que razão João Lourenço sentiu a necessidade de a reafirmar agora, em letra pública e com o peso de um despacho presidencial? A resposta está no gesto político que o acompanha: o Presidente não comunica apenas que algo se rompeu na cadeia de confiança; mostra, pelo despacho, que o país se encontra perante uma situação iminente de instabilidade.

Este gesto adensa os indícios que o Portal “A DENÚNCIA” vem denunciando em adenuncia.ao sobre o alegado “Plano Macabro” de desestabilização atribuído ao general Fernando Garcia Miala. O silêncio presidencial perante factos que exigem uma investigação séria e célere tem sido a resposta constante. A este silêncio junta-se agora um despacho que, em vez de tranquilizar, desperta um sentimento generalizado de insegurança. É um modelo de comunicação que projecta uma sombra sobre o ambiente político do Palácio.

Nas “Temporadas sobre o Caso Miala”, denunciámos que o “terrorismo” se tornou, na prática, uma espécie de álibi político. O alegado envolvimento de cidadãos russos, a presença de uma suposta ameaça atentatória ao Estado e o suposto atentado ao Presidente dos EUA, Joe Biden, durante a sua visita a Angola, não passam de quimeras políticas utilizadas para legitimar medidas de natureza draconiana que parecem ganhar contornos crescentes no horizonte institucional. Temos demonstrado, com fundamento técnico, que tais episódios nunca reuniram sustentação suficiente do ponto de vista do risco efectivo.

O próprio general Francisco Furtado reconheceu recentemente que não existiam indícios de práticas terroristas envolvendo os cidadãos russos detidos em Luanda, cujo julgamento, iniciado em Abril, permanece envolto numa penumbra processual. Em sentido idêntico, o mesmo responsável confirmou inexistirem elementos materiais que sustentassem o primeiro caso dos chamados “apaniguados terroristas” confessos, os quais alegadamente pretendiam atacar o Palácio Presidencial e o Presidente dos EUA utilizando meios obsoletos.

Desde 2023, Miguel Ângelo, académico e quadro sénior do SINSE, atribui ao general Miala um plano de desestabilização. Seria muita coincidência que os acontecimentos viessem a ocorrer exactamente como se antevia. Chamámos sempre a atenção para a forma como dirigentes do MPLA e membros do Governo são expostos nas redes sociais, em sites obscuros e perfis fantasmas, sem que os órgãos de investigação criminal e de informações vissem nisso motivo de preocupação. A omissão nunca foi inocente, mas a evidência de que essas práticas respondem a uma missão concreta torna-se cada vez mais difícil de disfarçar.

O então ministro do Interior, Eugénio César Laborinho, foi vítima. Seguiu-se o general Francisco Furtado. Agora é o Secretário para os Assuntos Políticos e Eleitorais do MPLA, João de Almeida Martins “Ju Martins”. Parece caricato que o Presidente tenha reagido de imediato nos casos de Eugénio Laborinho e Francisco Furtado, exonerando-os das suas funções, e que, em relação a Ju Martins, se alegue que não cederá a chantagens políticas vindas de alas do MPLA que pretendam o seu afastamento como mandatário da sua recandidatura.

O argumento não resiste à contradição. A leitura que ganha corpo em alguns sectores da sociedade é a de que João Lourenço trilha um caminho há muito premeditado para desgastar o próprio partido. Quanto a Ju Martins, não acreditamos que esteja em condições psicológicas, éticas e morais para se manter no cargo. Ju Martins precisa, neste momento, mais de estabilidade emocional do que de um cargo que o expõe a uma inevitável e incisiva chacota pública.

Não é apenas a vontade de João Lourenço que está em causa. O Presidente deveria demonstrar maior empatia. Num momento como este, dever-se-ia perguntar como é que a família de Ju Martins tem enfrentado este período de vergonha pública, vexame e ultraje perante a sociedade. Neste momento pesa, e muito, a estabilidade emocional de Ju Martins e da sua família, a imagem do partido e do país perante a sociedade e o mundo. Expor um homem ao escárnio público não é protegê-lo; é acelerar o seu suicídio político. Uma filha de Ju Martins, identif**ada como Nádia Martins, segundo relatos que nos chegaram, enfrenta um quadro depressivo perante as humilhações de que passou a ser alvo no local de serviço. O sobrenome que antes conferia estatuto passou a ser a marca da humilhação.

