24/02/2026
CASADOS NA SEPARAÇÃO.
INDEPENDÊNCIA ECONÔMICA NO CASAMENTO, O QUE AS ESCRITURAS DIZEM SOBRE ISSO?
Fui notificado pelo irmão e pastor Sílvio Lobato sobre um vídeo da sr. Filipa… no qual a mesma se predispõe a dar [um] conselho para “todas as mulheres”. A princípio achei desnecessário comentar, mas notei que o número de “irmãs cristãs” que compartilham da mesma ideia é estarrecedor. Logo, pensei que devesse falar sobre o assunto.
Acredito piamente que quando a Igreja não tem resposta séria e solucionável para certos problemas sociais e palavra de esperança num mundo que está a se desintegrar diariamente e se limita a concordar ou repetir cacoetes de pessoas ímpias, ela já está liquidada em sua essência e, tornar-se-á irrelevante espiritual e socialmente. Sim! Como Igreja seria um acto de omissão pecaminosa tapar os ouvidos aos fenômenos sociais inerente à mulher, tais como; violência domêstica, fuga a parternidade, alienação parental, descriminação, machismo, subalternização e coisificação da mesma etc. pois ela [a Igreja], é o farol de luz num que mundo que habita em trevas. Infelizmente, parece que, actualmente, a Igreja padeça de quase todos os sintomas que enfermam o mundo. A cura continua sendo a palavra de Deus que, por sinal, é, para todos os efeitos, a autoridade suprema na Igreja e a regra de fé e conduta do cristão. Portanto, a resposta do cristão aos factos sociais não deve se basear em meras ideias ímpias nem em experiências pessoais, mas sobretudo, deve ser abstraidas da palavra de Deus.
O dicurso da senhora pode ser resumido em dois (2) pontos cujo o segundo é resultado imediato do primeiro, reconheço que fazendo isso corro o risco de ser reducionista, mas não estou aqui para fazer uma abordagem minuciosa da sua fala, caso contrário, seria necessário escrever um livro. Vamos aos pontos:
1. O homem não presta – todo o discurso que começa com generalisações dessa natureza é fruto de uma percepção deficiente da realidade, portanto, descabido, seria necessário conviver com todos o homens ou casá-los para saber se todos de facto não prestam ou têm comportamento semelhante ao do homem que talvez a mesma teve.
2. A mulher deve ter independência financeira do marido – essa abordagem é, claramete, expressão de uma revolta – que constitui a mestafísica do seu argumento – fruto mesmo da sua experiência individual. Portanto, ela faz da sua dor particular o esteio do seu discurso no qual tira conclusões universais (todos os homens não prestam, todo o homem bem sucedido abandona a mulher do sofrimento).
Contudo, para respondermos essas afirmações de forma mais acutilante possível, é necessário estabelecer a natureza tridrimencional do discurso da mesma e, por último, trazermos aquilo que seria ideal de um posicionamento cristão.
1. Factos sociais – o discurso da mesma tem um fundo de verdade, ou seja, ela fala com base a certos factos e experiências que são verificáveis em muitos relacionamentos. Factos que subjaz, particularmente na vida de muitas mulheres (homens também passam por isso), que vivem em relacionamentos abusivos e que muitas vezes são tratadas como inferiores, subalternas e até mesmo como imprestáveis. Outrossim, é sabido que a economia angolana, principalmente a doméstica, depende em grande medida da força de trabalho do s**o feminino e que as mulheres são elas, em sua maioria, que matêm economicamente os lares, e muitas na expectativa de ver seu parceiro a vencer na vida para melhorar as condições da vida familiar se depararam com decepções e frustrações como abandono e traição. Lembro-me de um caso específico em que fui contactado, enquanto advogado, por uma senhora para dissolução do seu casamento (divórcio), as razões eram: os maltratos, agressões verbais, física e traições (adultério). Neste caso, depois de termos resolvido a parte jurídica, pelo excesso de tristeza e angústia que lhe acometera, ela queria conversar (geralmente não fasso isso), mas ela contou-me que não tinha família nem uma rede de apoio financeiro para viver sozinha com os três (3) filhos e estava a espera do quarto. Contou que sua mãe lhe abandara quando adolescente e nunca conheceu seu pai. Na medida em que fomos conversando, ela abria-se cada vez mais, percebi que era, no minímino, religiosa… Enquanto falava, a mesma afirmou que num certo dia, enquanto voltava para casa, encontrou seu marido com sua cunhada (irmã do marido) a fazerem relações se***is no sofá da sala dela… e o impacto psicológico foi imediato. No meio da conversa – afirmei que se não se cuidasse da saúde mental do seu filho (na altura tinha 12 anos), o mesmo tenderia a repetir o comportamento do seu marido, a mesma respondeu que isso já era notório, seu filho tem dito: – Mamã quero crescer para começar espancar minha mulher, como o papá tem feito com a mamã. Por outra, sua filha, apesar de ser professora da escola bíblica dominical, tinha tendência a gostar de mulheres porque odeiava homens por causa da violência que vivia em casa.
