Vozes do progresso

Vozes do progresso Espaço de reflexão e ação pelo desenvolvimento social do país.

Apresentamos a verdade nua e crua, com ideias e frases inspiradoras para despertar consciências e promover o progresso coletivo.

Para Sócrates, a justiça consiste em “guardar apenas os bens que nos pertencem e exercer unicamente a função que nos é p...
10/05/2026

Para Sócrates, a justiça consiste em “guardar apenas os bens que nos pertencem e exercer unicamente a função que nos é própria”. Entretanto, pedir isso aos dirigentes angolanos, diante da realidade actual, parece quase um acto de tentativa de corrupção dirigido até aos anjos, numa busca desesperada por garantir um lugar no céu. A distância entre o ideal socrático de justiça e certas práticas de governação torna essa exigência não apenas difícil, mas quase utópica.

O legado do Apartheid continua profundamente presente. Embora o sistema tenha terminado oficialmente em 1994, a estrutur...
09/05/2026

O legado do Apartheid continua profundamente presente. Embora o sistema tenha terminado oficialmente em 1994, a estrutura económica sul-africana ainda apresenta enormes desigualdades raciais. Grande parte da riqueza, das terras e dos sectores estratégicos permaneceu concentrada historicamente nas mãos da minoria branca. Isso gera frustração em muitos sul-africanos negros que sentem que a liberdade política não trouxe justiça económica proporcional.

Há uma ironia dolorosa nisso: durante o apartheid, muitos países africanos apoiaram a luta pela libertação sul-africana, acolhendo exilados e militantes. Décadas depois, alguns cidadãos desses mesmos países tornaram-se vítimas de hostilidade dentro da própria África do Sul.

Uma sociedade bem organizada comporta-se como um único corpo: quando uma das suas partes sente dor ou prazer, todo o cor...
07/05/2026

Uma sociedade bem organizada comporta-se como um único corpo: quando uma das suas partes sente dor ou prazer, todo o corpo partilha o mesmo sentimento. Aplicando essa ideia à realidade angolana, poderíamos afirmar que os cidadãos deveriam sentir-se felizes e realizados com cada política implementada por aqueles que, sendo servidores do povo, são remunerados pelo esforço coletivo da nação.
É necessário mudar a imagem negativa que algumas pessoas, durante séculos, e outras, ao longo de décadas, construíram incansavelmente sobre nós. Afinal, se eu transformar o meu irmão em escravo, é provável que aquele que vier às nossas terras não faça diferente quando tiver oportunidade, talvez até faça pior. Essa imagem acaba por recair sobre todos nós, independentemente da posição social ou do nível que ocupamos, colocando-nos, sem a devida distinção, dentro de um mesmo “apupo”.

Lev Leviev é um empresário e investidor bilionário, nascido em 1956, em Tashkent (antiga União Soviética, atual Uzbequis...
05/09/2025

Lev Leviev é um empresário e investidor bilionário, nascido em 1956, em Tashkent (antiga União Soviética, atual Uzbequistão) e mais tarde radicado em Israel. Ele é conhecido principalmente por ser um dos maiores nomes da indústria de diamantes, tendo sido apelidado de “rei dos diamantes”.

Depois da independência (1975) e principalmente durante a guerra civil angolana (1975–2002), o setor dos diamantes tornou-se uma das maiores fontes de financiamento tanto para o MPLA (governo) quanto para a UNITA (rebeldes).

Para controlar melhor esse recurso estratégico, o governo criou a Endiama (Empresa Nacional de Diamantes de Angola), que detinha o monopólio legal de exploração e comercialização.

Nos anos 1990, Leviev aproximou-se diretamente do governo angolano, especialmente do círculo próximo ao presidente José Eduardo dos Santos.

Enquanto a maior parte do mercado mundial de diamantes estava dominada pela De Beers, Leviev ofereceu a Angola um acordo mais direto e lucrativo:

A De Beers comprava diamantes de Angola através de intermediários, pagando menos.

Leviev propôs comprar diretamente os diamantes brutos da Endiama, garantindo preços mais altos e maior retorno imediato.

Leviev criou empresas conjuntas com a Endiama e, muitas vezes, com empresas privadas controladas por figuras do poder angolano. Exemplo: Ascorp (Angolan Selling Corporation), criada em 2000, era uma parceria entre a Endiama, Lev Leviev e generais/pessoas ligadas ao governo.

Essas empresas recebiam direitos exclusivos de compra de diamantes brutos em Angola. Isso significava que outros compradores internacionais ficavam praticamente excluídos.

Angola aumentou a receita com a venda de diamantes, reduzindo a dependência da De Beers. A riqueza ficou concentrada nas mãos de elites políticas e militares, em vez de beneficiar a população. A presença de Leviev consolidou um sistema de clientelismo e corrupção.

A ação policial representa, em microcosmo, a própria ação do Estado ou do governo. Quem detém poder ou autoridade, mesmo...
05/09/2025

A ação policial representa, em microcosmo, a própria ação do Estado ou do governo. Quem detém poder ou autoridade, mesmo quando prevista pela lei, frequentemente age com o intuito de obter benefícios financeiros.

