10/08/2025
━━━━━━━━━━━━━━━
📖 EPISÓDIO 17
Desculpem ouve uma falha ao postar os episódios... Boa leitura...
🎬 Tema: "Mais um bom motivo"
━━━━━━━━━━━━━━━
Foram meses de altos e baixos, sorrisos e lágrimas, tropeços e recomeços. Mas naquele sábado… foi como se o céu tivesse se abaixado sobre nós.
O Congresso estava lotado. A multidão em silêncio, atenta. O momento chegou.
Janice e Junai desceram juntas para a piscina batismal, lado a lado. As duas com aquela leveza nos olhos e um brilho que só quem ama a Jeová pode carregar. O coração quase me saltava do peito. Aquilo era mais que um mergulho — era um marco, um testemunho de que o amor verdadeiro ainda vence neste mundo barulhento.
Do meu lado, vi Joel. Olhos marejados. Ombros erguidos com uma dignidade silenciosa. Ele não dizia nada, mas o semblante gritava: "Valeu a pena." Ele foi o irmão, o pai, a mãe, o amigo, o apoio. Não sei como conseguiu se manter de pé depois de tudo. Mas ali estava ele — mais forte do que nunca.
— Elas conseguiram… — murmurou ele, quase sem som. Só eu ouvi. E bastou.
A congregação inteira celebrou como se cada um tivesse ganho uma irmã nova. Os abraços não paravam. As lágrimas corriam livres. Até o irmão Vicente chorou, e olha que eu nem sabia que ele era desses.
Depois da sessão, voltamos todos juntos para casa. Joel preparou um almoço simples, mas simbólico. Arroz, feijão, frango guisado e sumo natural. Noémia ficou encarregue do bolo. E cá entre nós: a moça leva jeito pra Betel, mas podia também abrir uma pastelaria.
Noémia aliás… estava especialmente quieta. Com um sorriso contido. Depois do almoço, ela me chamou no canto do quintal.
— Caio. Eu terei saudades!
— Dê que?
— Da congregação, disso tudo!
—Porquê?
— Betel. Vou já daqui a duas semanas.
— Uau! Sério? Que fixe! — quase gritei.
— Vou por um ano. Não sei como vai ser… mas tô com paz no coração.
E eu fiquei sem palavras. Só consegui abraçá-la. Forte. Como um irmão faz quando sabe que vai sentir falta.
Na semana a seguir, Victor fez a designação de leitura bíblica na reunião Vida e Ministério. Leu certinho, com voz firme. Depois de tudo o que passou, vê-lo de volta, ativo, engajado… me fez perceber o quanto Jeová é paciente com a gente. E como ele trabalha nos bastidores.
E quanto à Jorgete? Ah, a Jorgete… A menina que virou mulher diante dos meus olhos. Três vezes por semana ela vai ao Betel como commúter. Tem um brilho no rosto quando fala das tarefas que cumpre lá. Eu fico só olhando e imaginando: “Será que ela já percebeu que eu a vejo como uma verdadeira mulher de valor?”
Parece que tudo está a se encaixar.
Ainda não sei o que Jeová reserva pra cada um de nós. Mas naquele dia, no Congresso, sob aquele céu limpo… eu tive certeza: não importa quanta escuridão venha, Jeová sempre manda luz.
Estes dias … a luz brilhou sobre a água.
Na semana a seguir, a Noémia começou os preparativos pra ir pro Betel. Estava toda empolgada, mas ansiosa também. Mandou fazer uns vestidos novos, do jeitinho modesto que ela gosta. Um dia antes de viajar, passou lá em casa. Trouxe um caderno com anotações espirituais que ela fez ao longo dos anos — presente pra Teresa.
— Quero que a Tê cresça firme — disse, emocionada.
E a Teresa? Mudou por completo. Agora prega comigo aos domingos. Tá mais tranquila, mais concentrada. O semblante dela não é mais o mesmo da menina distraída que só ouvia música com fone no ouvido. É de alguém que encontrou um sentido maior.
E quanto à Jorgete… bom, cada vez que ela sobe na tribuna pra vumprir as suas designações a congregação inteira se anima. E eu… fico ali, olhando. Coração meio atrapalhado. Sentindo que talvez… talvez Jeová esteja a preparar alguma coisa entre nós.
