Fala Serra

Fala Serra Informações para nos contatar, mapa e direções, formulário para nos contatar, horário de funcionamento, serviços, classificações, fotos, vídeos e anúncios de Fala Serra, Site de notícias, Canela.

Marcelo Savi no governo Gilberto Cezar: quando a política acerta — e os caciques se irritamSim, Canela ainda pode surpre...
19/01/2026

Marcelo Savi no governo Gilberto Cezar: quando a política acerta — e os caciques se irritam

Sim, Canela ainda pode surpreender. E não, os donos dos partidos não vão gostar disso.

Num momento de lucidez política, o governo Gilberto Cezar acertou em cheio ao convidar Marcelo Savi para comandar o Departamento Municipal de Esporte e Lazer (DMEL). E esse acerto, como era de se esperar, incomodou exatamente quem acredita que política municipal deve funcionar como jogo de War: conquista por território e poder, não por competência.

Mas desta vez o script foi rompido. E o que era para ser uma boa notícia virou motivo de chilique nos bastidores do MDB. Afinal, o que se faz quando um jovem promissor decide abandonar o culto ao cacique para entrar num governo que, gostem ou não, vem entregando?

A cidade é maior que os donos do campinho

Chega a ser constrangedor precisar lembrar, mas vamos lá: Canela não é propriedade de partido nenhum. Muito menos dos seus mandachuvas. Quando uma cidade de 45 mil habitantes precisa decidir entre alimentar egos partidários ou trazer gente com capacidade de execução para dentro do governo, a escolha deveria ser óbvia. Desta vez, foi.

Marcelo Savi representa exatamente isso: um sopro de racionalidade em meio à miopia política. Saiu de um partido onde talento vira ameaça e foi para onde trabalho ainda vale alguma coisa. Seu ingresso no DMEL é uma chance real de oxigenar o setor esportivo, criar políticas públicas permanentes e, quem sabe, tirar Canela do ciclo vicioso das críticas sem ação.

O MDB, esse Titanic com cacique no leme

Não dá para ignorar que o maior perdedor dessa movimentação é o MDB. Mas também, sejamos francos, o partido já vinha tropeçando em sua própria hierarquia faz tempo. O exemplo de Savi escancara um padrão: ou a liderança se submete ao líder supremo local ou é convidada a procurar outro abrigo. Que fique o lembrete para quem ainda acredita em renovação partidária num barco onde só o comandante tem bússola — e ela aponta sempre para o próprio umbigo.

Trabalhar em paz não é luxo, é sobrevivência

Quem conhece os bastidores da política local sabe: ter um alvo nas costas virou rotina para quem ousa sair da fila ou discordar do tom do maestro. E por mais que o discurso público pregue “pluralidade”, o que vale mesmo é manter a tropa obediente. Ao sair desse ciclo, Savi escolheu algo que tem se tornado revolucionário: paz. Sim, paz. Aquela coisa que permite, por exemplo, organizar campeonatos, fomentar escolinhas, articular projetos e gerar resultado.

E, convenhamos, num governo que vive cercado de críticas muitas vezes feitas por esporte — no mau sentido —, trazer alguém que entende de esporte — no bom sentido — foi uma jogada de craque.

Canela precisa de entregas, não de intrigas

Savi chega ao governo com bom trânsito, disposição para o trabalho e, principalmente, isenção das picuinhas que travam a cidade há décadas. Gilberto Cezar, ao abrir espaço para isso, mostra que Canela está (pelo menos nesse episódio) acima da lógica dos “donos do pedaço”. E isso, no contexto político atual, já é digno de manchete.

Sandro Chagas
Advogado e Jornalista

Cinco não é maioria de dez”: a farsa do erro e o recibo da incompetência que ninguém quis passar!A política tem seus abs...
14/11/2025

Cinco não é maioria de dez”: a farsa do erro e o recibo da incompetência que ninguém quis passar!

A política tem seus absurdos, mas alguns são tão descarados que se tornam didáticos — quase um tutorial de como não conduzir uma denúncia parlamentar. A recente liminar que suspendeu a Comissão Processante contra o vereador Alberi Galvani Dias (MDB) é um desses casos onde o Judiciário precisou dar um “puxão de orelha institucional” por um erro que não foi exatamente de quórum… foi de programação — ou melhor, de má vontade em ler o manual.