O que espanta é a ausência de leitura política destes sinais. Um banner posto a circular nas redes sociais a anunciar uma marcha de apoio a Ju Martins, apesar de prontamente desmentido, revela-se passível de diferentes leituras. É chocante a tentação da falsa solidariedade que agora se procura evocar. A obscenidade da linguagem do panfleto é outro sinal de degradação estrutural que se exibe como o melhor cartão-de-visita. F**a exposta uma classe política que não se coíbe de se apresentar como representante de alto nível de um antro de promiscuidade e devassa pública sem escrúpulos.

A mensagem que se transmite de cima para baixo é inequívoca: a vontade do Chefe e o seu humor estão acima de quaisquer valores e princípios, incluindo os mais nobres e superiores interesses do Estado. Quando não se investigam factos que ameaçam a estabilidade, quando se confundem rumores com evidências, quando se penalizam uns e se protegem outros por interesses obscuros, o país recebe a lição de que a lei é elástica e paliativa.

É por isso que urge desmistif**ar o Despacho Presidencial n.º 196/26. É um aviso escrito em linguagem administrativa. O Portal "A DENÚNCIA" parece estar do lado da razão histórica. O país não deve viver outra tragédia como a de Julho de 2025, em que cidadãos foram mortos indiscriminadamente enquanto a mais alta instância do país se demitia de mandar inquirir os factos atribuídos a um dos seus indefectíveis.

É aqui que se desenha a encruzilhada no processo de sucessão na liderança do MPLA. O que agora se publica neste despacho não é apenas a norma. É a forma mais crua de enviar uma subtil mensagem de perigo, envolta no mesmo certif**ado de habilitação do “Plano Macabro” atribuído ao general Fernando Miala. E, enquanto não houver um inquérito sério, o Estado caminhará sobre gelo fino, com o risco de ruir sob o peso das omissões convenientes do Presidente João Lourenço.

23/05/2026

A NAVALHA DE SÁBADO

Carlos Alberto
Jornalista e Director do Portal "A DENÚNCIA"
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23Mai26

Quem é do MPLA, conhece a essência do MPLA, os valores e princípios que sempre nortearam a sua existência, sabe e deve compreender que o partido está a atravessar, neste momento, uma situação de crise sem precedentes. Esta crise a que nos referimos não é propriamente política, mas sim uma profunda crise de valores morais, éticos e de consciência, que atravessa todo o espectro da sociedade.

Após o vazamento de vídeos de momentos íntimos envolvendo um membro do Secretariado do Bureau Político, em actos praticados dentro da instituição, revela-se não apenas o nível de promiscuidade, como também a degradação estrutural e institucional para a qual o partido parece hoje estar voltado.

O mais agravante é que, segundo foi possível apurar, o envolvido, nas vestes de mandatário da recandidatura do presidente cessante do partido à sua própria sucessão no IX Congresso Ordinário, marcado para Dezembro, apresentou uma carta solicitando o seu afastamento, com vista a salvaguardar a sua imagem, a imagem do partido e do próprio Presidente da República, mas, pelo que consta, o seu pedido não foi aceite.

É estranho que, diante de um gesto que se podia considerar nobre, o presidente cessante do partido e actual Presidente da República assim não entenda, o que, por si só, vem constituir um sinal claro das razões que têm feito com que a degradação moral, ética e institucional tenda a agravar-se acentuadamente.

Se, por um lado, Ju Martins demonstra reconhecer que o partido sempre primou por valores elevados, que devem orientar a conduta dos seus membros da Direcção, militantes, simpatizantes e amigos do partido, por outro lado é o Presidente da República e candidato à sua própria sucessão na liderança do partido que parece demonstrar não estar preocupado com a moralização, o respeito e a ética dentro do partido e das estruturas do Governo e do Estado.

Só assim se compreende por que razão o próprio combate contra a corrupção no seio do Governo, que constituía a sua política e bandeira reformista, não surtiu o efeito desejado. Quanto mais não seja, a corrupção dos valores é o principal factor da degradação da conduta política, quer dos membros do partido, quer do Governo e das demais instâncias do Estado, incluindo os órgãos de justiça.

