16/08/2025
🎭 A Adultização que nos Rouba a Infância
É estranho perceber como a infância se perdeu pelo caminho.
O que antes era feito de amarelinhas riscadas no chão, bonecas improvisadas com pano, jogos até o sol se pôr, hoje é substituído por celulares que reproduzem coreografias e letras que não caberiam na inocência de 12 ou 13 anos.
O que antes era tempo de descobrir o mundo devagar, agora virou palco onde a infância é arrancada, empurrada e transformada em espetáculo barato.
Nos bailes, nas boates, nas festas de 15 anos, nas playlists, nas redes sociais, o refrão ecoa sem piedade:
“Novinha tal coisa…”
“Senta, quica, rebola…”
“Ela só tem 15, mas já sabe o que quer…”
“Vai novinha, rebola no colo…”
“A novinha quer o quê? Quer sentar, quer descer…”
“Novinha do Tinder tá pedindo pra jogar…”
“Essa novinha é terrorista, olha o que ela faz no baile…”
“Vai novinha safadinha, só tem 15 mas já sabe rebolar…”
“Novinha, tu tá preparada? Hoje vai ter sentada…”
📌 O problema:
Essas letras criam um imaginário coletivo de que a “novinha” (termo usado para adolescentes, muitas vezes menores de idade) já é “experiente”, “disposta” e deve ser desejada.
Isso naturaliza a exploração e dá um tom de normalidade para a sexualização precoce.
Em outras palavras: músicas que deveriam ser diversão, acabam funcionando como manual de erotização da infância/adolescência.
Não é apenas uma batida contagiante — é a trilha sonora da vulnerabilidade.
É a exposição de uma geração inteira sendo empurrada para pular etapas, para vestir um corpo que ainda não cresceu, para agir como adulto sem ter vivido a infância.
Chamam de liberdade, mas é prisão.
Chamam de empoderamento, mas é exploração.
Chamam de moda, mas é marketing em cima da fragilidade de quem ainda não entendeu o próprio reflexo no espelho.
As letras que deveriam ser apenas diversão, hoje são manual de sedução precoce. E o que deveria ser curiosidade inocente, tornou-se consumo do olhar alheio — muitas vezes, olhar doentio.
O preço?
Uma geração inteira sem infância.
Adolescentes que nunca foram crianças.
Meninas que crescem com a sensação de que precisam ser desejadas antes mesmo de serem compreendidas.
E nós? Batemos palma, reproduzimos os versos, dançamos junto.
Estamos todos de alguma forma coniventes, quando deveríamos ser o escudo.
No fim, f**a a pergunta que dói:
Quem está ganhando com a adultização da infância?
Porque as crianças, com certeza, não são.