Dentre os vários casos, um outro cenário, com o qual tive contacto, se deu há poucos dias, na semana passada, que nas veste de terapeuta, acompanhei uma situação que até então nunca pensei que seria possível: um casal de jovens cristãos que viviam mais dez (10) anos juntos, porém, estavam em via de separação por questões de traição; a mulher havia traido o marido e confessado que o traira sete (7) vezes com sete (7) homens diferentes, e no último caso de traição, não fazia mais do que seis (6) meses após o parto do último filho que isso sucedera. Não obstante, em todas essas seis (6) vezes o mesmo ter perdoado, na sétima (7) não foi diferente, mas até ao nosso encontro ele não estava disposto em continuar na mesma relação, apesar de ter aberto uma janela de possibilidade. Eu sempre fiz muito pela minha esposa - disse ele, o trabalho onde ela está actualmente fui eu que, através dos meus contactos, quem arranjou para ela. Em suma, o mesmo sempre procurou ajudá-la de várias formas e maneiras, caso que e a esposa sempre reconheceu.
Entratanto, nenhum homem troca, acredito, uma mulher do sofrimento por outra pelo “simples facto” de ser acadêmica, caso o contrário, nenhuma mulher acadêmica ficaria solteira. Quantas mulheres das barracas ficaram com os papoites dos grandes Jeeps? Quantas empregadas iletradas estão com os maridos das senhoras que trabalham em grandes firmas? Quantas mulheres de “níveis” estão solteiras e não conseguem maridos? Outras por escolha ideológicas, outras involuntariamente e, outras porque são muito mal aconselhadas pelos seus pares, e seus familiares são a causa da sua infelicidade amarosa. P. ex; conheci um paciente cuja esposa saíu de casa, não por traição do marido ou por violência ou mau carácter do mesmo, mas porque a mãe se intrometie demais no relacionamento da filha, e ela só faz o que sua mãe quer. Como a mesma estava sem marido – por lhe ter expulsado de casa – quer o mesmo para a filha. Isso não significa que as mulheres não devam capacitar-se a todos os níveis, porém, não com essa mentalidade terrena, deficiente baseado numa ideia antifamília.
Novamente, as relações humanas são mais complexas do que se imagina – conheci homens que traíam suas mulheres que não apenas eram acadêmicas, mas cultas mesmo porque estavam em busca de preencher o vazio existencial de suas almas, muitos deles estavam buscar prencher a ausência do amor de uma mãe ou de um pai que lhes rejeitara – é claro que tudo isso não é desculpável ou motivo para traições, mas as causas não são uniformes como se pensa. É necessário ter certa responsabilidade ao falar sobre assuntos que mexem com a vida das pessoas. Infelizmente hoje todo mundo é especialista em assuntos que nunca tirou um minuto para estudar.
2. Ideologia – apesar da mesma não ser uma feminista ou esquerdista (isso vê-se claramente), mas o seu discurdo está eivado de uma retórica que coloca as relações afectivas dentro da dialética revolucionária, ou seja, a retórica propalada pela revolução cultural – que está de forma ominipresente nas sociedades modernas – que coloca a mulher e o homem como classes antagônicas que estão em constante conflito ou oposição, no qual o homem constitui a classe opressora e a mulher a classe oprimida e que, portanto, precisa se libertar dessas amarras do homem. Entretanto, esse antagonismo Deus já havia anunciado desde o Edén aquando da queda do homem; o confronto entre os s**os: “O teu desejo será para o teu marido, e ele te governará”. (Gênesis 3:16), de onde nasceu a raíz de todos o conflitos dentro das relações afetiva macho e fêmea – cujas relações conjugais são efectivamente redimidas ou restauradas não através de um movimento revolucionário, mas através da Cruz.
Hoje por hoje é muito fácil adoptar um discurso feminista porque o feminismo ancora seu discurso ideológico em factos sociais, em dores reais e males que afectam particularmente as mulheres. E é necessário sublinhar que nem todas mulheres que se levantam contra essas questões, são necessariamente feminista, mesmo quando adoptam um discurso eivado de categorias feministas. Como destaco no meu livro Cristianismo vs Feminismo – A Dialética entre a Feminilidade Radical e o Feminismo Revolucionário, que: “É fundamental observar que nem toda luta feminina contra os males ou injustiças sociais devem ser rotuladas “Lutas Feministas” de subversão da ordem de Deus. A sociedade é uma organização humana complexa e mulheres em muitos comunidades patriarcais foram e são exploradas, subalternizadas e tratadas com desumanidade – portanto, existem dores reais que devem ser mitigados em nossa sociedade. Entretanto, o movimento Feminista explora essas dores reais da mulher (opressão, violência, subalternização, abuso, humilhação etc.), transformado-as num conteúdo polítco-ideológico para uma frente de luta contra“O macho” (a famosa luta de classes). É nessas circunstâncias que avocando ou chamando para si a missão redentora das mulheres o movimento se apresenta como “La Magna Salvatrix”, como expressão mesma dos anseios mais profundo das oprimidas e a voz das mulheres subjugadas e silenciadas por uma civilização construida sob a égide patriarcal”.