Ora, a manutenção de Ju Martins como mandatário da recandidatura de João Lourenço não apenas fere os valores e princípios estatutários do MPLA, como, acima de tudo, não seria favorável para a sua imagem política e para a imagem do candidato, uma vez que, se este facto não representa para o candidato um factor relevante de desmobilização dos militantes e apoiantes do partido, a mensagem que se passa do interior do partido para a sociedade, para o país e para o mundo é a de que a promiscuidade, seja ela de que natureza for, constitui uma regra para o sucesso político dentro do MPLA, sendo a mesma análise aplicável ao ambiente de combate à corrupção.

Esta situação coloca, invariavelmente, o Presidente da República numa posição de insustentabilidade em relação ao seu discurso discrepante da realidade prática. Esta também pode ser considerada a principal razão que faz com que o presidente cessante do partido, após ter iniciado o jogo como árbitro, como já referimos noutras reflexões, se tenha apresentado como "jogador único", sem se importar com a violação das regras estabelecidas para a competição política interna no ambiente de múltiplas candidaturas.

A leitura que começa a ganhar expressão em determinados sectores da sociedade é a de que a actual conjuntura política pode estar a revelar fragilidades na capacidade das instituições em exercerem um efectivo sistema de freios e contrapesos sobre o poder político. Neste enquadramento, surge a percepção de que o Presidente João Lourenço poderá continuar a exercer influência determinante sobre o processo político nacional mesmo após a conclusão do seu mandato presidencial em 2027, designadamente através da liderança partidária. Esta interpretação, ainda que contestada por várias vozes institucionais e políticas, alimenta um debate cada vez mais intenso sobre o grau de autonomia real das instituições e sobre a solidez dos mecanismos de limitação do poder no contexto do Estado de direito angolano.

À luz do precedente do XIII Congresso da UNITA, anulado pelo Tribunal Constitucional em 2021, por meio do Acórdão n.º 700/2021, f**a evidente que os processos internos dos partidos políticos não estão imunes ao escrutínio judicial, sempre que estejam em causa violações da lei ou dos princípios estatutários. É neste quadro que se coloca a questão da previsibilidade institucional: qualquer processo de sucessão partidária comporta, por natureza, o risco de impugnação interna e, em última instância, de apreciação pelo Tribunal Constitucional. Ignorar este dado não é um exercício de coragem política, mas sim uma leitura incompleta da realidade jurídica do Estado de direito. Resta saber se, na condução do seu próprio processo sucessório e partidário, o Presidente João Lourenço está a operar dentro de uma lógica de confiança institucional plena ou de cálculo político que subestima a força potencial do controlo jurisdicional, como já se verificou em contextos recentes da vida partidária angolana.

Ademais, sendo um dos critérios frequentemente invocados para a avaliação do perfil dos candidatos à liderança partidária a sua irrepreensível integridade ética e moral, permanece em debate a forma como esses mesmos critérios são aplicados na prática política. Neste contexto, questiona-se como poderá o Presidente João Lourenço sustentar a manutenção do seu mandatário em funções perante a circulação pública de imagens amplamente difundidas, cuja leitura por parte da opinião pública tem sido diversa e, em muitos casos, altamente crítica. Este contraste entre o princípio enunciado e a decisão política concreta alimenta dúvidas sobre a coerência dos critérios de exigência ética no processo de selecção e manutenção de quadros de responsabilidade institucional.

Esta mensagem de descredibilização das instituições republicanas começa a revelar-se um padrão na forma de actuação do Presidente João Lourenço, tendo sido, aparentemente, esta a mesma postura que teve, por um lado, com o afastamento de Carolina Cerqueira da Presidência da Assembleia Nacional, sem qualquer justif**ação para a opinião pública nacional e internacional, e, por outro lado, com o afastamento do ministro de Estado e chefe da Casa Militar do Presidente da República, Francisco Pereira Furtado, diante de um ruído nas redes sociais envolvendo a sua possível vida privada, levando à sua exoneração das altas funções do Estado, numa decisão que pareceu transmitir para a sociedade a defesa de valores éticos e reputacionais inerentes ao funcionamento das instituições do Estado.