A Lívia ainda não faz parte disso. Ainda. Mas algo me diz que essa história não acabou.
Às vezes penso como tudo mudou em poucos meses. O Joel era sombra, hoje é força. As gêmeas eram tímidas, hoje são exemplo. O Victor era perdido, hoje é leitor da Bíblia. A Teresa era distraída, hoje é proclamadora. A Noémia sonhava, agora vai servir em Betel. A Jorgete… ah, Jorgete… cada vez mais brilha.
E eu?
Eu continuo aqui. A observar. A crescer. A lutar. E a esperar o que Jeová tem reservado.
Porque se tem uma coisa que aprendi, é que os melhores capítulos ainda não foram escritos.
Já agora pessoal ... Eu esqueci de vos dizer, o Joel já conseguiu um trabalho há um mês atrás, ganha bem, e dá pra equilibrar com a fé...
Falta pouco pra ida da Noémia para o Betel...
A alegria ainda ecoava dentro de mim. A imagem das gêmeas entrando no tanque do batismo, a voz da Teresa a fazer sua primeira participação na tribuna, a Noémia com aquele sorriso leve, pronta para servir no Betel… Tudo parecia estar a brilhar. Mesmo eu, que tantas vezes duvidei de mim, sentia que talvez... só talvez... eu também estava a crescer. Jorgete, sempre firme, me inspirava mais a cada dia. E até a Lívia, que tanto me confundiu antes, agora caminhava segura.Ou pelo menos... era o que eu pensava.
A Lívia se transferiu pra nossa congregação, a família está a viver aqui próximo... Então veio com a transferência de congregação... Os pais dela não olhavam com bons olhos as Testemunhas de Jeová. E eles nem sabiam que a filha já era uma de nós.
Na terça-feira à noite, recebi uma mensagem de áudio da Lívia. Quando dei play, só ouvi choro.
— Caio... não aguento... minha mãe descobriu... — a voz dela tremia — disse que ou eu paro com essa “igreja”... ou saio de casa.
O coração gelou.
Ela não apareceu na reunião de quinta-feira. Tentei ligar. Ela atendeu, mas só chorava. Eu tentava consolar, lembrar das promessas de Jeová, mas ela parecia longe. Dizia frases como:
— Talvez Jeová não quer que eu continue… se quisesse, me ajudava a evitar isso, não?
Fiquei sem palavras. A fé dela... aquela chama... parecia se apagar.
Enquanto tentava lidar com isso, percebi outro silêncio estranho: João.
Duas semanas sem vê-lo na reunião. Nem uma resposta nos grupos. Nem uma curtida nas fotos do congresso. Desapareceu.
Fui à casa dele. Victor disse que ele saiu e que nem ele sabe onde foi parar. O pai dele só abanava a cabeça e dizia: “Esse menino é uma pedra dura…”
No sábado, fui procurar no bairro do Rocha, onde ele dizia ter um primo.
Encontrei.
Estava sentado numa esplanada, com um boné baixo e olhar distante. Quando me viu, não sorriu.
— Caio? — disse, como se me ver fosse uma surpresa estranha.
— Estás sumido, irmão.
Ele riu de canto. — Irmão?
Sentei ao lado.
— João, o que se passa?
Ele demorou, mas falou:
— Tô cansado. Sabe… às vezes parece que não importa o quanto tu te esforces… ninguém liga. Só te olham pra corrigir, pra apontar o dedo. Sempre fui visto como o “difícil”, o “rebelde”. Nunca como alguém que só precisava de carinho.
Tentei argumentar. Lembrar-lhe das pessoas que sempre se importaram. Mas ele me cortou:
— Tu nunca soubeste o que é ser tratado como lixo... mesmo tentando fazer certo. Só ouviste elogio. Eu só ouvi cobrança.
Fiquei mudo.
Na volta pra casa, tudo girava na cabeça. A dor da Lívia. O cansaço do João. As perguntas sem resposta.
Naquela noite, só orei.
Não pedi nada, só falei com Jeová. Como quem desabafa com um pai. Como quem chora no escuro sem saber se está a ser ouvido.