Na sessão de 29 de outubro, havia 10 vereadores presentes. O regimento é claro: para receber uma denúncia, é necessária maioria simples dos presentes. A conta é tão simples quanto um cafezinho: maioria de 10 é 6, e não 5. Mesmo assim, a presidência da Câmara fingiu que 5 votos favoráveis bastavam, ignorando o básico da matemática legislativa — ou fingindo que a conta era “outra”.

A juíza Simone Ribeiro Chalela apenas confirmou o óbvio que até uma calculadora de bolso gritaria: não houve votos suficientes. A consequência? Paralisação imediata da Comissão e um baita vexame institucional.

Mas vamos deixar uma coisa clara: o que houve não foi um erro de quórum. O quórum estava lá. O que faltou foi o número mínimo de votos para validar a denúncia — um detalhe tão fundamental quanto um “sim” em casamento. Ignorar isso não é um tropeço técnico; é tentativa de forçar a marcha do processo no tranco da conveniência política. Chamar isso de “erro” é passar pano. Foi um erro programado para não parecer incompetência.

E mais: ao suspender os trabalhos com base em um vício evidente e infantil, o Judiciário ainda precisou alertar para o “perigo de dano à imagem e reputação” do vereador. Ironia fina: enquanto ele responde por “conduta vexatória”, quem acabou pagando o mico institucional foi a própria Câmara — expondo não apenas sua falta de atenção, mas talvez algo mais grave: falta de isenção.

O recado da liminar é claro: respeitem as regras do jogo. E mais ainda: se não sabem jogar, ao menos não tentem trapacear no placar.

Cinco votos, dez vereadores, uma conta malandra: quando a Câmara erra de propósito e o Judiciário corrige com régua e compasso.

A vergonha não foi o voto — foi a tentativa de fazer parecer que a matemática estava errada.

Por Sandro Chagas – Jornalista (DRT/RS 15.843) e Advogado (OAB/RS 105.040)

Pagou, passou. Calou, ficou! Será?O pedágio como nova taxa de silêncio na Serra Gaúcha — e o governo como sócio oculto d...
31/10/2025

Pagou, passou. Calou, ficou! Será?

O pedágio como nova taxa de silêncio na Serra Gaúcha — e o governo como sócio oculto do atraso.

Se dependesse do Secretário de Comunicação do RS, Caio Tomazeli, a população deveria bater palmas enquanto é depenada no guichê do pedágio. Ele diz que fala como “gramadense”. Pois bem, então respondamos também como cidadãos: estamos cansados de ser feitos de idiotas com discurso de “desenvolvimento”.

Tomazeli veste a fantasia do bom mocinho nostálgico que viu a estrada de chão virar asfalto, e agora quer nos convencer de que o futuro só virá com cancelas eletrônicas e tarifas engordadas. O que ele não diz — e talvez nem possa dizer — é que esse modelo de concessão virou sinônimo de privatização disfarçada de progresso. Uma concessão que entrega rodovias à iniciativa privada para que esta nos venda de volta o direito de ir e vir. Com reajuste anual, claro.

O argumento da vez? “As estradas serão melhores, mais seguras, duplicadas”. Que lindo. Será que o mesmo governo que não tem capacidade de fazer manutenção básica agora virou uma espécie de mecenas da infraestrutura só porque vai terceirizar o problema e socializar a conta? O nome disso não é solução. É covardia política com contrato assinado em cartório.

E o deboche vem embrulhado em papel celofane: “o valor será proporcional ao custo-benefício”. O que signif**a isso, exatamente? Que pagar R$ 50 para rodar 80 km com meia dúzia de lombadas pintadas é justo porque “vai ter manutenção”? Que tipo de alquimia financeira transforma um serviço básico em luxo viário?

A cereja do cinismo está no teatrinho da “participação popular”: uma audiência pública em Gramado, marcada em algum momento de novembro, quando a decisão já está na prancheta e o cronograma, no bolso do investidor. Vão ouvir a população do mesmo jeito que motorista escuta o Waze: só quando convém.

Pior: o secretário admite que “o pagamento será inevitável”. Essa frase, dita com a serenidade de quem não pega fila no SUS nem rala na BR-116, é a síntese do projeto de país onde o cidadão vira cliente e o Estado vira balconista de pedágio.

