30/09/2026
Depois do acidente, passei dois anos em uma cadeira de rodas. Meu marido levou a amante para dentro de casa e jogou minha muleta no quintal: “Uma mulher incapacitada ainda acha que pode continuar sendo a dona desta casa?” — Minha sogra ainda mandou alguém retirar nossa foto de casamento da parede e queimá-la na minha frente. Eu não tentei impedir. Apenas observei as chamas consumirem tudo até o fim e, então, entreguei ao advogado o pendrive que eu havia escondido durante aqueles dois anos...
A chuva caía sobre Campinas naquela noite de quinta-feira, batendo contra as janelas do apartamento como se alguém insistisse em entrar.
Helena Duarte estava sentada em sua cadeira de rodas diante da varanda, observando as luzes dos prédios vizinhos. Havia dois anos que aquela cadeira fazia parte de sua rotina.
Dois anos desde o acidente.
Dois anos desde que sua vida tinha mudado de uma hora para outra.
E, naquela noite, pela primeira vez, Helena teve a sensação de que alguma coisa muito pior estava prestes a acontecer.
Ela ouviu a chave girar na fechadura.
Seu coração acelerou.
— Ricardo?
O marido entrou sem responder.
Estava acompanhado de uma mulher.
Helena reconheceu imediatamente.
Camila.
A mesma mulher que aparecera em mensagens apagadas, ligações interrompidas e desculpas mal explicadas durante os últimos meses.
Mas o que mais assustou Helena não foi vê-la.
Foi perceber que Ricardo segurava duas malas.
— O que signif**a isso? — perguntou Helena...
FIM DA PARTE 1... CONTINUA...