Exemplos:
Os acordos firmados pelo Estado com empresas internacionais muitas vezes resultam na atribuição ilegal de dividendos a determinadas pessoas ou grupos dentro do país, o que reforça a desigualdade social, a pobreza, a fome e a miséria de um povo que, para muitos, dado os abundantes recursos naturais, poderia viver numa verdadeira “terra prometida”.
Há ainda as chamadas empresas-sombra, que prosperam graças à desorganização do país e à falta de vontade das autoridades em exercer uma fiscalização séria. Assim, enriquecem justamente aqueles que, por dever, deveriam fiscalizar.

A polícia não foge a essa lógica: no dia a dia, perpetua o mesmo sistema através da cobrança das famosas “gasosas”, a moeda de troca mais comum nessa prática.

Essa atitude, ainda que em pequena escala, reflete em formato reduzido, quase como uma versão em miniatura, o sistema estatal que há muito nos asfixia. Não se trata de organizar ou regularizar o país, mas sim de aproveitar as fragilidades institucionais para criar um negócio que beneficia muitos… mas não gente como nós.

As Eleições de 2012Em 2012, o processo eleitoral foi marcado por várias contradições. Um dos factos mais notórios foi a ...
25/08/2025

As Eleições de 2012

Em 2012, o processo eleitoral foi marcado por várias contradições. Um dos factos mais notórios foi a exclusão de cerca de 3,6 milhões de pessoas que ficaram impossibilitadas de votar. Esse número levantou sérias dúvidas sobre a transparência e a abrangência do sistema, uma vez que equivalia a quase tantos votos quanto o total obtido pela força política vencedora.

A percentagem de votos sofreu uma queda significativa: menos 9 pontos em comparação com as eleições de 2008. Ainda assim, o resultado oficial apontou uma vitória esmagadora, com 72% dos votos.

A soma financeira entre os partidos revelou uma enorme desigualdade. A força vencedora gastou cerca de USD 327 milhões na campanha, contra USD 51 milhões do principal oponente e apenas USD 4,5 milhões somados entre os restantes partidos. Esta disparidade de recursos influenciou diretamente a campanha e a visibilidade eleitoral.

Apesar do resultado expressivo, sondagens independentes indicavam que o nível de aprovação real não ultrapassava 16% da população, revelando uma discrepância entre os números oficiais e a perceção popular.

A suposta manipulação desse processo não apenas distorceu a vontade popular, mas também comprometeu o rumo do país nos anos seguintes. As desigualdades sociais agravaram-se, as oportunidades de renovação política foram sufocadas e a confiança dos cidadãos nas instituições eleitorais foi abalada. Até hoje, os efeitos de 2012 ainda se fazem sentir, refletindo-se na fragilidade democrática e no descrédito generalizado em relação à política.

Uma Verdade Nua e Crua que a TPA Não MostrouDois momentos distintos marcaram o final do jogo do Afrobasket entre Angola ...
24/08/2025

Uma Verdade Nua e Crua que a TPA Não Mostrou

Dois momentos distintos marcaram o final do jogo do Afrobasket entre Angola e Mali.

O primeiro foi de pura emoção: Carlos Morais, lenda do basquetebol angolano, foi calorosamente ovacionado pelo público e pelos colegas, num gesto de reconhecimento pela sua trajetória brilhante.

O segundo, porém, revelou uma face dura da realidade: quando o nome do Presidente da República foi anunciado, o público reagiu com vaias, assobios e protestos. Era uma demonstração clara de insatisfação e resignação de um povo que, apesar da alegria trazida pelo desporto, não esquece a fome e as dificuldades que assombram milhares de famílias em Angola.

Esse cenário foi vivido de forma nua e crua por quem esteve no Pavilhão Arena do Kilamba, mas a televisão pública optou por não mostrá-lo aos telespectadores.

A Maldição das RiquezasHavia um continente abençoado por Deus com imensas riquezas: petróleo, diamantes, ouro, gás, cobr...
22/08/2025

A Maldição das Riquezas

Havia um continente abençoado por Deus com imensas riquezas: petróleo, diamantes, ouro, gás, cobre e tantas maravilhas escondidas debaixo da terra. Mas, em vez de prosperidade, essa riqueza virou maldição.

Nos países onde as indústrias extrativas dominavam a economia, algo estranho acontecia: o dinheiro corria apenas para fora. Governos davam licenças a empresas estrangeiras para explorar petróleo e minérios e, em troca, recebiam dólares fáceis. Essa renda não vinha do trabalho do povo, mas da exploração dos recursos naturais. Chamavam de “renda econômica”, mas não produzia boa gestão, apenas um pote de dinheiro nas mãos de quem controlava o Estado.

Com tanto dinheiro fácil, os governantes já não precisavam do povo. Não cobravam impostos porque os cofres estavam cheios. Assim, o contrato entre governados e governantes foi quebrado: o povo perdeu voz, e os líderes passaram a gastar para si mesmos. A saúde e a educação recebiam cada vez menos, enquanto os orçamentos militares cresciam.

