14/08/2026
DAIANE ESTÁ CANSADA?
A ANOMALIA NA EDUCAÇÃO DE BARRA FUNDA: quem comandou, quanto recebeu e o que aconteceu com o IDEB?
Se queremos entender a educação de Barra Funda, precisamos parar de olhar apenas para o prefeito.
É preciso olhar para quem comandou a Secretaria de Educação, por quanto tempo, como os profissionais foram valorizados e quais resultados apareceram durante cada período.
E a história do IDEB, começa em 2013.
2013–2016: Alexandre Nicola e Eliane Gerevini
Durante a gestão de Alexandre Elias Nicola, a Secretaria de Educação esteve sob responsabilidade de Eliane Salete Gerevini Boni, conforme os registros históricos levantados.
Em 2013, o IDEB dos anos finais era 4,7.
Em 2015, passou para 5,1.
Ou seja, uma evolução de 0,4 ponto.
Não temos resultado municipal divulgado para os anos iniciais nesses dois ciclos, portanto não vamos inventar números.
Mas existe uma primeira conclusão:
a rede apresentou evolução nos anos finais durante aquele período.
2017–2018: Marcos Piaia e Beloni Dal Mora
Em 2017, começa a gestão de Marcos André Piaia.
E quem assume a Secretaria de Educação é Beloni Terezinha Martins Dal Mora.
Há registro oficial de Beloni assumindo a Secretaria de Educação no início daquele mandato.
E é justamente em 2017 que Barra Funda aparece com um resultado extraordinário:
IDEB dos anos iniciais: 7,0.
Nos anos finais:
IDEB: 5,4.
Mas precisamos ter cuidado.
Não seria correto dizer que Beloni "produziu sozinha" o 7,0.
As crianças avaliadas em 2017 já haviam passado anos dentro da rede municipal, inclusive durante a gestão anterior.
Mas uma coisa é inegável:
Beloni estava à frente da Secretaria quando Barra Funda alcançou esse resultado.
E isso merece ser reconhecido e investigado.
2019–2020: Marcos Piaia e Daiane Michele Finatto
Em 2019 acontece uma mudança importante.
Daiane Michele Finatto assume a Secretaria de Educação.
E ela permanece.
Em 2019, o IDEB dos anos iniciais passa de 7,0 para 6,8.
Nos anos finais:
5,4 → 5,5.
Ou seja, nos anos finais houve pequena evolução, enquanto os anos iniciais começaram a perder desempenho.
E aqui começa uma continuidade administrativa muito importante.
2021–2024: André Signor e Daiane Finatto
André Signor assume a Prefeitura.
Mas Daiane permanece na Secretaria de Educação.
Isso significa que podemos observar uma mudança de prefeito sem uma mudança equivalente no comando da Educação.
Em 2021:
Anos iniciais: 6,7
Anos finais: 5,1
Em 2023:
Anos iniciais: 6,0
Anos finais: 5,8
Portanto:
Anos iniciais
7,0 → 6,8 → 6,7 → 6,0
Uma queda de 1 ponto desde 2017.
Anos finais
4,7 → 5,1 → 5,4 → 5,5 → 5,1 → 5,8
Uma história diferente, com crescimento no longo prazo, mas também oscilações.
E aqui precisamos fazer uma pergunta séria:
Se Daiane está à frente da Secretaria desde 2019, quais políticas foram implementadas para impedir a queda dos anos iniciais?
Não é uma acusação.
É uma pergunta de gestão.
2025–2026: André Signor e novamente Daiane
E chegamos ao presente.
A própria Prefeitura informa que Daiane Michele Finatto atua como secretária de Educação, Cultura, Desporto e Turismo desde 2019. Portanto, ela atravessou a gestão de Marcos Piaia e permanece na gestão André Signor. (barrafunda.rs.gov.br)
São aproximadamente sete anos de continuidade na mesma Secretaria.
Isso pode ser uma enorme vantagem.
Uma secretária que permanece tanto tempo conhece a rede, os professores, os alunos, os problemas e os resultados.
Mas justamente por isso a cobrança precisa ser maior.
Depois de sete anos, precisamos perguntar:
Qual foi o plano?
Quais metas foram alcançadas?
Quais fracassaram?
O que mudou depois da queda do IDEB?
E por que os anos iniciais chegaram a 6,0?
E então aparece a anomalia salarial
Enquanto analisamos o desempenho da rede, encontramos outra questão.