Enquanto isso, a Serra — já gentrif**ada, elitizada e plastif**ada — se afasta cada vez mais da ideia de turismo acessível. Querem transformar uma região inteira em parque temático para rico: com bilhete na entrada, estacionamento abusivo, e agora, rodovias com precif**ação dinâmica da humilhação.

A lógica é clara: quem não puder pagar, que vá pela “rota alternativa”. Que, como sabemos, é sinônimo de estrada sem iluminação, buraco de estimação e risco de ser assaltado pelo descaso. O recado está dado: ou você paga pelo conforto ou encara a tragédia geográf**a do improviso. É a volta da segregação, agora pavimentada.

Querem transformar as rodovias da Serra em cancelas da exclusão. E ainda nos pedem que aplaudamos.

Sandro Chagas . ' .
Advogado e Jornalista

Fonte: https://caiquemarquez.com.br/noticia/politica/gramado-nao-pode-f**ar-para-tras-diz-caio-tomazeli-ao-defender-pedagios-nas-rodovias-da-regiao

Gramado regula a arte: fantasia de chocolate pode, “Homem-Aranha” não!A Lei 4.425/2025 impõe rodízio de artistas de rua,...
03/08/2025

Gramado regula a arte: fantasia de chocolate pode, “Homem-Aranha” não!

A Lei 4.425/2025 impõe rodízio de artistas de rua, agride a Constituição e transforma a cultura em vitrine seletiva. O pior? Muita gente acha normal.

Prefeitura decide que arte precisa de silêncio, alvará e estética padronizada. E a sociedade, entre selfies e fondue, aplaude de canto de boca.

Na terra do chocolate caro e do fondue gourmet, a liberdade de expressão agora vem com validade de 60 dias. A Prefeitura de Gramado sancionou a Lei nº 4.425/2025, que limita a presença de artistas de rua a três por vez na icônica Rua Coberta. E não basta ser artista. É preciso estar calado, bem alinhado e, de preferência, combinar com o letreiro das lojas.

A justif**ativa oficial é “organização”.
Mas a prática escancara outra verdade: Gramado criou uma curadoria municipal da cultura de rua.

O que pode e o que não pode?
• Homem-Aranha tirando selfie com criança? Proibido. Brega. Muito popular.
• Vandinha dançando? Inadequada. Não harmoniza com a decoração alpina.
• Bandinha tocando marchinha? Barulhenta. Constrangedora para o brunch.
• Mascote de chocolate da empresa X? Permitido. Cultural. Instagramável.

A arte que incomoda, questiona ou destoa foi silenciada.
A que vende, combina e sorri sob contrato, essa ganhou espaço — e extensão de tomada.

⚖️ A Constituição? Sumiu na neblina.

A Lei 4.425 é flagrantemente inconstitucional. Eis os artigos ignorados:

Art. 5º, IX:

“É livre a expressão da atividade artística, independentemente de censura ou licença.”
A lei exige licença. Limita. E censura.

Art. 215:

“O Estado garantirá o exercício dos direitos culturais e valorizará as manifestações populares.”
A lei exclui manifestações espontâneas, populares e acessíveis.

Art. 216:

“O patrimônio cultural inclui as criações populares e os modos de criar e viver.”
Gramado agora decide que só o patrimônio “com patrocínio” tem valor.

A arte foi domesticada. E a sociedade gostou?

Aqui vai o golpe mais duro: a lei é autoritária. Mas o mais trágico é que muitos acham isso necessário.

A pergunta é: desde quando o Estado pode decidir o que é arte e quem merece ocupar o espaço público?

Será que nos acostumamos tanto à estética do shopping que passamos a exigir controle até sobre a alegria da calçada?

Será que, entre um selfie com luzes de Natal e um fondue de R$ 130, esquecemos que arte de rua é patrimônio e não ruído?

Gramado quer espetáculo, mas sem artista

A cidade quer o encanto cenográfico, mas rejeita o encantamento popular.
Quer o marketing da cultura, mas não sua diversidade real.
Quer o Natal Luz, mas não quer a performance da moça que toca violino sem figurino oficial.

Quando a arte precisa pedir licença, ela já deixou de ser livre.
Quando só entra quem tem fantasia licenciada, já não estamos mais numa cidade — estamos numa franquia com decoração urbana.