Porque às vezes... tudo parece estar a brilhar. Mas de repente, tudo parece quebrar.
Na sexta-feira, ainda com o coração apertado, fui falar com os anciãos. Irmão José Duarte me recebeu com calma. Eu contei sobre o João... e sobre a Lívia. A dor era tanta que nem me esforcei pra parecer forte. Só deixei sair.
Ele ouviu tudo, sem me interromper.
Depois falou:
— Caio… há batalhas que a gente não vence com força… mas com amor, persistência e oração. Nem sempre vais saber o que dizer, mas estar presente… pode ser tudo que alguém precisa pra voltar.
Eu fiquei em silêncio. Engoli seco. Porque eu queria que tudo se resolvesse já. Queria que o João voltasse sorrindo. Queria ver a Lívia feliz nas reuniões outra vez. Mas aprendi que nem sempre a fé cresce no tempo que queremos.
No sábado, fui à reunião como de costume. Mas o Salão parecia diferente.
O irmão Vicente usou o fim da Escola do Ministério para falar — sem nomes, mas com o coração — sobre a importância de não desistir dos jovens, mesmo quando se afastam. Olhou pros irmãos e disse:
— Às vezes, a pessoa mais difícil… é a que mais precisa de nós.
Todos entenderam.
Jorgete me olhou durante o cântico final. Como se dissesse: "Estamos juntos."
Depois da reunião, a irmã Rosa veio falar comigo. Me abraçou. Disse:
— Diz à Lívia que tem uma família aqui... que ama ela. Se ela não puder vir, nós vamos até ela.
E foi o que aconteceu.
No domingo, as gêmeas Janice e Junai me chamaram pra um plano: gravaram um pequeno vídeo com alguns jovens da congregação, todos com mensagens simples e sinceras. Coisas como:
“Lívia, sentimos tua falta.”
“Não desiste. Jeová ama você.”
“Vamos esperar-te no Salão.”
O vídeo foi emocionante. Eu mesmo não aguentei. Mandei pra ela no início da noite, junto com um áudio meu, dizendo:
— Eu sei que tá difícil. Mas quando as nuvens pesam… lembra que ainda existe luz acima delas. Eu estou aqui. E Jeová também.
Ela demorou a responder. Mas no dia seguinte, mandou uma única frase:
“Obrigada. Ainda não sei o que fazer... mas não quero desistir.”
Quanto ao João… ainda não voltou. Mas continuo a mandar mensagens. Mesmo sem resposta. Porque, como aprendi essa semana, às vezes o amor é persistente… silencioso… e constante.
Mesmo quando tudo parece quebrar, Jeová ainda está a colar os pedaços.
Episódio 35 – Luz Mesmo no Meio da Noite
Na quinta-feira, algo inesperado aconteceu.
Logo cedo, recebi uma mensagem da Lívia. Só dizia:
“Fui expulsa.”
O coração parou.
Corri pra ligar, mas ela não atendeu. Depois mandou áudio, com a voz trêmula:
“Ela viu o vídeo… e gritou: ‘Se tu preferes essa gente, então vai viver com eles!’ Pegou minha mala e jogou pra fora. Eu… eu tô na rua, Caio.”
Foi como levar um soco no estômago.
Sem pensar duas vezes, corri até os anciãos. Em poucos minutos, o irmão José Duarte e o irmão Nascimento se mobilizaram. O irmão Vicente ofereceu abrigo temporário — e ainda naquela noite, ela já estava segura.
A congregação moveu-se como um só corpo. Irmãs levaram roupas, jovens prepararam o quarto… até Jorgete deixou uma cesta com versículos escritos à mão.
Nunca tinha visto tanto amor em ação.
Mais tarde, sentados no salão de entrada da casa do irmão Vicente, ela olhou pra mim com olhos cheios d’água:
— Eu nunca imaginei… que ser rejeitada pela minha mãe… me fizesse sentir tão acolhida por Jeová.
Só consegui segurar sua mão e dizer:
— Agora, tu tens uma família que nunca te vai abandonar.
Na mesma semana, João respondeu minha mensagem. Depois de semanas de silêncio, ele escreveu:
“Se quiser vir, estou em casa. Sozinho.”
