02/09/2026
A decisão do ministro André Mendonça de retirar o sigilo de informações da investigação que envolve o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro abre uma discussão que vai muito além do chamado caso Banco Master.
A questão central agora é outra: se a transparência é necessária quando as suspeitas atingem Alexandre de Moraes, ela também precisa valer quando as investigações alcançam aliados e familiares do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Não pode existir uma régua para um lado e outra para o outro. Mendonça determinou que informações da Polícia Federal envolvendo mensagens atribuídas a Vorcaro e sua relação com Moraes fossem tornadas públicas. O material passou a expor detalhes de uma investigação que envolve suspeitas e possíveis conflitos de interesse, enquanto a Procuradoria-Geral da República questionou a validade da iniciativa e pediu a anulação de parte do procedimento. O caso deverá ser analisado pelo plenário do Supremo Tribunal Federal.
É justamente aí que surge a pergunta incômoda. E o caso Dark Horse?
O filme que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro entrou no radar das investigações depois que vieram a público informações sobre repasses feitos por Daniel Vorcaro para um fundo ligado à produção. Segundo reportagem da revista Piauí, um novo repasse de US$ 1,6 milhão — cerca de R$ 8,5 milhões — teria ocorrido em setembro de 2025. Com isso, os repasses atribuídos a Vorcaro relacionados ao projeto chegariam a US$ 12,3 milhões, aproximadamente R$ 63,7 milhões.
O caso ganhou uma dimensão ainda maior porque Flávio Bolsonaro aparece no centro das negociações relacionadas ao financiamento da produção. Reportagens apontaram que o senador teria pedido R$ 61 milhões a Vorcaro para concluir o filme.
Flávio nega irregularidades e afirma que não há nada de errado no financiamento da obra. A produtora também apresentou sua versão sobre os recursos. Portanto, é fundamental deixar claro: suspeita não é prova de crime e investigação não significa condenação.
Mas justamente por isso é que se deve investigar. Investigar significa permitir que os fatos sejam esclarecidos, com documentos, perícias, movimentações financeiras e depoimentos.
A pergunta que não