📢 Perguntas incômodas que você precisa ouvir:
• Por que mascote com logotipo pode, e artista independente não?
• Por que achamos mais seguro um coelho gigante de pelúcia do que um palhaço com nariz vermelho?
• E se amanhã o prefeito resolver proibir poesia de rua? Você vai defender? Ou vai achar “exagerada demais”?

Por Sandro Chagas – Jornalista (DRT/RS 15.843) e Advogado (OAB/RS 105.040)

Fim da escala 6x1: uma utopia que ignora a realidade brasileiraEnquanto o Brasil luta com cargas tributárias exorbitante...
13/11/2024

Fim da escala 6x1: uma utopia que ignora a realidade brasileira

Enquanto o Brasil luta com cargas tributárias exorbitantes e empresas operando no limite, surge o projeto de fim da escala 6x1. Mas, ao contrário do que parece, essa proposta não é uma solução milagrosa para a qualidade de vida dos trabalhadores – é uma fantasia que pode prejudicar justamente aqueles que mais precisam do trabalho formal e dos benefícios que ele traz.

Diferente da Europa, onde salários e condições de trabalho já são mais elevados, no Brasil, muitos trabalhadores enfrentam uma realidade onde o básico já é uma luta. Com o peso dos impostos nas costas, as empresas estão fazendo o possível para manter as portas abertas, o que f**a ainda mais difícil com projetos que não levam em conta a realidade econômica do país.

Se aprovado, esse projeto pode empurrar muitos trabalhadores para uma nova realidade onde o salário-base será a única garantia. Benefícios? Bonif**ações? Horas extras? Pode esquecer. A tendência é que a informalidade exploda, dificultando ainda mais o acesso aos direitos trabalhistas, ainda mais com a nossa CLT que engessa muito às relações de trabalho.

E sejamos claros: essa proposta pode até servir para uma elite com salários públicos garantidos, mas para o trabalhador médio, para aquele que vive com a carteira assinada, é uma armadilha. Não somos contra o descanso – ele é fundamental! Mas o Brasil, antes de adotar modelos europeus, precisa urgentemente de uma redução no custo de vida e nas cargas que pesam tanto para quem contrata quanto para quem é contratado.

A ideia parece bonita no papel, mas não tem base na realidade brasileira. É uma utopia que, na prática, não vai melhorar a vida dos trabalhadores – e pode até piorar.

Sandro Chagas . ‘ .
Advogado e Jornalista

Entulhos no Bairro Prinstrop: Crime Ambiental ou Descaso Político?Gramado, cidade reconhecida por suas paisagens idílica...
01/10/2024

Entulhos no Bairro Prinstrop: Crime Ambiental ou Descaso Político?

Gramado, cidade reconhecida por suas paisagens idílicas e pelo turismo de alto padrão, está enfrentando uma situação que contrasta com essa imagem de organização e limpeza. Toneladas de entulhos estão sendo depositadas, temporariamente, em pleno coração do Bairro Prinstrop, uma área residencial tradicional, próxima a escolas e, incrivelmente, a poucos metros do icônico pórtico de entrada da cidade. O problema não é apenas a aparência ou o incômodo causado aos moradores – há riscos claros à saúde pública, à segurança ambiental e questionamentos profundos sobre a gestão dos recursos públicos.

Onde estão os ambientalistas de Gramado? Em uma cidade que atrai milhares de turistas em busca de tranquilidade e contato com a natureza, é difícil entender como a pauta ambiental pode estar tão ausente das discussões locais. Existe uma consciência ambiental ativa em Gramado, ou a proteção ambiental ficou em segundo plano diante dos interesses comerciais e políticos que governam a cidade? A disposição de toneladas de entulhos no Bairro Prinstrop é um sinal de que algo está fora de lugar.

Saúde pública em perigo A proximidade dos entulhos com escolas e residências traz um risco real para a saúde dos moradores. Sabe-se que o acúmulo de entulho pode gerar proliferação de vetores de doenças, como roedores e insetos, além de liberar poeira e outros resíduos nocivos para o ambiente e a saúde respiratória da população local. De acordo com a Lei de Crimes Ambientais (Lei n.º 9.605/1998), o descarte inadequado de resíduos pode ser considerado crime ambiental, principalmente quando afeta direta ou indiretamente a saúde pública.