Fui no mesmo dia.
A casa estava escura, ele mais magro, o olhar distante. Mas ouviu tudo que eu disse. Ouviu sobre a Lívia, sobre a congregação, sobre o vídeo… e sobre o amor dos irmãos que continuam a orar por ele.
Ele ficou em silêncio por um bom tempo… até que disse, baixinho:
— Nunca pensei que me fariam falta. Mas... o irmão José esteve aqui esta semana. Só sentou do meu lado. Nem falou muito. Só... esteve. Aí percebi… que talvez... Jeová não desistiu de mim.
Deixei uma Torre de Vigia marcada com o artigo “Quando Sentires Que Está a Cair…”
Antes de sair, ele perguntou:
— Ainda guardaram minha cadeira no Salão?
Olhei pra ele e sorri:
— Nunca esteve vazia.
Narrativa final do episódio:
Mesmo com lágrimas, sentimos Jeová. Mesmo na dor, vimos amor. E mesmo depois da noite mais escura… a luz voltou a brilhar.
A congregação não é perfeita. Mas é o lugar onde Jeová transforma feridas em testemunhos.
E isso… muda tudo...
Anúncio da Página:
Obrigado a todos vocês que têm acompanhado o desenvolvimento de Caio até aqui ... Esses são os Últimos episódios...
Estamos a pensar em uma nova série. Novos personagens, novo título e novos temas.
Gostaríamos de ouvir a vossa opinião sobre o assunto...
...
De volta ao episódio
Era domingo. Sol forte, céu limpo. A congregação parecia tranquila, sem saber que aquele dia ia ser diferente.
Eu estava na tribuna, a meio do meu discurso público. Era o tema “Seguir a Jeová Mesmo Quando Custa”. E, confesso, nem eu estava preparado para viver, ali mesmo, o que eu estava a pregar.
Enquanto eu lia Isaías 41:10, a porta do Salão se abriu devagar.
Alguém entrou.
Dei uma olhada rápida, e meu coração quase saltou pela boca.
Era o João.
Caminhou com calma, cabeça baixa… e foi sentar exatamente na cadeira que sempre foi dele. A que, no fundo, nunca tinha deixado de ser dele.
Vi o irmão José lançar um sorriso, e o irmão Vicente baixou a cabeça, como quem diz “obrigado, Jeová”. Jorgete, que estava no banco à frente, olhou discretamente pra trás e os olhos brilharam.
Continuei a falar, tentando não tremer:
“Às vezes, Jeová não tira a tempestade… mas Ele nos dá força para atravessar com coragem. E quando achamos que estamos sozinhos, Ele usa a congregação como abrigo.”
No final da reunião, João ficou quieto no banco. Eu fui até ele.
Antes que eu dissesse qualquer coisa, ele disse:
— Não merecia esse amor todo.
Respondi:
— Ninguém merece… mas Jeová dá mesmo assim.
Mais tarde, no campo com a Jorgete...
Estávamos a fazer revisitas juntos. E no caminho, ela falou algo que ficou preso na minha mente:
— Sabe, Caio… quando vejo o que a congregação fez por Lívia e por João… vejo que não estamos num lugar qualquer. É a casa de Jeová.
Olhei pra ela… e tive que admitir:
— E tu… és uma das razões pelas quais eu também continuo firme.
Ela corou, mas sorriu. E naquele momento, tive certeza: estava a nascer algo mais.
Narrativa final do episódio:
João voltou. Lívia, mesmo entre lágrimas, permaneceu. E eu… cresci.
Entendi que a congregação não é um conjunto de bancos e paredes.
É feita de amor, de retorno… e de lugares que esperam por nós, mesmo quando nos afastamos.
A cadeira de João nunca esteve vazia.
Só estava à espera… da volta do seu dono.
Obrigado a todos vocês que têm acompanhado o desenvolvimento de Caio até aqui ... Esses são os Últimos episódios...
Estamos a pensar em uma nova série. Novos personagens, novo título e novos temas.
Gostaríamos de ouvir a vossa opinião sobre o assunto..
...
COMPARTILHE SUA OPINIÃO nos comentários!
E se você gostou deste episódio,
CONVIDE SEUS AMIGOS a curtirem