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Recolhendo fragmentos da identidade brasileira.

TRIO SURDINA: O próprio nome já anunciava a proposta.Surdina é o dispositivo utilizado, especialmente em instrumentos de...
05/09/2026

TRIO SURDINA: O próprio nome já anunciava a proposta.

Surdina é o dispositivo utilizado, especialmente em instrumentos de metal, para abafar ou suavizar o som. Por extensão, a palavra também evoca algo discreto, contido, feito em voz baixa.

E foi justamente essa atmosfera que marcou um dos grupos mais singulares da história da nossa música: o Trio Surdina.

Formado por Garoto, ao violão; Fafá Lemos, ao violino; e Chiquinho do Acordeon, o trio surgiu a partir do programa "Música em Surdina", da Rádio Nacional, e apresentou ao público uma sonoridade bem diferente daquela que predominava nos grandes programas radiofônicos da época.

Em vez do excesso, a contenção. Em vez da grandiloquência, a intimidade. Em vez de simplesmente reproduzir as canções, os três músicos as reconstruíam.

Boleros, baiões, sambas-canção, fox-trotes, choros e outros gêneros populares eram tratados com uma extraordinária economia de elementos, com arranjos delicados, novas combinações instrumentais e grande atenção às nuances do som.

Não se trata de minimalismo no sentido estrito da corrente musical que surgiria posteriormente na música erudita. O termo, aqui, descreve uma estética de redução, sutileza, economia e intimidade que já aparecia na música popular brasileira antes de o minimalismo ser reconhecido como linguagem.

E há outro ponto: essa experiência aconteceu antes da Bossa Nova. O Trio Surdina é uma referência de modernidade que ajudaria a preparar o terreno para a estética que a Bossa Nova desenvolveria posteriormente. Ou seja, a história da modernização da música popular brasileira não começou onde costumamos imaginar. É a Bossa Nova antes da Bossa Nova.

O discreto Trio Surdina é uma das peças mais importantes e esquecidas dessa história.

Hoje à noite, o canal do SenhorDaVoz no YouTube apresentará um vídeo curto com uma curiosidade musical do grupo que poucos conhecem. Acompanhe!

E você? Já conhecia o som do Trio Surdina? Comente.

AS PALAVRAS TAMBÉM PODEM DISTORCER A REALIDADE.Quando lemos uma notícia, costumamos prestar atenção aos fatos apresentad...
03/09/2026

AS PALAVRAS TAMBÉM PODEM DISTORCER A REALIDADE.

Quando lemos uma notícia, costumamos prestar atenção aos fatos apresentados. Mas existe uma camada anterior, e muitas vezes silenciosa, que merece igual atenção: a escolha das palavras que dão forma a esses fatos.

Termos diferentes podem produzir percepções diferentes sobre o mesmo acontecimento.

Não se trata de afirmar que toda escolha vocabular seja necessariamente manipuladora. O jornalismo trabalha com gêneros, contextos, critérios editoriais e diferentes formas de enquadramento. O problema surge quando a linguagem deixa de apenas informar e passa a conduzir a interpretação do leitor, reforçando determinada narrativa, deslegitimando atores ou ampliando artificialmente o impacto de um fato.

Por isso, ler criticamente também significa observar como algo é dito, e não apenas o que é dito.

Um leitor atento não precisa desconfiar de tudo. Precisa apenas não entregar às palavras o poder de pensar por ele.

Você costuma perceber esse tipo de escolha na imprensa?

28/08/2026

Gafieira: o samba de uma época

O samba de gafieira se formou no Rio de Janeiro a partir dos anos 1930, nos salões populares onde o samba, o choro e outras tradições da música brasileira encontraram novas formas de tocar e dançar. A partir dos anos 1940, as orquestras ganharam espaço, com piano, baixo, bateria e, principalmente, saxofones, trompetes e trombones. A influência das jazz bands e das big bands ajudou a criar a sonoridade marcante da gafieira, com os metais dialogando com a síncope do samba.

Os anos 1950 foram seu grande apogeu. Segundo o Globo, o Rio chegou a ter mais de 300 gafieiras, transformando esses salões em importantes espaços de música, dança e convivência: https://oglobo.globo.com/rio/estudantina-casa-tradicional-na-praca-tiradentes-restringe-horario-dos-bailes-de-gafieira-15506726?utm_source=chatgpt.com

Com o passar das décadas, porém, a gafieira perdeu espaço e muitos de seus tradicionais salões desapareceram. Ela não morreu: continua viva, mas hoje de maneira muito mais tímida, preservada por músicos, dançarinos, professores e algumas casas que mantêm essa tradição. É o que restou de uma época em que o Rio de Janeiro dançava ao som do samba.

