21/11/2025
CONHEÇA A HISTÓRIA DO COMANDANTE DOS COMANDANTES, PEDRO GARCIA VIDAL, O HOMEM COM MAIS TÍTULOS INDIVIDUAIS DO CARNAVAL EM ANGOLA.
✍🏽Por: Jornal Prenda
Há nomes que não precisam de placas oficiais para se tornarem monumentos. Há vidas que, de tão profundas na comunidade, passam a fazer parte da própria geografia do bairro. Assim é a história de Pedro Garcia Vidal, ou simplesmente VIDAL ou MAN VAIDA, o eterno comandante do grupo carnavalesco União 10 de Dezembro, um dos maiores símbolos culturais do Prenda, da Maianga e do país.
Pedro Garcia Vidal nasceu em Malanje, Município de Kangandala, no dia 12 de Maio de 1962.
Chegou a Luanda ainda pequeno com os seus pais, proveniente de Malanje, viveu nos Bairros, Indígena, Rangel e Catambor, iniciou os estudos primários na Escola do Catambor, estudou também na escola do Posto-15, aos quinze anos de idade, com a sua integração voluntária ingressou a Organização do Pioneiro Angolano (O.P.A.).
Pedro Vidal foi chamado para o exército tendo sido destacado na província do Cuando-Cubango, onde fez recruta. Regressou a Luanda pela segunda vez, foi integrado na Força Aérea e depois no Centro de Instrução do Kikuxi.
Depois passou a viver no bairro prenda, onde as ruas eram feitas de poeira, mas também de ritmos.
Aos fins de semana, o som dos tambores chegava às janelas das casas e fazia vibrar a alma dos mais jovens. Vidal era um deles.
Dizem que, ainda menino, imitava coreografias vendo os mais velhos dançarem semba na rua.
Um jovem que, além do carnaval, carregava a paixão pelo desporto, Pedro Vidal foi um destacado futebolista da equipa júnior e sénior do Grupo Desportivo Juventude do Prenda. Sobre o seu perfil como desportista, Teixeira Garcia Vidal, seu irmão, revelou o seguinte, “Mesmo com uma idade avançada o meu irmão ainda chegou a ser contratado para jogar na equipa principal do 1ª de Agosto. De facto, ele era um exímio futebolista, detentor de um pé esquerdo fabuloso com um grande poder de impulso. Em campo ele era uma grande ‘dor de cabeça’ para os defesas da equipa adversária.”
Dizem também que ele batucava nos tachos como se já estivesse a treinar para comandar um dia um batalhão de tambores, e foi nessa fase ainda inocente, que se plantou a semente do líder que o Prenda viria a conhecer.
Segundo a pesquisa do Jornal Prenda, Pedro Vidal começou a participar no Carnaval com 16 anos.
Era um jovem, mas já se destacava pela energia, pela disciplina e, sobretudo, pela forma como conseguia unir pessoas.
Pela necessidade de emancipação artística, Pedro Vidal fundou o União 10 de Dezembro, em 1978, com nomes como, Rosário Mário, Josefa Mário, Francisco Pimentel, José Diogo Bartolomeu, Francisco António Mateus, Domingos João Manuel, Agostinho Luís Filipe, Conceição João Manuel e Maria António Mateus...
Pouco tempo depois, tornou-se comandante, posição que marcaria não apenas a sua vida, mas a identidade cultural de todo o bairro.
Sob o seu comando, o 10 de Dezembro cresceu, ganhou forma, ganhou respeito.
Pedro Vidal não era apenas um líder artístico.
Era um educador.
Um organizador.
Um disciplinador.
Enquanto muitos grupos treinavam para competir, ele treinava para formar comunidade.
Foi durante estes anos de ascensão que começou a acontecer algo que nenhum documento oficial registou, mas que toda a gente no Prenda sabe:
A rua onde Vidal ou Man Vaida vivia, ali perto da antiga 8ª esquadra do Prenda passou a ser chamada de “Rua do Vidal” ou “Rua do Man Vaida”.
Não foi uma homenagem formal.
Foi a força da convivência.
Foi o reconhecimento diário.
Foi a influência do homem que ali morava.
Ao longo das décadas, o nome colou-se à boca das pessoas.
Até hoje, quem passa por ali não diz “Rua X” ou “Rua Y”.
Diz simplesmente: “Ali na Rua do Vidal ou Rua do Man Vaida”
Foi assim que o bairro o imortalizou ainda em vida.
Com disciplina dura e carisma generoso, o Comandante Vidal transformou o União 10 de Dezembro num grupo lendário.
Sob seu comando, o grupo conquistou quatro grandes títulos, em 1991, 1999, 2002 e 2006.
Mas a lista de conquistas pessoais foi ainda mais impressionante:
O Homem foi 14 vezes eleito Melhor Comandante do Carnaval de Luanda, título maior em Angola toda, que o torna o mais medalhado do país.
Homenageado oficialmente pela cultura nacional.
Considerado um símbolo de liderança e tradição.
Durante mais de 40 anos, Pedro Vidal foi presença obrigatória na cultura carnavalesca de Luanda.
Em 2021, já após a sua partida, o Carnaval “online” prestou-lhe homenagem, reafirmando o peso da sua obra.
Mas mesmo enquanto vivo, muitos reconheciam que o 10 de Dezembro era mais que um grupo: era uma escola de vida criada por ele.
Dia 10 de junho de 2020, a notícia correu primeiro nas casas, depois nos becos do Prenda, de rua em rua, e assim virou manchete no país.
O comandante dos Comandantes Pedro Garcia Vidal tinha falecido, vítima de doença, no Hospital do Prenda.
E naquele instante, algo raro aconteceu:
O Prenda parou.
Luanda parou.
Angola parou.
Os tambores que sempre ecoavam altos, confiantes ficaram mudos.
As mães choraram nos quintais.
Os jovens que ele tinha formado desmoronaram-se em abraços.
As bandeiras do carnaval foram erguidas a meio mastro simbólico.
Não era apenas a morte de um comandante.
Era a morte de um pai cultural, de um espelho, um símbolo, e o país sentiu.
Depois da dor, sem o seu líder histórico, o 10 de Dezembro enfrentou dificuldades, faltavam recursos, faltava força, faltava o olhar e a motivação de seu comandante.
Mas algo voltou a nascer quando Bernardo Garcia Vidal, o seu filho, assumiu o comando do grupo.
E assim, mesmo entre lágrimas, o 10 de Dezembro voltou aos ensaios, voltou às avenidas, voltou aos tambores.
Hoje, quando se fala do Comandante Pedro Vidal, o bairro não lembra apenas o artista, lembra o mentor, o disciplinador e um o pai de cultura.
E lembra também que, enquanto existir Prenda, existirá uma rua que leva o seu nome, não por decreto, mas por amor.
A sua história feita de factos, memórias e lendas pertence agora à rubrica ORGULHO DO PRENDA, um projecto do Jornal Prenda, que eterniza aqueles que transformaram o bairro num palco de identidade, cultura e grandeza.
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