10/07/2026
Quem cuida de quem está cuidando da sociedade?
O Terceiro Setor brasileiro transforma realidades diariamente. São organizações atuando na assistência social, educação, saúde, cultura, defesa de direitos e em diversas áreas nas quais a população precisa de apoio.
Mas propósito, sozinho, não mantém uma instituição funcionando.
Um estudo do Ipea analisou a trajetória de mais de 1,16 milhão de Organizações da Sociedade Civil criadas entre 1901 e 2020. Desse total, aproximadamente 345 mil encerraram suas atividades — quase uma em cada três organizações.
Outro dado chama atenção: foram abertas 338.526 organizações entre 2000 e 2009, contra 284.184 entre 2010 e 2019, uma retração de aproximadamente 16% na criação de novas OSCs.
Na assistência social, a situação é ainda mais delicada: de cada 100 organizações abertas, 49 encerraram suas atividades.
Isso não significa que o Terceiro Setor esteja desaparecendo. Em 2023, o Brasil registrava 879.326 OSCs ativas, crescimento de 7,8% em relação a 2021. O verdadeiro alerta está na capacidade dessas organizações de sobreviver, crescer e manter seus projetos no longo prazo.
Boa vontade não paga equipe, aluguel, tecnologia, capacitação nem prestação de contas.
Precisamos falar sobre:
— financiamento previsível e diversificado;
— profissionalização da gestão;
— transparência e governança;
— parcerias duradouras com empresas e governos;
— capacitação das organizações de menor porte;
— valorização de quem trabalha diretamente nos territórios.
Impacto social também precisa de estrutura.
Fortalecer o Terceiro Setor não é apenas ajudar instituições. É fortalecer a participação social, a democracia e a capacidade de enfrentar problemas que atingem milhões de brasileiros.
Na sua opinião, o que mais ameaça a continuidade das organizações sociais atualmente?