Em 18 de agosto de 2026, o STF voltou a discutir a exigência de diploma de Jornalismo, derrubada pela própria Corte em 2...
26/08/2026

Em 18 de agosto de 2026, o STF voltou a discutir a exigência de diploma de Jornalismo, derrubada pela própria Corte em 2009.

A exigência de diploma foi estabelecida em 1969, durante o regime militar. Em 1988, uma nova Constituição ampliou as garantias de liberdade de expressão e de imprensa. Em 2009, o STF entendeu que exigir diploma para exercer o jornalismo era incompatível com essas liberdades. Em 2012, o Senado aprovou uma PEC para restabelecer a exigência. Agora, em 2026, o debate retorna ao Supremo.

Essa sequência histórica levanta uma pergunta: uma questão que envolve diretamente a liberdade de imprensa pode mudar de direção conforme mudam o momento político e o ambiente institucional do país? Ou seja, é uma conveniência política?

Não está estabelecida uma relação de causa e efeito. Mas a coincidência temporal é suficientemente relevante para suscitar uma pergunta incômoda: estamos diante de uma evolução jurídica independente do momento político ou de uma mudança de entendimento influenciada pelas circunstâncias atuais?

A história do jornalismo brasileiro ainda acrescenta uma pergunta muito incômoda: Arnaldo Jabor, Assis Chateaubriand, Barbosa Lima Sobrinho, Otto Lara Resende, Vladimir Herzog, Boris Casoy, Lima Barreto, Paulo Francis, Alberto Dines, Millôr Fernandes, Nelson Rodrigues, Olavo de Carvalho, Ricardo Boechat e Roberto Marinho construíram suas trajetórias no Jornalismo sem diploma específico de Jornalismo. Alguns tinham formação superior em outras áreas. Outros não concluíram os estudos formais. Alguns desenvolveram grande parte de sua formação de maneira autodidata.

Isso não torna a formação superior em Jornalismo inútil. Mas formação e autorização são coisas diferentes.

O diploma pode formar um jornalista. Mas deve o papel autorizar alguém a ser jornalista?

Essa é a discussão.

🚭 Houve um tempo em que fumar dentro de restaurantes, escritórios, aviões e até hospitais era considerado normal.Parece ...
24/08/2026

🚭 Houve um tempo em que fumar dentro de restaurantes, escritórios, aviões e até hospitais era considerado normal.

Parece difícil acreditar hoje, mas essa era a realidade do Brasil até poucas décadas atrás.

Quando surgiram as primeiras restrições ao cigarro em ambientes fechados, muita gente enxergou a medida como um ataque à liberdade individual. O debate foi intenso e dividiu opiniões.

Com o passar dos anos, porém, a sociedade mudou. O que antes parecia polêmico tornou-se um consenso em favor da saúde pública.

A Lei Antifumo Nacional (Lei Federal nº 12.546/2011) consolidou essa transformação ao proibir o consumo de ci****os, charutos, ca*****os e produtos similares em recintos coletivos fechados, públicos ou privados, em todo o Brasil.

Mais do que uma norma jurídica, ela mostra como as leis também podem influenciar hábitos, costumes e a própria cultura de um país.

💬 Você se lembra de quando era permitido fumar em ambientes fechados? Como foi viver essa mudança?

👇 Conte sua experiência nos comentários!

Em “Acrilírico” (1969), Rogério Duprat inseriu um flato na gravação. O próprio músico associava o gesto à gozação, à iro...
21/08/2026

Em “Acrilírico” (1969), Rogério Duprat inseriu um flato na gravação. O próprio músico associava o gesto à gozação, à ironia e à experimentação — uma atitude coerente com a ruptura promovida pelas vanguardas musicais que o influenciaram.

Um dos principais nomes ligados à criação da Tropicália, Duprat era admirador de John Cage e defendia a incorporação de ruídos, sons do cotidiano e outros elementos à linguagem musical.

Mas uma pergunta permanece:

quando o choque se torna o principal recurso para provocar o público, estamos diante de uma ousadia artística ou de uma provocação superficial?

Há quem veja nesse gesto uma ampliação dos limites da música. Há quem enxergue apenas um recurso fácil de impacto.

É justamente essa discussão que proponho nesta SEXTA MUSICAL.

Vanguarda ou retaguarda?