Se Gramado leva a sério sua imagem de cidade modelo, por que permitir que essas toneladas de entulho sejam depositadas em um bairro residencial? A resposta das autoridades até agora é evasiva, alegando que o depósito é temporário, mas será que o problema será resolvido antes de causar danos irreversíveis?

O princípio da economicidade é respeitado? O princípio constitucional da economicidade estabelece que a administração pública deve sempre buscar a eficiência na utilização dos recursos, minimizando desperdícios e custos desnecessários. No entanto, parece que essa regra básica foi ignorada no caso dos entulhos no Bairro Prinstrop. O transporte de resíduos para uma área residencial, para depois retirá-los, é uma medida que desafia a lógica e o bom senso. Quem se beneficia com essa operação? A quem interessa essa manobra, que consome recursos públicos de forma tão questionável?

A lentidão da administração municipal É curioso observar a lentidão com que certos temas avançam na cidade de Gramado. Projetos de infraestrutura turística, sempre ligados ao lucro imediato, parecem ter prioridade. Mas quando o tema é saúde pública, meio ambiente ou a qualidade de vida dos cidadãos, as respostas são arrastadas. A retirada desses entulhos, por exemplo, está sendo prometida, mas até quando os moradores terão que conviver com essa situação? Quanto tempo mais a saúde pública e o meio ambiente local serão postos em segundo plano?

Benefícios para poucos, prejuízos para muitos A lógica de depositar entulho em um local para, posteriormente, removê-lo é questionável. Quem está lucrando com esse processo? O contrato para a remoção dos entulhos foi transparente e competitivo, ou foi firmado com empresas que já têm vínculos políticos com a administração? A população precisa de respostas e deve exigir que a economicidade, eficiência e transparência sejam levadas a sério em todas as ações que envolvem o dinheiro público.

Um chamado à população Os moradores de Gramado, e especialmente do Bairro Prinstrop, precisam se mobilizar. Não é aceitável que a saúde pública, a segurança ambiental e a qualidade de vida sejam colocadas em risco para atender interesses que não estão claramente explicados. A comunidade tem o direito de viver em um ambiente limpo e seguro, e deve cobrar das autoridades uma postura mais responsável e proativa.

Se Gramado quer continuar sendo referência nacional e internacional, precisa começar a tratar seus moradores com o respeito e a prioridade que merecem. Não basta proteger as ruas centrais e os pontos turísticos – a cidade como um todo, incluindo seus bairros, deve ser preservada. Afinal, proteger o meio ambiente e a saúde pública não é apenas um dever do governo, mas uma responsabilidade de todos nós.

Sandro Chagas . ' .
Advogado e jornalista

Dia do Idoso: Reflexões Sobre os Direitos e Desafios Enfrentados pela Terceira IdadeO Dia Internacional do Idoso, celebr...
01/10/2024

Dia do Idoso: Reflexões Sobre os Direitos e Desafios Enfrentados pela Terceira Idade

O Dia Internacional do Idoso, celebrado em 1º de outubro, é uma oportunidade importante para refletirmos sobre o papel dos idosos na sociedade e sobre os desafios que eles enfrentam. À medida que a população mundial envelhece, com expectativas de vida cada vez maiores, questões relacionadas ao envelhecimento saudável e à garantia dos direitos dos idosos tornam-se centrais para o desenvolvimento de políticas públicas ef**azes. No Brasil, o Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003) é o principal marco legal que assegura direitos fundamentais, mas a realidade enfrentada pela terceira idade ainda exige atenção.

Direitos Garantidos pelo Estatuto do Idoso

O Estatuto do Idoso, promulgado em 2003, é um grande avanço na proteção e promoção dos direitos da população idosa no Brasil. Entre os direitos previstos, destacam-se:

1. Direito à saúde: O Estado tem o dever de garantir acesso prioritário e integral à saúde, com atenção especial à prevenção de doenças e ao tratamento de condições crônicas.
2. Prioridade no atendimento: Os idosos têm prioridade em atendimentos médicos, em filas de serviços públicos e privados, como bancos e repartições.
3. Gratuidade no transporte público: Idosos com 65 anos ou mais têm direito ao transporte público gratuito em todo o território nacional. Em alguns estados e municípios, esse direito é estendido a partir dos 60 anos.
4. Proteção contra violência e abandono: A lei garante proteção contra negligência, discriminação, violência e abandono. Denúncias podem ser feitas através do Disque 100, um canal exclusivo para relatar abusos e maus-tratos contra idosos.
5. Direitos trabalhistas e previdenciários: O estatuto prevê a garantia de direitos trabalhistas, como a preservação da aposentadoria e de benefícios sociais, além de proteção contra demissões arbitrárias.

