01/08/2026
BAURU, OS PARAQUEDISTAS E OS CABOS ELEITORAIS DE LUXO
Sem representação própria, a cidade entrega votos, perde força política e vê vereadores e lideranças locais servirem a projetos de poder de candidatos de outras regiões do estado.
Por Fernando Redondo / Jornalismo Independente
Durante anos, nas manhãs da 96 FM, João Jabur e Reinaldo Caffeo criticaram os candidatos que transformavam Bauru em simples depósito de votos para políticos de fora. Criticavam os chamados "paraquedistas", que aparecem em época de eleição, recolhem votos e desaparecem.
Agora, o próprio João Jabur surge como pré-candidato a deputado estadual alinhado a grupos políticos que apoiam candidaturas federais sem raízes na cidade. O crítico do modelo passa a integrar o mesmo jogo que antes condenava.
Coincidência ou conveniência?
O fato é que Bauru segue repetindo um roteiro conhecido. Com mais de 282 mil eleitores, a cidade possui força suficiente para construir representação própria. Mas os votos continuam pulverizados entre dezenas de candidaturas locais sem viabilidade e nomes de fora que utilizam a cidade apenas como base eleitoral.
O resultado está aí: Bauru perdeu espaço político, perdeu influência e perdeu representatividade.
Enquanto outras cidades da região conseguem consolidar lideranças e ampliar sua presença nos parlamentos, Bauru segue dividida, assistindo seus votos fortalecerem projetos políticos externos.
A pergunta para 2026 é simples:
Vamos continuar servindo de plataforma eleitoral para interesses de fora ou finalmente discutir um projeto que coloque a cidade e a região em primeiro lugar?
Porque uma coisa é certa: quando Bauru perde representação, alguém ganha. E quase nunca é a população.