17/01/2026
Patrice Emery Lumumba foi o primeiro Primeiro-Ministro do Congo (atual RDC), de junho a setembro de 1960. É uma das principais figuras da independência do país e é considerado o primeiro “herói nacional” da sua nação.
O discurso que proferiu durante a cerimónia de proclamação da independência, na presença do Rei Balduíno da Bélgica, permanecerá para sempre memorável. Nesse dia, Lumumba fez um discurso vigoroso denunciando os abusos da política colonial belga desde 1885. O seu pronunciamento afirmava claramente que a independência marcava o fim da exploração e da discriminação e o início de uma nova era de paz, justiça social e liberdade. Com esse discurso, Lumumba assinou a sua sentença de morte.
Eis o relato do assassinato de Lumumba: em 17 de janeiro de 1961, Patrice Lumumba, Maurice Mpolo e Joseph Okito foram transportados de avião para Élisabethville, no Katanga, e entregues às autoridades locais.
Durante o voo, ele e os seus dois companheiros foram espancados com tamanha brutalidade que o piloto chegou a queixar-se do risco de o avião se despenhar. Às 16h50, o DC-4 que transportava os prisioneiros aterrou no aeroporto de Élisabethville.
Ao saírem do avião, estavam irreconhecíveis. Apesar do seu estado, os prisioneiros foram agredidos com coronhadas e lançados para dentro de um jipe, onde soldados chegaram a pisá-los. Foram conduzidos sob escolta militar a uma pequena casa, onde foram amarrados e humilhados por dirigentes katangueses, entre eles Moïse Tshombé, Munongo Kimba, Kibwe e Kitenge, bem como pelos belgas G*t e Vercheure.
Por volta das 22 horas, foram levados para a floresta e pararam numa zona pantanosa, ladeada por uma savana arborizada. Nessa mesma noite, foram fuzilados por soldados sob o comando de um oficial belga.
A morte de Lumumba provocou importantes manifestações em todo o mundo. Os manifestantes protestaram contra esse assassinato covarde e criminoso.
Tshombé considerava Lumumba o seu pior inimigo. Em julho de 1960, Tshombé e a Confederação das Associações Tribais do Katanga (CONAKAT) declararam unilateralmente a secessão da rica província do Katanga do resto do Congo. Diante dessa tentativa secessionista, Patrice Lumumba solicitou a intervenção das Nações Unidas para impedir a divisão do país. Tshombé nunca lhe perdoou esse gesto.
Lumumba foi assassinado com a cumplicidade de um consórcio americano-belga (CIA e serviços secretos belgas), com apoio francês, para ser substituído por um ditador “made in Occident”, mais favorável aos interesses ocidentais: o vassalo Mobutu.
Em 1966, Mobutu — que havia entregue Lumumba a Tshombé — proclamou-o herói nacional:
“Glória e honra a este ilustre congolês, a este grande africano; primeiro mártir da nossa independência económica, Patrice Emery Lumumba! Porque viu com clareza, porque compreendeu que a independência política não vale absolutamente nada se não assentar numa verdadeira independência económica.”
“Um dia, a história terá a sua palavra a dizer, mas não será a história ensinada na ONU, em Washington, Paris ou Bruxelas; será a história ensinada nos países libertados do colonialismo e das suas marionetas. A África escreverá a sua própria história. Uma história feita de glória e dignidade.”
— Patrice Lumumba
O esquecimento é a astúcia do diabo!
Arol KETCH: Rato dos arquivos