04/01/2026
SOBREVIVÊNCIA PRECÁRIA": A REALIDADE DOS 5 MILHÕES DA FAF, É DURA A VERDADE
A Federação Angolana de Futebol anunciou um aumento no repasse anual para as Associações Provinciais de Futebol (APFs), que passará de 1 milhão para 5 milhões de kwanzas a partir de 2026. Embora o discurso oficial foque no termo "quintuplicar", uma análise aritmética básica revela que o valor continua a ser irrisório para as ambições de modernização do futebol nacional.
A Anatomia da Insuficiência
Para entender o quão pouco representam esses 5 milhões de kwanzas anuais, basta dividir o valor pela realidade do calendário:
Mensalidade Real: O apoio equivale a cerca de 416.666 Kz por mês.
O "Custo de Vida" de uma Associação: Com este valor mensal, uma APF deve cobrir salários de funcionários, contas de eletricidade, água, internet, manutenção de sedes e despesas de deslocação para fiscalização de jogos em províncias vastas.
O Abismo Cambial: No câmbio atual, 5 milhões de kwanzas representam pouco mais de 5.400 dólares por ANO. É um orçamento que dificilmente sustentaria uma pequena oficina mecânica, quanto mais o órgão máximo do futebol de uma província inteira.
Modernização ou "Maquilhagem"?
A promessa de entrega de computadores e impressoras ("tecnologia de ponta") soa mais como uma medida paliativa do que estrutural.
Num setor onde o profissionalismo exige bases de dados, scouting digital e gestão de competições em tempo real, oferecer o básico administrativo não resolve a falta de verba para o fomento do futebol de formação, que deveria ser o destino principal destes fundos.
Comparativo: O Peso do Reajuste
O aumento é um reconhecimento de que o valor anterior era ridículo, mas o novo montante mantém as associações provinciais no "soro fisiológico". Enquanto o financiamento não permitir que as APFs organizem campeonatos provinciais robustos e invistam em infraestrutura técnica, o futebol angolano continuará refém de uma gestão de subsistência, longe da verdadeira modernização prometida.