As palavras na imprensa nunca são neutras.Reestruturação ou demissão? Adequação de custos ou corte de salários?A escolha...
21/08/2026

As palavras na imprensa nunca são neutras.

Reestruturação ou demissão? Adequação de custos ou corte de salários?

A escolha de uma palavra pode parecer apenas uma questão de estilo. Mas, no jornalismo, ela também pode influenciar a maneira como um fato é percebido pelo público.

Na edição de hoje da , proponho uma reflexão sobre os eufemismos na imprensa: quando a linguagem é usada para “suavizar” um fato, estamos diante de uma escolha legítima de linguagem ou de uma forma de direcionar a narrativa?

Saber ler uma notícia também significa prestar atenção às palavras escolhidas — e àquilo que elas podem esconder.

👉 Passe o carrossel e veja como os eufemismos podem moldar a sua leitura diária.

E quero enriquecer esse trabalho com a sua experiência:

Qual termo você vê com frequência na mídia e que lhe causa um incômodo real?

Conte nos comentários.

Em 2024, um levantamento conduzido pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Comunicação Pública da Ciência e T...
21/08/2026

Em 2024, um levantamento conduzido pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia (INCT-CPCT) revelou que, embora 67% dos jovens no Brasil considerem a ciência um tema de grande relevância, a grande maioria (87%) não consegue recordar o nome de sequer uma instituição nacional de pesquisa.

Além disso, os participantes indicaram que o seu principal canal de contato com conteúdos científicos são as plataformas digitais e redes sociais, com destaque para o YouTube e o buscador do Google.

No intuito de preencher essa lacuna, montamos a série Instituições que Fazem Ciência no Brasil.

Nesta edição: A Embrapa.

Por trás da força do agronegócio brasileiro existe um trabalho contínuo de pesquisa, desenvolvimento e inovação — e a Embrapa é uma das instituições centrais dessa história.

São mais de 40 unidades espalhadas pelo país, com atuação descentralizada e pesquisa adaptada às diferentes regiões e biomas.

Essa estrutura envolve tecnologia, biotecnologia, inteligência estratégica, inovação agrícola e cooperação internacional para aumentar a produtividade e, ao mesmo tempo, enfrentar os desafios de sustentabilidade e segurança alimentar.

A história do agronegócio brasileiro, portanto, não é apenas uma história de terra.

É também uma história de ciência brasileira.

Você conhecia a dimensão desse trabalho?

Durante muitas décadas, essa tradição fez parte da cultura brasileira.Ela aparece na literatura, em obras como Angústia,...
17/08/2026

Durante muitas décadas, essa tradição fez parte da cultura brasileira.

Ela aparece na literatura, em obras como Angústia, de Graciliano Ramos, Noite de São João, de Monteiro Lobato, e no poema Na Rua do Sabão, de Manuel Bandeira.

Na música, tornou-se um verdadeiro símbolo das festas de São João. Compositores como Luiz Gonzaga, Ary Barroso, Noel Rosa, Assis Valente, João de Barro, Wilson Batista e muitos outros escreveram canções que mencionam os balões.

Mas a preocupação com os perigos também não é recente.

Em 1952, duas músicas já faziam esse alerta:

🎵 "Meu Santo Antônio, meu São João não pedem a ninguém para soltar balão..."

🎵 "O delegado tá dizendo que tem multa e tem prisão."

Com o passar do tempo, essa preocupação chegou ao legislativo.

Hoje, o artigo 42 da Lei Federal nº 9.605/1998 tipifica como crime fabricar, vender, transportar ou soltar balões capazes de provocar incêndios.

Além dos incêndios, eles também podem colocar aeronaves em risco e provocar danos à rede elétrica.

As tradições ajudam a contar a nossa história. Mas também evoluem quando a proteção da vida e da coletividade passa a exigir novos caminhos.

👉 Você já conhecia essa história?

Sexta musical é dia de mergulhar na história da nossa cultura! 🎵✨Você sabia que um dos registros mais importantes da nos...
14/08/2026

Sexta musical é dia de mergulhar na história da nossa cultura! 🎵✨

Você sabia que um dos registros mais importantes da nossa música nasceu a bordo de um navio em 1940? Coordenado pelo maestro britânico Leopold Stokowski, o projeto resultou no icônico álbum Native Brazilian Music, lançado nos Estados Unidos em 1942 pela Columbia Records.

Deslize para o lado para conferir os detalhes dessa história fascinante e me conta nos comentários: você já conhecia esse episódio da nossa música? 👇

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