Desafios e Dificuldades Enfrentados pelos Idosos

Apesar das conquistas legais, os idosos no Brasil ainda enfrentam muitos desafios em seu dia a dia. Entre as dificuldades mais comuns, podemos destacar:

1. Acesso à saúde: Embora o direito à saúde esteja garantido, a realidade do Sistema Único de Saúde (SUS) apresenta barreiras signif**ativas para a população idosa. Longas filas de espera para exames, consultas e procedimentos são uma realidade, e muitos idosos acabam recorrendo a tratamentos particulares, o que nem sempre é viável economicamente.

2. Violência e maus-tratos: Infelizmente, muitos idosos são vítimas de violência, seja física, psicológica, ou até mesmo financeira, por parte de familiares ou cuidadores. Segundo o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, os casos de violência contra idosos cresceram nos últimos anos, com muitas ocorrências de abandono e abusos patrimoniais.

3. Precariedade econômica: A aposentadoria, embora seja um direito garantido, nem sempre é suficiente para cobrir as despesas com saúde, medicamentos e necessidades básicas. Muitos idosos ainda precisam trabalhar ou depender financeiramente de seus familiares. Além disso, o Brasil ainda enfrenta o desafio de garantir que todos os idosos tenham acesso ao benefício da aposentadoria, especialmente aqueles que trabalharam na informalidade.

4. Solidão e isolamento social: A solidão é um dos maiores desafios enfrentados pela terceira idade. Com o passar dos anos, muitos idosos perdem seus cônjuges, amigos e familiares próximos, e acabam vivendo sozinhos. O isolamento pode levar a quadros de depressão e agravar problemas de saúde, especialmente em momentos como a pandemia de COVID-19, que aumentou o distanciamento físico.

5. Discriminação e preconceito (ageísmo): O preconceito contra idosos, conhecido como ageísmo, é uma forma de discriminação que, infelizmente, ainda é muito presente na sociedade. Muitas vezes, os idosos são vistos como incapazes, frágeis ou improdutivos, o que gera exclusão social e profissional. Esse preconceito pode também se manifestar em atendimentos médicos, onde suas queixas de saúde são subestimadas ou tratadas de forma inadequada.

A Importância da Valorização e do Cuidado com os Idosos

O envelhecimento é um processo natural e inevitável, mas, muitas vezes, a sociedade não está preparada para lidar com ele de forma adequada. É fundamental que os idosos sejam valorizados e respeitados, não apenas por suas contribuições passadas, mas também pelo papel que continuam a desempenhar na sociedade.

O envelhecimento ativo, com estímulo à participação social, à educação continuada e à convivência, é essencial para a qualidade de vida na terceira idade.

Além disso, é crucial fortalecer as políticas públicas voltadas para o bem-estar dos idosos. O investimento em programas de saúde preventiva, a criação de espaços públicos acessíveis e seguros, e o combate à violência contra idosos são medidas urgentes.

A sociedade como um todo deve ser sensibilizada para a importância de respeitar os direitos dessa população.

O Dia Internacional do Idoso nos lembra da necessidade de repensar nossas atitudes em relação ao envelhecimento e aos direitos daqueles que tanto contribuíram para nossa sociedade. Embora o Estatuto do Idoso tenha trazido grandes avanços, ainda há um longo caminho a percorrer para garantir que todos os direitos previstos sejam plenamente efetivados. A valorização e o respeito aos idosos são deveres de todos, e a construção de uma sociedade inclusiva e atenta às necessidades dessa população deve ser uma prioridade contínua.

Que possamos, hoje e sempre, agir em defesa dos nossos idosos, garantindo-lhes dignidade, cuidado e respeito.

Sandro Chagas
Advogado e jornalista

Fontes:

• Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003)
• Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos

Endereço

Canela, RS

Notificações

Seja o primeiro recebendo as novidades e nos deixe lhe enviar um e-mail quando Fala Serra posta notícias e promoções. Seu endereço de e-mail não será usado com qualquer outro objetivo, e pode cancelar a inscrição em qualquer momento.

Compartilhar