Em 2024, o Município contratava Monitor Escolar, com Ensino Médio, por:
R$ 1.665,04 para até 30 horas.
No mesmo período, o Assistente Administrativo, também com Ensino Médio, aparecia com:
R$ 3.099,79 para até 40 horas.
A diferença era de R$ 1.434,75 por mês. (barrafunda.rs.gov.br)
Em 2026:
Monitor Escolar: R$ 1.774,27.
Assistente Administrativo: R$ 3.303,14.
A diferença chegou a R$ 1.528,87.
O Assistente Administrativo recebe, portanto, aproximadamente 86% a mais que o Monitor Escolar em vencimento básico.
E existe outro detalhe:
O Monitor trabalha diretamente dentro da escola, acompanhando os alunos e participando da rotina educacional.
Não estamos dizendo que os dois cargos deveriam receber a mesma coisa.
Mas precisamos perguntar:
Qual é a justificativa para uma diferença tão grande entre duas funções que exigem Ensino Médio?
E o mais importante: o monitor não é cargo de confiança
Também precisamos corrigir uma informação que poderia gerar confusão.
Os documentos encontrados mostram que os Monitores Escolares são contratados por processo seletivo simplificado, em contratos temporários.
Não são simplesmente cargos de confiança.
Isso torna a pergunta ainda mais importante:
Por que uma função permanente dentro da rotina escolar continua sendo exercida por contratação temporária?
Quantos monitores existem?
Quantos são efetivos?
Quantos são temporários?
Há quanto tempo alguns trabalham dessa maneira?
Quantos processos seletivos já foram realizados?
Por que não existe uma carreira efetiva para essa função, se a necessidade é permanente?
E quanto ganham os profissionais que sustentam essa educação?
É aqui que a investigação precisa avançar.
Queremos comparar, ano por ano:
2013
Alexandre Nicola
Secretária: Eliane Gerevini
2015
Alexandre Nicola
Secretária: Eliane Gerevini
2017
Marcos Piaia
Secretária: Beloni Dal Mora
2019
Marcos Piaia
Secretária: Daiane Finatto
2021
André Signor
Secretária: Daiane Finatto
2023
André Signor
Secretária: Daiane Finatto
2025–2026
André Signor
Secretária: Daiane Finatto
E, em cada período, precisamos colocar ao lado:
IDEB
salário dos professores
salário dos monitores
salário dos assistentes
reajustes
inflação
número de profissionais
concursos
processos seletivos
contratos temporários
investimento por aluno
aprovação
Português
Matemática
Só então poderemos dizer qual gestão realmente conseguiu melhorar a educação.
Não é sobre estar cansada. É sobre saber se a política está cansada.
Não temos como afirmar que Daiane esteja cansada.
Mas podemos fazer uma pergunta política legítima:
Depois de aproximadamente sete anos à frente da Secretaria, a política educacional de Barra Funda ainda está produzindo avanços ou precisa de renovação?
Porque continuidade pode ser virtude.
Mas continuidade sem resultado pode virar acomodação.
E os números precisam responder.
7,0 nos anos iniciais em 2017.
6,8 em 2019.
6,7 em 2021.
6,0 em 2023.
Enquanto isso, a mesma secretária permanece no comando desde 2019.
Isso não prova que Daiane seja responsável pela queda.
Mas torna impossível discutir seriamente o futuro da educação sem perguntar o que a Secretaria fez diante dessa queda.
E existe outra pergunta:
Por que quem trabalha diretamente com nossas crianças, como o Monitor Escolar, recebe R$ 1.774,27, enquanto outro cargo de Ensino Médio chega a R$ 3.303,14?
Não quero professor contra monitor.
Não quero monitor contra assistente.
Não quero servidor contra servidor.
Quero entender a política.
Porque educação não é apenas o professor.
É professor, monitor, assistente, direção, coordenação, merenda, transporte, limpeza, família e comunidade.
Se queremos melhorar o IDEB, precisamos valorizar toda a rede que constrói esse resultado.
E depois de tantos anos, a pergunta para a Secretaria de Educação é simples:
Qual é o plano para Barra Funda voltar aos 7,0 e, desta vez, conseguir permanecer lá?
Porque o verdadeiro desafio não é apenas chegar ao topo.
É conseguir ficar lá. Ou seria importante ter uma professora, alguém da educação, do chão de escola no lugar de quem não tem formação em educação?