16/10/2025
Luta pan-africanista 🚩
O 15 de outubro de 1987 ficou gravado como uma ferida aberta na história de Burkina Faso. Halouné Traoré, único sobrevivente do massacre na sede do Conselho Nacional Revolucionário, em Uagadugu, onde Thomas Sankara e outros 12 colegas foram fuzilados, relembra aquele dia como “um choque de grandes proporções” nas bases da revolução, iniciada quatro anos antes.
Traoré, antigo companheiro do ex-presidente de Burkina Faso (1983–1987), explica como foi sobreviver ao golpe de 1987, que pôs fim à vida do ícone do pan-africanismo revolucionário, ao lembrar que os detalhes daquele dia.
“Estávamos esperando por ele na sala de reuniões aqui e, assim que ele chegou, a reunião começou, quando ouvimos tiros vindos de fora e alguém gritar em um tom bastante forte: ‘Saia’. Então, após essas ordens, o camarada presidente se levantou, ajeitou suas roupas e saiu daquele jeito, com as mãos para cima. Ele foi baleado à queima-roupa”, relatou.
Sankara foi assassinado em uma conspiração liderada por seu então amigo Blaise Compaoré, que se tornou presidente do país até 2014, com apoio do governo da França, e que negou, durante muito tempo, as suspeitas de ter organizado o massacre.
Somente após a insurreição popular de 2014 e o fim do regime de Compaoré, o país conseguiu finalmente dar início às investigações e o julgamento da morte de seu líder. Os autores do crime foram julgados 34 anos depois da chacina, em outubro de 2021, na capital do país, Uagadugu. Durante o processo, foram ouvidas mais de 110 testemunhas.
Em entrevista feita na época da condenação, que o exibe com exclusividade, há exatos 38 anos do massacre, Traoré relata o clima de ruptura que marcou a morte de Sankara, analisa a relação com Compaoré e reflete sobre o legado político do líder revolucionário para a luta contra o neocolonialismo no Sahel.
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