22/07/2026
📍𝐏𝐄𝐍𝐒𝐀𝐑 𝐀𝐍𝐆𝐎𝐋𝐀 | Quando vejo milhares de jovens angolanos enfrentarem longas horas de espera e sucessivas falhas no sistema apenas para concorrerem a algumas vagas na função pública, isto não representa esperança. Representa o fracasso de um modelo económico incapaz de transformar as riquezas de Angola em prosperidade para os seus cidadãos.
Num país com recursos extraordinários, o Estado tornou-se, para muitos, a única esperança de um salário seguro. Isso não é normal. É o sinal de que o governo desistiu de criar oportunidades.
Angola precisa de uma nova visão. Não de mais promessas, mas de um programa sério para transformar riqueza natural em prosperidade para as famílias. É para isso que estamos preparados.
Um dos setores mais negligenciados é a aquicultura. O mundo demonstra que criar peixe é criar emprego, riqueza e segurança alimentar e é um dos negócios mais rentáveis do século XXI. Em 2022, a produção mundial da aquicultura atingiu 130,9 milhões de toneladas, movimentando 313 mil milhões de dólares apenas na primeira venda. Todo o sector das pescas e aquicultura gerou 472 mil milhões de dólares, empregou 61,8 milhões de pessoas e o comércio internacional ultrapassou 195 mil milhões de dólares. A China lidera as exportações mundiais de produtos aquícolas, com cerca de 22,4 mil milhões de dólares, seguida da Noruega com 15,5 mil milhões e do Vietname com 11,2 mil milhões de dólares. Estes países provaram que água, conhecimento e boa governação podem transformar-se em riqueza nacional.
Angola reúne condições excecionais. Com mais de 36 milhões de habitantes, uma extensa rede hidrográfica, milhares de rios e lagoas distribuídos pelas 21 províncias e 326 municípios, podemos construir uma verdadeira economia azul.
O nosso programa começará pela instalação de polos municipais de aquicultura, centros de reprodução de alevinos, fábricas de ração, linhas de crédito para jovens e cooperativas, formação técnica e uma rede nacional de conservação, processamento e exportação. Cada município poderá desenvolver cadeias produtivas ligadas à piscicultura, envolvendo agricultores, transportadores, comerciantes, universidades e pequenas indústrias.
Se cada município desenvolver apenas 20 polos aquícolas, com uma média de 100 empregos diretos por polo, Angola poderá criar mais de 650 mil empregos diretos e ultrapassar um milhão de postos de trabalho ao longo da cadeia de valor, envolvendo transporte, indústria, comércio, investigação e exportação transformando o país num fornecedor para a África Austral e para mercados internacionais.
Deus foi generoso com Angola. Deu-nos água, terra, clima e recursos. O que falta não são riquezas. O que falta é um governo capaz de organizar essas riquezas em benefício do povo. É tempo de transformar potencial em produção, produção em emprego e emprego em dignidade.