19/09/2026
ABIN ELEVA PARA NÍVEL CRÍTICO RISCO DE INTERFERÊNCIA DOS EUA NAS ELEIÇÕES DE 2026 E ALERTA GOVERNO E TSE
A Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) elevou para nível de criticidade o risco de influência e interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026. A avaliação consta de relatório reservado sobre ameaças ao processo eleitoral, encaminhado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça.
A informação foi divulgada neste sábado (19/09) pela coluna da Folha de S.Paulo. Segundo o documento, a ABIN identifica uma escalada de pressão americana sobre o Brasil, com intensificação seletiva e reconfiguração da pressão já existente, sem ruptura de um padrão estrutural de influência. O texto não apresenta comprovação de fraude ou adulteração de urnas ou da apuração.
De acordo com o relatório, o cenário envolve instrumentos políticos e econômicos. A agência cita sanções relacionadas ao combate ao crime organizado que podem afetar bancos, empresas e operações internacionais, além de declarações de autoridades americanas que responsabilizam pessoalmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelas tarifas comerciais, com potencial impacto no debate político interno.
O alerta ocorre no contexto das negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Em outubro de 2025, durante a discussão sobre o tarifaço de 50% imposto a produtos brasileiros, Washington apresentou uma minuta que condicionava o alívio tarifário à garantia de participação de chamados dissidentes políticos nas eleições de 2026. A proposta não citava nominalmente o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas foi interpretada como referência a ele. O governo brasileiro rejeitou integralmente o documento, por orientação do chanceler Mauro Vieira, com aval do presidente Lula.
O governo dos EUA já afirmou em comunicados anteriores que respeita o povo brasileiro e os candidatos escolhidos em eleições livres e justas.
Para o processo eleitoral, o TSE mantém o calendário de preparação. No dia 4 de setembro, o tribunal realizou a assinatura digital e lacração dos sistemas eleitorais, etapa que cria a referência para verificação dos programas usados nas urnas. O tribunal também mantém ativo o Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral para denúncias sobre informações falsas.
O relatório da ABIN é classificado como reservado e a análise segue em acompanhamento pelos órgãos competentes. O caso ainda está em desenvolvimento.
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