3. Espiritualidade: A luz das escituras isso não passa de um conselho ímpio, não é necessário descorrer sobre esse assunto, a senhora precisa de Deus e de orientação espiritual. “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite. Salmos 1:1-2.
# O Ideal. – entrar num casamento como a mentalidade de independência financeira é antibílico e é entrar com a mentalidade de sair; é casar na separação. Segundo as escituras, Deus fez o homem e a mulher para serem uma só carne (Gênesis 2:24; Mateus 19:5-6), logo, essa união é transversal em todas as áreas da vida do casal. – A interdependência de funções pressupõe dependência mútua em tudo não obstante as funções distintas entre macho e fêmea. Portanto, a posição ideal em face aos vários conselhos ímpios é tornar a nossa mente cativa às escituras. A Bíblia deixa claro que o coração do homem é mau. Consequetemente, esperar muito de uma sociedade em decadência é o suprassumo da idiotice. Como cristão (somos agentes de mudança) precisamos ancorar nossas vidas e opiniões não no que acontece no dia a dia, mas no que as escituras afrimam. – relacionamente não é o que muita gente tem, a bem da verdade o que muitos têm é um negócio bem gerido. O modelo de relacionamento bíblico é o modelo perfeito porque foi estabelecido por um Deus que não pode errar. Desta feita, mais do que surfar na onda dos acontecimentos sociais. A cristã deveria se perguntar: o que devo fazer para ser uma mulher mais bíblica; e o homem, o que devo fazer para ser um homem mais bíblico? Como ter um casamento que glorifique a Deus? Como amar cada vez mais a minha esposa ou sendo cada vez mais submisso ao meu marido? Esse seria a reação de um puritano, mas essa geração de cristãos secularizados e materislistas, mais angolano do que crentes que são aconselhados pelos familiares ímpios que "marido ou mulher não é família, estãoa viver juntos, mas tens que ter o teu...", não conseguem captar o espírito por detrás desses argumentos. Portanto, a nossa revolta não seria em mudar os marcos da palavra Deus através de um temor servil em face do que acontece hoje – homens e mulheres precisam crescer juntos sim! – mas só não se pode fazer nos termos da impiedade propaladas no vídeo, mas dentro da relação de interdependência conjugal estabelecida nas escrituras, tendo em mente que tudo que o casal possui ou um deles conquista pertence ao casal. Vídeos como esse, apesar de ser ignorável, deveriam nos fazer amar mais nossas esposas e ter uma submissão radical pelos maridos. Reforçando assim os laços de afetividade para que essa luz brilhe num mundo de confusão e trevas para que os ímpios ao verem isso glorifiquem nosso pai que está nos céus.
Conclusão
Em suma, resumir as realidades complexas da vida numa experiência individual é deveras perigoso. As relações humanas são tão complexas que as pessoas não deveriam banalizá-las; as pessoas se unem por vários motivos; interesses econômicos, amor, valores espirituais, vantagens socias e profissionais, por aparência ou beleza etc., lembro-me que certa vez questionei uma jovem (não cristã) que me pedira conselhos porque o marido com quem já tinha uma filha estava a romper com a relação, umas das questões que fiz foi: sob que fundamentos (valores) vocês assentaram o vosso relacionamento? Ela nem sabia que isso era necessário, então questionei: como você quer exigir fidelidade (valor) num relacionamento que começou sem princípios e valores? A Bíblia nos diz claramente, andarão dois juntos, se não estiverem de acordos? (Amós 3:3). Se dois de vocês concordarem sobre algo eu o farei (Mateus 18:19). Como pastor, mentor, conselheiro cristão e terapeuta eu lanço mão desses principios, quando a ocasião é oportuna, para ensinar sobre acordos e orientar casais que querem revitalizar ou restaurar seus relacionamentos. Casamentos sólidos e estáveis não são aqueles que não têm fricções ou problemas, mas aqueles que estão alicerçados sobre valores matafísicos e transcedentais que vai além do econômico. Logo, o dicurso dessa senhora é o desvelar de uma sociedade materialista, portanto, decadente que vê no dinheiro ou nos bens materiais o valor social supremo.