16/09/2026
A história de Cleia Rosa dos Santos Bueno ficou conhecida em Mato Grosso como o caso da “Viúva Negra” por uma sequência de dois assassinatos que aconteceram com pouco mais de um ano de diferença.
O primeiro homem morto foi Jandirlei Alves Bueno, de 39 anos, marido de Cleia.
O segundo foi Adriano Gino, de 29 anos, justamente o homem com quem ela mantinha um relacionamento e que, de acordo com a investigação, havia participado da morte de Jandirlei.
Tudo começou com uma crise no casamento.
Cleia e Jandirlei viviam juntos em Sinop, no Mato Grosso, mas a relação estava desgastada. Enquanto ainda era casada, Cleia mantinha um relacionamento extraconjugal com Adriano.
Ela queria f**ar com o amante.
E, em outubro de 2016, o marido acabou se tornando o primeiro alvo.
Cleia facilitou a entrada de Adriano na residência do casal. A intenção era fazer com que a morte de Jandirlei parecesse um assalto que havia dado errado.
Adriano e outro homem atacaram Jandirlei com uma faca.
O homem sofreu duas facadas no abdômen e foi levado para o hospital. Ele não morreu naquele momento. Jandirlei permaneceu internado e acabou morrendo cerca de dois meses depois, em consequência dos ferimentos.
Enquanto isso, Cleia tentava sustentar a versão de que havia sido vítima de um assalto dentro da própria casa.
Ela chegou a simular estar em estado de choque e não conseguiu fornecer aos investigadores detalhes básicos sobre os supostos criminosos.
Não informou características físicas, roupas ou outras informações que pudessem ajudar a identif**ar os autores.
A história, porém, começou a desmoronar.
A investigação apontou que o suposto assalto havia sido uma encenação para esconder um crime planejado. Cleia queria se livrar do marido para poder viver com Adriano.
E foi exatamente isso que aconteceu.
Depois da morte de Jandirlei, Cleia e Adriano passaram a morar juntos. Só que o relacionamento que deveria representar o começo de uma nova vida começou a se transformar em outro problema.
Depois de alguns meses, Adriano teria mudado de comportamento e passado a ameaçar Cleia caso ela tentasse terminar a relação.
O homem que havia ajudado Cleia a se livrar do marido agora sabia demais. E, de acordo com a acusação, ela decidiu fazer com Adriano exatamente o que havia feito com Jandirlei.
Só que dessa vez o plano seria ainda mais cruel.
Em dezembro de 2017, Cleia teria dopado Adriano enquanto ele dormia. Depois, chamou Adriano dos Santos e José Graciliano dos Santos para executar o amante.
Adriano Gino estava desacordado quando os homens o atacaram.
Ele foi morto com golpes de enxada na cabeça. Depois do assassinato, o corpo foi retirado do local e enterrado.
A intenção não era ap***s eliminar Adriano. Era também impedir que ele pudesse revelar o que sabia sobre a morte de Jandirlei.
Para convencer os executores a cometerem o crime, Cleia teria prometido um carro como pagamento. O veículo chegou a ser apreendido pela polícia na casa dela, mas o pagamento não teria sido entregue.
O desaparecimento de Adriano chamou a atenção dos investigadores. E os próprios homens envolvidos na execução acabaram revelando o que havia acontecido.
Eles confessaram o assassinato e indicaram aos policiais o local onde haviam enterrado Adriano.
Foi assim que a polícia encontrou os restos mortais do homem que, pouco mais de um ano antes, havia sido amante de Cleia e participado da morte do marido dela.
Cleia foi presa em março de 2018.
No início da investigação, ela confessou os crimes, enquanto os homens envolvidos na execução de Adriano também admitiram participação.
O caso chegou ao Tribunal do Júri de Sinop.
Depois de três dias de julgamento, entre 28 e 30 de julho de 2021, os jurados condenaram Cleia pelas mortes de Jandirlei e Adriano e também pela ocultação do cadáver da segunda vítima.
A pena foi de 44 anos e 9 meses de prisão, em regime inicialmente fechado.
Os dois homens condenados pela execução de Adriano também receberam p***s de prisão: Adriano dos Santos foi condenado a 13 anos e 6 meses, enquanto José Graciliano dos Santos recebeu 16 anos, 7 meses e 15 dias.
Assim, a mulher conhecida como “Viúva Negra” continua condenada por dois homicídios.
Primeiro, o marido.
Depois, o amante.