Revista Raça

Revista Raça Com uma linguagem direta e acessível a REVISTA RAÇA eleva a autoestima do negro Brasileiro.

06/06/2026

Há seis anos, o Brasil assistia a um crime que continua a ecoar como símbolo da desigualdade e da ausência de justiça.

Em Recife, Mirtes Renata saiu para trabalhar e passear com o cachorro da patroa. Seu filho, Miguel, de apenas seis anos, ficou sob os cuidados da dona da casa. Abandonado por quem tinha a responsabilidade de protegê-lo, o menino procurou pela mãe e caiu do nono andar de um edifício de luxo.

Era o auge da pandemia. Enquanto escrevia os capítulos finais de Amor de Mãe, interrompida pela Covid-19, uma dor maior tomava conta de mim. Como dramaturga, como mãe e como brasileira, eu não conseguia pensar em outra coisa além de Miguel e de Mirtes.

Foi dessa indignação que nasceu o Falas Negras. Mais do que um programa, ele se tornou um espaço de memória e resistência. Não posso dizer que escrevi aquelas palavras, porque elas pertencem à História. O texto reuniu vozes negras que jamais se calaram: de Rainha Nzinga Mbande a Lélia Gonzalez, de Martin Luther King a Mirtes Renata.

Com direção de Lázaro Ramos, o projeto também abriu espaço para mais de 40 profissionais negros, entre atores, editores, figurinistas e cenógrafos. E foi impossível não se emocionar com a interpretação magistral de Tatiana Tiburcio ao dar voz a Mirtes e a tantas outras histórias.

Seis anos depois, Miguel não pode ser esquecido.

Porque lembrar é também um ato de resistência.

Porque é preciso seguir indignados.

A COP30 encerrou em Belém, em novembro de 2025, com o mundo olhando para o Brasil como protagonista da agenda climática....
05/06/2026

A COP30 encerrou em Belém, em novembro de 2025, com o mundo olhando para o Brasil como protagonista da agenda climática. O país que abriga a maior floresta tropical do planeta e acumula vantagens únicas em energia renovável e biodiversidade saiu do evento com compromissos globais firmados e uma reputação construída com muito esforço. Seis meses depois, a Comissão de Valores Mobiliários, a CVM, órgão que regula o mercado de capitais brasileiro, publicou uma normativa que vai na direção contrária. A Resolução 244 desobrigou as empresas listadas na Bolsa de Valores de apresentar relatórios padronizados sobre seus riscos climáticos e práticas de sustentabilidade. Para quem acompanha o tema, foi como cravar um freio no meio de uma estrada que o Brasil mesmo ajudou a pavimentar.

Em 2023, o Brasil tornou-se o primeiro país do mundo a incorporar ao seu conjunto de leis e normas os padrões internacionais de reporte financeiro de sustentabilidade do ISSB, sigla em inglês para Conselho de Normas Internacionais de Sustentabilidade. Pela Resolução 193, as empresas abertas teriam até 2026 para divulgar, de forma obrigatória e padronizada, informações sobre como fatores climáticos e ambientais afetam seus negócios, cobrindo desde a exposição a secas e enchentes até práticas trabalhistas e emissões de carbono em toda a cadeia produtiva. A lógica era objetiva: se uma empresa quer acesso a capital, precisa mostrar de onde vêm seus riscos. Em dezembro de 2025, a Abrasca, entidade que representa as companhias abertas, pediu formalmente a revogação da norma alegando excesso de exigências simultâneas. A área técnica da própria CVM rejeitou o pedido, argumentando que o cronograma era conhecido desde 2023. Mesmo assim, o Colegiado decidiu contra o parecer de sua própria equipe e aprovou a Resolução 244, convertendo a obrigatoriedade em voluntariedade.

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Enquanto os indicadores econômicos apontam recuperação do mercado de trabalho brasileiro, uma parcela da população conti...
05/06/2026

Enquanto os indicadores econômicos apontam recuperação do mercado de trabalho brasileiro, uma parcela da população continua enfrentando barreiras muito maiores para conseguir uma vaga. Um estudo recente revelou que a taxa de desemprego entre mulheres negras jovens alcança 24,7%, evidenciando como raça, gênero e idade seguem determinando oportunidades no Brasil.

O percentual significa que praticamente uma em cada ოთხo jovens mulheres negras que desejam trabalhar não consegue encontrar ocupação. O número é muito superior às taxas observadas entre homens brancos e também acima da média nacional de desemprego. A desigualdade revela que a melhora econômica não chega da mesma forma para todos os grupos sociais.

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05/06/2026

Tim ♥️

O Brasil foi construído sobre os alicerces do trabalho doméstico. Essa instituição atravessa nosso passado e segue prese...
04/06/2026

O Brasil foi construído sobre os alicerces do trabalho doméstico. Essa instituição atravessa nosso passado e segue presente, ainda que tentemos escondê-la, modificá-la ou atualizá-la. Em muitos lares, ela continua sendo espaço de humilhação, menosprezo e conflitos psicológicos que passam de geração em geração, ligando o serviço escravocrata a uma nova escravidão moderna.

O afeto dito familiar vira máscara o , “você é quase da família” apaga direitos, borra jornadas e cobra lealdade em troca de um quarto nos fundos.

