19/08/2025
Má Gestão
INCOMPETÊNCIA OU RAZÕES QUE A RAZÃO NÃO ALCANÇA???
Estive ontem no Instituto Médio Agrário do Tchivinguiro - a antiga Escola de Regentes Agrícolas "Francisco Machado" - para mostrar ao filho kassula o lugar onde me fiz homem. Onde aprendi a ser autónomo, solidário, patriota e amante do trabalho.
E o que vi, deixou-me de rastos.
Os edifícios estão completamente degradados. O internato, o posto de saúde, as residências dos professores, algumas delas até sem tecto, portas e janelas. Até a residência do Director está cheia de capim no quintal empedrado(!).
Porquê, se o Tchivinguiro nunca teve guerra?
A estrada que liga o pavilhão de aulas à fazenda e ao canto turístico dos lagos - cerca de 800 metros - está intransitável. O jipe passa com muita dificuldade.
Como assim, se é por aí que passam os carros e tractores para realizar a produção?!
Os campos estão abandonados. Salvo duas ou três parcelas onde se fez uma lavoura e outra com repolho, o resto está entregue ao capim silvestre. A vala de irrigação que sai dos lagos está completamente assoreada. Os edifício de lacticínios, tratamento do gado, mangas de vacinação e outros de apoio à produção, estão arruinados ou desapareceram.
Como assim? Não há mais produção? E as aulas práticas, como ficam?
Não me atrevi a entrar no internato. O coração, de tão partido, não aguentava mais.
Porquê? O que andaram a fazer os Directores para lá nomeados? O Ministério da Educação não vê isso? Que respostas a dar aos filhos que nos perguntam a razão do estado de degradação de uma instituição de ensino de uma área tão estratégica como a Agricultura?
Como explicar que, sem guerra, nem nenhuma catástrofe natural, o estado actual da escola é infinitamente pior que em 1988 quando o pai terminou?
Alguém parou para pensar qual é a mensagem que esse estado de coisas passa em termos da Educação e Ensino, daquilo que "a Agricultura é a base" e da nossa capacidade de gestão?
De quem é a (in)competência de termos chegado até aí e da mudança que se impõe?
São tantas, tantas perguntas! Sem respostas. Ou com respostas "infaláveis"!
Autor: Dr Celso Malovoloneka