02/04/2026
Tem uma discussão rolando sobre os motoboys, e muita gente falando como se fosse novidade que agora vão exigir curso.
Mas isso não é novo. Desde 2009 existe uma lei federal que regulamenta a profissão, com exigências como idade mínima, tempo de habilitação, curso e regras de segurança.
E é importante dizer: motoboy é uma profissão. E como qualquer outra, envolve responsabilidade, mas também deveria envolver garantia.
Fala-se muito que é uma profissão de risco, e de fato é. Mas, em Ilha Comprida, que na maior parte do ano tem pouco movimento, esse risco não está só na atividade em si.
Ele está no trânsito.
É comum ver carros com farol queimado, pneu desgastado, sem manutenção, com barulho excessivo ou até soltando fumaça. E quem está mais exposto a isso é quem trabalha na rua todos os dias, seja de moto ou de bicicleta — algo que tem crescido bastante.
E tem um ponto importante dentro da nossa realidade: em Ilha Comprida, a manutenção de moto costuma ser muito mais acessível. Tanto para tirar habilitação quanto para manter o veículo, o custo é mais baixo. Já o carro exige muito mais financeiramente, e a gente sabe que nem todo mundo consegue acompanhar isso.
Na prática, o que se vê são muitos veículos rodando sem a manutenção ideal, às vezes até sem documentação — o famoso “carro só pra rodar”. E isso, querendo ou não, também representa risco no trânsito.
É um tema que merece uma conversa própria, inclusive.
Ao mesmo tempo, existe outra realidade que quase não entra na discussão.
Muitos motoboys não têm registro em carteira. Trabalham por demanda: tem dia que ganha mais, tem dia que ganha menos. E quando acontece um acidente, muitas vezes não há garantia, não há proteção, não há segurança nenhuma.
E isso não é só com motoboy. Em muitas atividades na cidade, essa é a regra.
Por isso, a discussão não pode f**ar só no curso ou na exigência.
Precisa olhar para a realidade completa: quem está na rua, em quais condições, e com quais garantias.
Senão, a gente debate uma parte… e ignora o resto.