22/09/2026
EU ME ESCOLHI
Quer saber o que mudou em mim?
Eu parei de pedir licença.
Parei de explicar
por que eu sou assim,
por que eu me visto assim,
por que eu gosto disso
ou daquilo.
Porque sempre aparece alguém...
sempre.
Alguém querendo dizer
o que combina comigo,
o que eu deveria vestir,
como eu deveria agir,
até onde eu deveria ir.
Mas quer saber?
EU NÃO PRECISO DA SUA PERMISSÃO.
Já deixei falarem.
Deixei julgarem.
Deixei inventarem
uma versão minha
que só existe
na cabeça de quem olha.
Antes,
um olhar atravessado
conseguia estragar meu dia.
Uma palavra preconceituosa
entrava fundo.
Um comentário sobre meu corpo
me fazia querer desaparecer.
Hoje?
Hoje eu olho no espelho
e não procuro defeitos.
Procuro a mulher
que aprendeu a se enxergar.
E isso...
isso mudou tudo.
Porque eu posso ser atrevida.
Posso ser abusada.
Posso gostar de decote.
De saia justa.
De maquiagem.
Ou de cara limpa.
Posso me arrumar
pra mim.
Posso me sentir bonita
sem precisar que ninguém confirme.
E se alguém não gostar?
PROBLEMA DE QUEM OLHA.
Eu finalmente entendi
que meu corpo não é opinião pública.
Não é convite para julgamento.
Não é espaço para comentário.
É meu.
E quando comecei
a tratá-lo com respeito,
alguma coisa aqui dentro
começou a florescer.
Comecei a cuidar mais.
A me olhar com carinho.
A parar de comparar.
A parar de esconder.
E descobri uma coisa
que ninguém conseguiu
me ensinar melhor
do que eu mesma:
amor-próprio
não é achar que você é perfeita.
É não se abandonar
quando percebe suas imperfeições.
É olhar pra própria história
e dizer:
“EU AINDA GOSTO DE MIM.”
É vestir aquilo que quiser.
É andar de cabeça erguida.
É sorrir sem pedir desculpa.
É ser sensual
sem dever explicação.
É ser mulher
sem precisar caber
na expectativa de ninguém.
E hoje,
quando alguém tenta me diminuir,
eu nem discuto.
Eu sorrio.
Porque demorei demais
pra construir essa mulher
pra deixar qualquer opinião
derrubá-la.
Agora eu sei:
não foi a maquiagem
que mudou meu rosto.
Não foi o decote
que mudou meu corpo.
Não foi a roupa
que mudou meu jeito.
FOI O AMOR-PRÓPRIO.
Ele entrou silencioso...
e transbordou.
E foi assim
que eu parei de perguntar
se era bonita.
Passei a saber.
EU ME ESCOLHI.
E isso...
ninguém tira de mim.
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Poesia de Gilson Rodrigues