Infelizmente temos poucas produções que encaram esse tema de frente. Que Horas Ela Volta?, de 2015, dirigido por Anna Muylaert, abriu caminho ao colocar essa diferença no centro da trama, ou melhor: “ no centro do drama” , porém o protagonismo negro na atuação e direção não se apresenta, Nem na figura de Regina Casé ou da diretora Muylaert ou seja o lugar da cor e da fala é negligenciado e novamente a cena se repete que é eles falando por nós

CRIADAS, longa que mistura drama psicológico, realismo fantástico e horror subjetivo, supre essa lacuna e faz isso ao construir a casa não como cenário, mas como arquivo vivo das violências, silêncios e afetos que atravessam gerações.

O filme acompanha o reencontro das primas Sandra, interpretada por Mawusi Tulani, e Mariana, vivida por Ana Flavia Cavalcanti. Criadas juntas no mesmo espaço, ocuparam lugares radicalmente diferentes. Sandra, negra retinta, volta em busca de fotografias da mãe, Ivone, antiga empregada residente. Mariana, negra de pele clara, agora vive ali. À medida que se reaproximam, fantasmas da infância, da ancestralidade e feridas

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Portugal virou rota de saída. O mesmo país que há cinco anos estampava campanhas de “venha viver o sonho europeu” hoje e...
04/06/2026

Portugal virou rota de saída. O mesmo país que há cinco anos estampava campanhas de “venha viver o sonho europeu” hoje empurra brasileiros porta afora.

Os números não mentem: só no último ano cresceu em 38% o volume de retornos assistidos pelo consulado em Lisboa, e as comunidades em grupos de WhatsApp já não trocam dica de SEF. Trocam passagem. O motivo cabe em três palavras que viraram rotina: racismo, xenofobia e bolsonarismo à portuguesa.

O que antes era caso isolado de senhor que mandava “voltar pra tua terra” agora tem palanque e ministério.

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redes sociais têm se consolidado como um espaço relevante para a construção de narrativas e ampliação da representativid...
04/06/2026

redes sociais têm se consolidado como um espaço relevante para a construção de narrativas e ampliação da representatividade. Criadores negros, como Zabela, utilizam o humor para abordar situações do cotidiano, estabelecendo conexão com o público e promovendo discussões sobre raça, identidade e sociedade.

Ao transformar experiências pessoais em conteúdo acessível e compartilhável, esses influenciadores contribuem para aproximar temas complexos de diferentes públicos, especialmente entre os mais jovens. A linguagem direta, muitas vezes marcada por ironia e identificação, favorece o engajamento e amplia o alcance dessas reflexões.

Com forte presença em plataformas digitais, esses criadores influenciadores constroem comunidades engajadas ao explorar vivências reais e traduzir comportamentos sociais em formatos que dialogam com a dinâmica da internet. Esse processo faz com que o conteúdo ultrapasse o entretenimento e passe a ocupar também um papel formativo.

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Mais de 15 anos após sua partida, Michael Jackson continua fazendo história. A cinebiografia "Michael" tornou-se o maior...
03/06/2026

Mais de 15 anos após sua partida, Michael Jackson continua fazendo história. A cinebiografia "Michael" tornou-se o maior lançamento da história da Universal Pictures no Brasil, levando milhões de pessoas aos cinemas e reafirmando a força de um legado que atravessa gerações.

Muito além dos recordes de bilheteria, o sucesso do filme mostra como a obra de Michael Jackson segue influenciando a música, a dança, o entretenimento e a cultura global. Um artista que rompeu barreiras raciais, redefiniu a indústria musical e se tornou uma das figuras mais importantes da história da cultura popular.

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Os números do Sebrae são inequívocos: os empreendedores negros já somam 15,8 milhões de pessoas no Brasil, representando...
03/06/2026

Os números do Sebrae são inequívocos: os empreendedores negros já somam 15,8 milhões de pessoas no Brasil, representando 52,3% do total de donos de negócio do país. São a maioria. Constroem mais empresas, em ritmo mais acelerado que os brancos. Em dez anos, o número de empreendedores negros saltou de 13,1 milhões para mais de 16 milhões, crescimento de 22,1%. É um dado que deveria redesenhar a forma como o mercado financeiro enxerga esse grupo. Não redesenhou.

A contradição está no acesso à capital. Apenas 26% dos empreendedores negros conseguem crédito em condições adequadas, com taxa de recusa chegando a 44% entre pretos. Enquanto isso, 60,1% desses empreendedores operam na informalidade, contra 38,8% entre brancos. O sistema lê a informalidade como risco. Não pergunta por que ela existe.

A resposta está na história, não no comportamento do empreendedor. A informalidade negra não é descuido, é consequência direta de décadas de exclusão do mercado formal de trabalho, de ausência de patrimônio herdado como garantia, e de redes de negócio que raramente circulam nos mesmos ambientes que os comitês de crédito dos grandes bancos. O empreendedor negro não começa do zero. Começa do negativo.

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Uma mulher de 37 anos foi presa em Santa Catarina após confessar que viveu por cerca de 14 meses sob a identidade de uma...
03/06/2026

Uma mulher de 37 anos foi presa em Santa Catarina após confessar que viveu por cerca de 14 meses sob a identidade de uma adolescente de 12 anos, sendo acolhida por uma família que acreditava estar ajudando uma criança em situação de vulnerabilidade.

O caso vai além da esfera policial e levanta reflexões sobre saúde mental, pertencimento, carência afetiva e os impactos emocionais causados quando relações de confiança são construídas a partir de informações falsas.

Uma história que mistura crime, afeto, acolhimento e muitas perguntas ainda sem resposta.

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