27/12/2025
A norte-americana Lizzie Velasquez convive com uma síndrome extremamente rara — que até hoje não recebeu um diagnóstico definitivo — responsável por impedir seu corpo de armazenar qualquer quantidade de gordura.
Aos 21 anos, Lizzie nunca ultrapassou os 30 quilos e possui 0% de gordura corporal. Apesar da aparência frágil e de apresentar um sistema imunológico mais sensível do que o normal, em razão do baixo peso, ela é considerada saudável e leva uma rotina praticamente comum.
De acordo com informações divulgadas em seu próprio site, existem apenas três pessoas no mundo com essa mesma condição. Uma delas tem cerca de 30 anos, vive na Inglaterra com o marido, e a outra é uma adolescente de 13 anos que, assim como Lizzie, mora em Austin, no Texas.
“Passei a vida inteira consultando diferentes médicos e, simplesmente, não há respostas”, relata Lizzie, que também perdeu a visão de um dos olhos e possui dificuldades visuais no outro.
Ela explica que se alimenta o dia todo, com total liberdade, mas mesmo assim não consegue ganhar peso. “Essa síndrome é muito curiosa, porque reúne características de várias doenças diferentes, mas não se encaixa completamente em nenhuma delas, o que impede um diagnóstico exato.”
Entre essas características, Lizzie cita semelhanças físicas com a progeria, uma condição conhecida como síndrome do envelhecimento precoce. “Tenho traços parecidos com os de crianças que têm progeria, como nariz fino e alongado, boca pequena e pele com aspecto envelhecido”, afirma.
Ela ressalta, no entanto, que a progeria é uma doença terminal e envolve complicações muito mais graves. “No meu caso, apenas algumas características físicas coincidem.”
Segundo uma reportagem do jornal britânico Daily Telegraph, Lizzie precisa se alimentar a cada 15 minutos e consome diariamente entre 5 mil e 8 mil calorias para conseguir manter o peso. “Quando subo na balança e vejo que ganhei 500 gramas, comemoro”, conta. Entre seus alimentos preferidos estão donuts, pizza e batatas fritas.
Desde o nascimento
Lizzie nasceu quatro semanas antes do previsto, pesando cerca de um quilo, e precisou permanecer por seis semanas na UTI neonatal apenas para conseguir manter a temperatura corporal.
Seus pais, Rita e Guadeloupe Velasquez, eram obrigados a comprar roupas de boneca, já que as roupas de recém-nascido eram grandes demais. “Ela cabia na palma da minha mão”, relembra a mãe. “A pele era tão fina e translúcida que dava para ver as veias.”
Na época, os médicos acreditavam que a menina não conseguiria andar, engatinhar, falar ou sequer desenvolver o pensamento, e chegaram a aconselhar o casal a não ter outros filhos.
Com o tempo, porém, seus órgãos passaram a se desenvolver, e Lizzie foi criada como qualquer outra criança. “Eu só precisava de um pouco mais de cuidado no parquinho, nada além disso”, recorda. Ela tem dois irmãos mais novos, nenhum deles com a mesma condição.
Ao longo da vida, Lizzie passou por algumas cirurgias e aprendeu a lidar com olhares curiosos e, muitas vezes, preconceituosos. “Já me chamaram de ‘vovozinha pele e osso’”, conta. Segundo ela, não se incomoda tanto quando os comentários vêm de crianças, mas se sente mais afetada quando partem de adultos.
Atualmente, Lizzie cursa comunicação na Texas State University e pretende seguir carreira como palestrante motivacional. Ela também planeja lançar seu primeiro livro em setembro.
Em suas palestras, voltadas principalmente para jovens estudantes, ela aborda temas como bullying, aparência física e a importância de acreditar nos próprios sonhos. “Se eu consegui chegar até aqui sendo como sou, qualquer pessoa consegue”, afirma.
Lizzie diz que sua principal fonte de força vem da família, dos amigos e da fé religiosa. Hoje, ela afirma que não mudaria sua aparência, mesmo que tivesse essa opção, pois acredita que recebeu de Deus a missão de inspirar outras pessoas.
“Sinto que tudo o que conquistei foi justamente por ser quem eu sou.”