Estranhamente, perante uma situação baseada em factos — e não em rumores, como no caso de Furtado — que compromete não apenas a imagem do mandatário, mas também a de quem o escolheu e, acima de tudo, levanta questões sobre a idoneidade e a reputação institucional do partido, da Presidência da República e da própria nação, o Presidente João Lourenço opta por manter o visado em funções. Esta decisão, independentemente das justif**ações internas que possam ser invocadas, tem sido alvo de forte contestação pública e alimenta um clima de desconforto político que se faz sentir tanto no país como além-fronteiras.

Parece paradoxal que, por exemplo, em relação ao afastamento de Carolina Cerqueira da Presidência da Assembleia Nacional, não tenha sido sequer necessária a existência de qualquer escândalo que comprometesse a imagem da instituição e do país, não havendo, até hoje, qualquer esclarecimento sobre as razões do seu afastamento intempestivo.

Para fechar esta “A NAVALHA DE SÁBADO”, perguntamos: qual é, afinal, o critério de conduta rigorosa e exemplar que o Presidente da República e presidente cessante do MPLA, João Lourenço, utiliza para avaliar o perfil daqueles que enquadra nas diversas funções do Estado e do próprio partido? Será um critério concebido numa escola onde apenas João Lourenço foi aluno?

21/05/2026

NOTA EDITORIAL (ÚLTIMA HORA)

QUEM QUER LIDERAR A ORDEM DOS ECONOMISTAS DE ANGOLA (O.E.A.)?

A poucos dias da eleição para o cargo de bastonário da Ordem dos Economistas de Angola (O.E.A.), marcada para sábado, 23 de Maio, e já em plena recta final da campanha eleitoral, o Portal “A DENÚNCIA” considera seu dever editorial informar os economistas angolanos e a opinião pública sobre acontecimentos "pouco claros" que comprometem o necessário escrutínio democrático dos candidatos.

O candidato da Lista A, Professor Doutor Afonso Clemente Zinga, desistiu, à última hora, da sua participação na Grande Entrevista, Sem Filtros, agendada para hoje, quinta-feira, 21, às 19h, apesar de ter confirmado pessoalmente, ontem, quarta-feira, a sua presença no espaço jornalístico.

A justif**ação apresentada foi uma alegada sobreposição de agenda.

Sucede, porém, que esta entrevista não constituía um mero acto protocolar ou decorativo. Tratava-se de uma oportunidade pública para o esclarecimento de questões relevantes relacionadas com a sua candidatura, sobretudo porque, no âmbito da investigação jornalística conduzida pelo jornalista Carlos Alberto, foram solicitados ao candidato da Lista A os documentos estruturantes da sua campanha — designadamente o programa eleitoral, o manifesto e a moção de estratégia — à semelhança do procedimento adoptado em relação aos demais candidatos.

O Professor Doutor Afonso Zinga respondeu que explicaria, precisamente nesta Grande Entrevista que acabou por não se realizar, as razões pelas quais não publicou qualquer documento orientador da sua candidatura nas suas plataformas públicas, limitando-se essencialmente à divulgação de áudios gravados no Facebook.

Em termos práticos, o país iria finalmente ouvir a explicação de um candidato ao cargo de bastonário da Ordem dos Economistas de Angola cuja campanha decorreu sem que a classe tivesse acesso claro, organizado e público aos seus documentos estruturantes. Nem em entrevistas concedidas a outros órgãos de comunicação social, nem no recente debate promovido pela TPA Notícias, o candidato Afonso Zinga conseguiu apresentar, de forma estruturada, as suas ideias, prioridades e compromissos programáticos. Essa explicação nunca chegou a ser dada. Estava prevista para esta Grande Entrevista, entretanto inviabilizada pela desistência do próprio candidato.

Outra questão que seria objecto de abordagem prende-se com elementos recolhidos pela investigação do Portal “A DENÚNCIA” relativos ao perfil académico do candidato da Lista A. Existem contradições e dúvidas relevantes em torno da forma como Afonso Clemente Zinga se apresenta publicamente enquanto “Prof. Dr.”, matéria que merecia esclarecimento frontal, transparente e institucionalmente responsável perante os economistas angolanos. Infelizmente, a entrevista não se realizou porque o candidato desistiu à última hora.

