10/09/2026
No velório da minha mãe, a amante grávida do meu marido apareceu usando o casaco que eu havia deixado em casa. Pedi que ela fosse embora, mas minha sogra ficou na frente dela e disse diante dos meus parentes: “Não faça escândalo. Ela carrega o filho do seu marido”. Olhei para ele esperando uma única palavra. Ele baixou os olhos. Enterrei minha mãe naquela tarde e, naquela mesma noite, entreguei ao advogado três pastas que guardei durante onze anos. Na manhã seguinte, minha sogra foi a primeira a bater desesperadamente na minha porta...
Minha mãe ainda estava no caixão quando vi uma mulher grávida entrar no velório usando o meu casaco.
Eu reconheceria aquele sobretudo bege em qualquer lugar. Tinha ficado no armário da minha casa enquanto eu passava os últimos dias no hospital, segurando a mão da minha mãe.
Então vi quem estava ao lado daquela mulher.
Meu marido.
— Mateus, quem é ela?
Ele não respondeu.
— E por que ela está usando o meu casaco?
Antes que ele abrisse a boca, minha sogra se colocou na frente da desconhecida, como se precisasse protegê-la de mim.
— Helena, controle-se. Não faça escândalo no velório da sua mãe.
— A senhora sabe quem ela é?
Dona Marta respirou fundo.
— Ela carrega o filho do seu marido.
Por alguns segundos, esqueci até como respirar.
Olhei para Mateus.
— É verdade? Olha para mim e responde. Esse filho é seu?
Ele baixou os olhos.
— Sim.
Naquele instante, entendi que não estava apenas descobrindo uma traição. Eu era a última pessoa da família a saber.
Enterrei minha mãe naquela tarde.
Na mesma noite, sentei diante do advogado da minha família e coloquei três pastas sobre a mesa.
Uma azul.
Uma preta.
Uma vermelha.
Ele abriu a primeira, leu algumas páginas e levantou os olhos.
— Helena... Mateus sabe que você guardou isso?
— Não.
— Se usarmos essas três pastas, não existe volta.
Pensei no meu marido dando meu casaco à amante enquanto eu cuidava da minha mãe no hospital.
— Eu não quero volta.
Na manhã seguinte, antes das sete, Dona Marta começou a socar minha porta.
— Helena! Abre!
Quando abri, aquela mulher arrogante do velório havia desaparecido.
Minha sogra estava desesperada.
— O que você fez com meu filho? As contas da empresa foram bloqueadas!
— Eu?
Ela apontou para a mesa.
— O que tinha naquela pasta?
Cruzei os braços.
— Em qual delas?
Dona Marta ficou pálida.
— Quantas existem?
— Três.
Horas depois, meu advogado encontrou o nome da amante grávida de Mateus em documentos que minha mãe havia investigado antes de morrer.
Então meu celular vibrou.
Era uma mensagem da própria Larissa:
“Helena, você precisa abrir a pasta vermelha antes que Mateus encontre.”
Meu sangue gelou.
Porque naquele momento eu me lembrei de uma coisa:
a pasta vermelha ainda estava dentro da minha casa...
CONTINUA...