Nesse cenário, a corrupção florescia. Surgia a cleptocracia, o governo dos ladrões. Uma vez no poder, os presidentes já não tinham razões para sair. O tesouro nacional mantinha o luxo, o exército o medo e a riqueza o poder.

Assim, a economia dependente dos recursos naturais alimentava o poder de “homens grandes”, líderes que ficavam décadas no governo. Teodoro Obiang Nguema (Guiné Equatorial), José Eduardo dos Santos (Angola), Robert Mugabe (Zimbábue) e Paul Biya (Camarões) governaram juntos mais de 136 anos. Todos em países ricos em petróleo e minérios, mas onde a riqueza nunca se traduziu em bem-estar para o povo.

Essa era a contradição africana: terras cheias de tesouros, mas povos marcados pela pobreza. A maldição não estava no ouro, no petróleo ou no diamante, mas na forma como eram usados. A riqueza, em vez de bênção, tornava-se prisão.

O Ano em que o Povo Sonhou com o PetróleoEra 2011. As ruas de Luanda fervilhavam de vida, os candongueiros corriam apres...
18/08/2025

O Ano em que o Povo Sonhou com o Petróleo

Era 2011. As ruas de Luanda fervilhavam de vida, os candongueiros corriam apressados e, no meio da azáfama, cada rosto carregava uma história de luta. Na televisão, repetia-se a mesma notícia: Angola crescia, Angola era gigante, Angola brilhava no mapa das economias ricas em petróleo.

Os números impressionavam. Só a Sonangol arrecadara mais de 34 mil milhões de dólares, rivalizando com gigantes mundiais como a Amazon ou a Coca-Cola. O petróleo representava quase tudo: 98% das exportações, três quartos das receitas do governo. Para o mundo, éramos um país de abundância.

Mas a abundância, como a miragem no deserto, às vezes se desfazia quando se chegava mais perto. O FMI, ao olhar com lupa as contas nacionais, descobriu que entre 2007 e 2010 haviam desaparecido 32 mil milhões de dólares. Um número quase irreal: maior do que a riqueza anual de 43 países africanos juntos.

Havia explicações técnicas, justificações oficiais, mas o povo não sentia o peso dos milhões no prato de arroz, no hospital ou na carteira do estudante que sonhava com a universidade. Para muitos, restava a pergunta silenciosa: como pode um país tão rico, ainda viver com tantas carências?

Aquela década deixou uma lição: a verdadeira riqueza de uma nação não está apenas nos recursos que brotam da terra, mas sim em como são partilhados, em como chegam ao povo que os sustenta com suor e esperança.

E Angola, resiliente como o imbondeiro que resiste às tempestades, continua a sonhar. Porque a história ainda está a ser escrita, e cada geração tem nas mãos a oportunidade de transformar abundância em dignidade.

Uma História Cruel que Todo Jovem Africano Deve SaberDurante séculos, muitos olharam para África como um continente pobr...
17/08/2025

Uma História Cruel que Todo Jovem Africano Deve Saber

Durante séculos, muitos olharam para África como um continente pobre, um buraco de filantropia, sempre à espera de ajuda internacional. Mas essa ideia é uma mentira bem construída.
Em 2010, só as exportações minerais e de combustíveis de África valeram 333 mil milhões de dólares, mais de sete vezes o valor de toda a ajuda recebida. E isso antes mesmo de contar com o dinheiro que se perdeu através da corrupção e das engenhosas manobras fiscais que tiraram ainda mais riqueza para fora do continente.

Enquanto isso, as potências estrangeiras vivem e prosperam com a abundância africana. O Níger, por exemplo, é um dos principais fornecedores de urânio para a França, país cuja economia de energia nuclear depende diretamente desse recurso. Na prática, a França ilumina as suas cidades graças à energia retirada do deserto africano, enquanto no mesmo Níger mulheres continuam a morrer aos milhares por falta de condições básicas de saúde.

A disparidade é gigantesca: por cada mulher que morre de parto em França, cem morrem no Níger. E enquanto um finlandês ou um sul-coreano pode esperar viver até 80 anos, muitos africanos ainda lutam para chegar à meia-idade. Na República Democrática do Congo, por exemplo, onde se encontram os maiores depósitos de minerais cruciais para a produção de baterias de telemóveis, chegar aos 50 anos já é considerado uma sorte.

Assim, as riquezas que deveriam garantir dignidade ao povo africano transformam-se em fonte de poder e progresso para outros. O contraste é gritante: a África é riquíssima, mas os africanos continuam pobres.

Esta é uma realidade que todo jovem africano deve conhecer: a nossa pobreza não é fruto do destino, mas do roubo sistemático das nossas riquezas.

Endereço

Talatona

Website

Notificações

Seja o primeiro a receber as novidades e deixe-nos enviar-lhe um email quando Vozes do progresso publica notícias e promoções. O seu endereço de email não será utilizado para qualquer outro propósito, e pode cancelar a subscrição a qualquer momento.

Compartilhar