22/09/2026
Eu poderia começar esse post falando o quanto eu era criativa e comunicativa quando criança, e que, olhando para aquela menina, já dava para imaginar a profissional que eu seria hoje.
Mas a verdade é que não.
Eu era tímida, quietinha, falava pouco e muitas vezes preferia observar. E talvez seja justamente por isso que essa história seja tão importante para mim.
Porque, se alguém tivesse olhado para aquela criança e tentado prever o meu futuro a partir do comportamento que eu apresentava naquele momento, provavelmente teria errado. E eu mesma, por muito tempo, acreditei em uma previsão que fizeram sobre mim.
Na faculdade, ouvi que eu teria muita dificuldade para ler e falar em público. E por alguns anos, essa fala ocupou um espaço enorme na forma como eu me enxergava.Até que a vida foi me colocando em situações que me obrigaram a tentar. Virei professora. Falei em público. Conduzi reuniões. Dei aulas, palestras e supervisões. E descobri que eu podia ser boa naquilo que um dia disseram que seria difícil para mim.
Hoje, isso muda completamente a forma como eu olho para os meus pacientes e para as minhas alunas.
Porque uma criança não é uma previsão.
Uma dificuldade não é uma sentença.
E aquilo que alguém consegue enxergar hoje não necessariamente limita aquilo que essa pessoa poderá construir amanhã.
Eu sei disso porque precisei acreditar em mim mesma antes que qualquer outra pessoa acreditasse.