30/12/2025
𝐐𝐮𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐚 𝐀𝐮𝐬𝐞̂𝐧𝐜𝐢𝐚 𝐅𝐞𝐫𝐞 𝐞 𝐨 𝐒𝐢𝐥𝐞̂𝐧𝐜𝐢𝐨 𝐌𝐚𝐭𝐚
Era apenas uma menina. Quinze anos. Sonhos por escrever, promessas no olhar, inocência ainda viva. Mas, em um só ato de barbárie, duas mãos, sujas de crueldade, impunidade e desumanidade, arrancaram dela mais do que o direito de sonhar: 𝐫𝐨𝐮𝐛𝐚𝐫𝐚𝐦-𝐥𝐡𝐞 𝐚 𝐩𝐚𝐳, 𝐚 𝐝𝐢𝐠𝐧𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞, 𝐚 𝐢𝐧𝐟𝐚̂𝐧𝐜𝐢𝐚.
O que aconteceu com ela não pode ser descrito com suavidade. Foi brutal. Foi covarde. E acima de tudo, foi uma ferida aberta na nossa consciência coletiva. Porque não se trata apenas de um crime isolado. Trata-se de uma pergunta que grita dentro de nós: 𝐨𝐧𝐝𝐞 𝐞𝐬𝐭𝐚́𝐯𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐭𝐨𝐝𝐨𝐬 𝐧𝐨́𝐬 𝐪𝐮𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐢𝐬𝐬𝐨 𝐚𝐜𝐨𝐧𝐭𝐞𝐜𝐞𝐮?
𝐏𝐀𝐈𝐒, onde estamos quando os filhos mais precisam? Estamos presentes, atentos, próximos? Porque a presença protege. A ausência, por sua vez, expõe. Quando deixamos os filhos entregues à sorte, ao tempo, à internet, ao mundo, o perigo os encontra antes que o amor os abrace.
E quanto às 𝐀𝐮𝐭𝐨𝐫𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞𝐬 , onde está a promessa de segurança para as nossas crianças? Onde está a justiça pronta a agir com firmeza? As crianças e adolescentes deste país estão seguros? Ou estamos apenas empurrando responsabilidades de um lado para o outro, enquanto a dor se alastra e a impunidade se acomoda?
Este caso é um espelho cruel daquilo que insistimos em não encarar: 𝐧𝐚̃𝐨 𝐛𝐚𝐬𝐭𝐚 𝐥𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐚𝐫, 𝐞́ 𝐩𝐫𝐞𝐜𝐢𝐬𝐨 𝐩𝐫𝐞𝐯𝐞𝐧𝐢𝐫. 𝐍𝐚̃𝐨 𝐛𝐚𝐬𝐭𝐚 𝐩𝐮𝐧𝐢𝐫, 𝐞́ 𝐩𝐫𝐞𝐜𝐢𝐬𝐨 𝐩𝐫𝐨𝐭𝐞𝐠𝐞𝐫.
A minha 𝐬𝐨𝐥𝐢𝐝𝐚𝐫𝐢𝐞𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐩𝐫𝐨𝐟𝐮𝐧𝐝𝐚 𝐯𝐚𝐢 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐞𝐬𝐭𝐚 𝐣𝐨𝐯𝐞𝐦 𝐞 𝐬𝐮𝐚 𝐟𝐚𝐦𝐢́𝐥𝐢𝐚. Que encontrem apoio, justiça e cura. Que saibam que não estão sozinhos. A sua dor é nossa dor. E não será esquecida.
Como sociedade, 𝐧𝐚̃𝐨 𝐩𝐨𝐝𝐞𝐦𝐨𝐬 𝐩𝐞𝐫𝐦𝐢𝐭𝐢𝐫 𝐪𝐮𝐞 𝐚 𝐧𝐨𝐫𝐦𝐚𝐥𝐢𝐳𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐝𝐚 𝐯𝐢𝐨𝐥𝐞̂𝐧𝐜𝐢𝐚 𝐯𝐢𝐫𝐞 𝐫𝐞𝐠𝐫𝐚. Precisamos levantar as vozes, as mãos e os olhos. Precisamos cuidar dos nossos filhos, todos eles. Porque o mundo que não protege suas crianças está fadado a um futuro de escuridão.
E que cada um de nós, hoje, se pergunte: 𝐞𝐬𝐭𝐨𝐮 𝐩𝐫𝐞𝐬𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐧𝐚 𝐯𝐢𝐝𝐚 𝐝𝐨𝐬 𝐦𝐞𝐮𝐬? 𝐄𝐬𝐭𝐨𝐮 𝐚𝐭𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐚𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐨𝐬 𝐫𝐨𝐝𝐞𝐢𝐚? Porque o que fazemos, ou deixamos de fazer, pode ser a diferença entre um futuro de esperança e uma tragédia anunciada.
𝐍𝐄𝐆𝐑𝐎 𝐍𝐀𝐍𝐆𝐎𝐋𝐎 - 𝑷𝒓𝒐𝒇𝒆𝒔𝒔𝒐𝒓 𝒆 𝒎𝒆𝒏𝒕𝒐𝒓