Mais preocupante ainda é o facto de este comportamento não se ter revelado isolado. O candidato da Lista C, Wilson Neves, confirmou igualmente disponibilidade inicial para conceder uma Grande Entrevista ao Portal “A DENÚNCIA”, mas acabou também por recuar após ter sido acusado publicamente pelo candidato da Lista B, Samora Machel, de alegado plágio do programa eleitoral do actual bastonário da Ordem dos Economistas de Portugal.

Wilson Neves classificou o assunto como “ruído”, ignorando provas que o candidato da Lista B exibiu publicamente na Grande Entrevista do Portal "A DENÚNCIA" publicada no canal do YouTube, alegando que o candidato da Lista C não teria condições morais e éticas para prosseguir a sua candidatura ao cargo de bastonário da O.E.A. Ainda assim, o candidato da Lista C, Wilson Neves, também não conseguiu disponibilizar ao Portal “A DENÚNCIA” o seu programa eleitoral, manifesto e moção de estratégia.

Os factos objectivos são os seguintes:

— Dois candidatos envolvidos em polémicas relacionadas com idoneidade, ética, transparência e possíveis violações do regulamento eleitoral da própria Ordem dos Economistas de Angola desistiram, ambos, de se submeter ao escrutínio público em entrevistas longas, abertas e sem guiões previamente negociados.

— Ambos concederam entrevistas e declarações a outros órgãos de comunicação social, mas desistiram quando se tratou de enfrentar perguntas directas no Portal “A DENÚNCIA”.

— Ambos foram previamente informados de que o Portal “A DENÚNCIA” tornaria pública esta Nota Editorial, de modo a justif**ar perante a audiência as respectivas ausências e com o sentido de mostrar a todos que o jornalista Carlos Alberto deu igual tratamento a todos.

— Apenas o candidato da Lista B, Samora Machel, aceitou comparecer, responder a perguntas incómodas e enfrentar o escrutínio público.

Num momento em que Angola debate diariamente o descrédito das instituições, a fragilidade ética das lideranças e a crise de confiança pública, o Portal “A DENÚNCIA” entendia existir uma pergunta incontornável a colocar a todos os candidatos:

"Quem deve liderar a Ordem dos Economistas de Angola num contexto de erosão da confiança institucional?"

Infelizmente, apenas o candidato da Lista B demonstrou disponibilidade para enfrentar essa pergunta de forma directa, pública e sem condicionamentos.

A campanha eleitoral termina hoje, nos termos do regulamento eleitoral. Amanhã, sexta-feira, 22, será dia de reflexão para os economistas angolanos.

Talvez a reflexão mais importante seja esta: quem evita o escrutínio antes da eleição terá autoridade moral, coragem institucional e sentido de prestação de contas para enfrentar o escrutínio depois de eleito?

Carlos Alberto
Jornalista e Director do Portal “A DENÚNCIA”
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21 de Maio de 2026

GRANDE ENTREVISTA | LISTA AQuem é sério não tem medo de responder a perguntas incómodas do jornalista Carlos Alberto.Ama...
20/05/2026

GRANDE ENTREVISTA | LISTA A

Quem é sério não tem medo de responder a perguntas incómodas do jornalista Carlos Alberto.

Amanhã, às 19h, em directo, no YouTube do Portal “A DENÚNCIA”, acompanhe a Grande Entrevista com o candidato da Lista A a Bastonário da Ordem dos Economistas de Angola (O.E.A.). Já tivemos o candidato da Lista B, Samora Machel. Agora é com o da Lista A, Afonso Zinga, em igualdade de circunstâncias, com perguntas Sem Filtros.

Uma conversa sobre visão, governação, credibilidade institucional e o futuro da profissão.

Assista em directo!
Subscreva agora mesmo para receber notif**ação quando estivermos no ar: https://youtube.com/?si=wZ1dFjEUOeKG5zwh

Não perca!

19/05/2026
18/05/2026

Samora Machel acusa candidato da Lista C, Wilson Neves, de fazer plágio de programa eleitoral de Professor português para o cargo de bastonário da Ordem dos Economistas de Angola

Acompanhe no Portal "A DENÚNCIA": https://youtube.com/live/QQRuHeXMSug?feature=share

Endereço

Edifício Terra Nova (prédio Do Banco BIC), Avenida Hoji-Ya-Henda (Rua Do Hospital Américo Boa Vida), Rua Do Fundão Na C5, Apartamento 1A, Rangel, Luand
Luanda

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