27/08/2026
CALOTE MILIONÁRIO: PRODUTORES DE ARROZ DE SÃO BORJA SEGUEM SEM RESSARCIMENTO
SÃO BORJA (RS) – Mais de uma década depois do escândalo envolvendo a Arrozeira Beira-Rio, dezenas de produtores de arroz de São Borja continuam sem receber os valores referentes às safras entregues à empresa.
O prejuízo estimado na época ultrapassava R$ 12 milhões, atingindo diretamente agricultores que haviam confiado suas produções à arrozeira para armazenamento e comercialização.
O CASO E A LIGAÇÃO COM PAULO PIMENTA
O episódio também ganhou repercussão nacional por envolver o nome do deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), primo de Antônio Mário Pimenta, conhecido como Maíco, que administrava a Arrozeira Beira-Rio.
Durante as investigações, surgiram acusações de que Paulo Pimenta teria ligação com a empresa e seria, segundo declarações atribuídas ao próprio Maíco, uma espécie de operador do negócio. A Procuradoria-Geral da República chegou a apontar, durante a investigação, indícios que deveriam esclarecer se o deputado seria o verdadeiro proprietário da arrozeira ou se mantinha algum grau de vinculação com a empresa.
O caso envolvia suspeitas de estelionato e lavagem de dinheiro, além de questionamentos sobre documentos relacionados à certificação de cargas de arroz. A investigação também apurava movimentações financeiras que poderiam ter relação com os envolvidos.
Paulo Pimenta, por sua vez, sempre negou qualquer participação no esquema e afirmou que não tinha relação com a administração da arrozeira.
INVESTIGAÇÃO FOI TRANCADA PELA JUSTIÇA
Em outubro de 2020, a 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) concedeu habeas corpus à defesa de Paulo Pimenta e determinou o trancamento do inquérito que investigava o deputado por suposto estelionato e lavagem de dinheiro.
Segundo o próprio TRF4, os desembargadores entenderam que não havia provas contra Pimenta e que a investigação havia ultrapassado dez anos sem que o Ministério Público Federal apresentasse denúncia.
A decisão não determinou que os produtores fossem ressarcidos. O encerramento da investigação criminal, portanto, não solucionou o problema financeiro enfrentado pelos agricultores que perderam suas safras.
PRODUTORES CONTINUAM SEM RECEBER
Enquanto a disputa judicial envolvendo o deputado terminou com o trancamento do inquérito, os produtores permaneceram diante de outro problema: recuperar o dinheiro perdido.
Reportagens sobre o caso mostram agricultores que entregaram milhares de sacas de arroz à Arrozeira Beira-Rio e que, anos depois, continuavam sem receber pelos produtos. Um dos produtores relatou ter entregue 4.324 sacas, com prejuízo calculado em mais de R$ 320 mil em valores atualizados na época da reportagem.
O episódio deixou marcas profundas na agricultura de São Borja. Para muitos produtores, o prejuízo representou anos de trabalho, endividamento e dificuldades para continuar produzindo.
MAIS DE UMA DÉCADA DEPOIS, A CONTA CONTINUA ABERTA
O caso da Arrozeira Beira-Rio permanece como um dos episódios mais marcantes envolvendo produtores de arroz da região.
De um lado, agricultores que afirmam ter perdido milhões de reais continuam sem uma reparação efetiva. De outro, a investigação que envolveu o nome de Paulo Pimenta foi encerrada pela Justiça por excesso de prazo e falta de elementos suficientes para uma ação penal.
O próprio Paulo Pimenta continua negando qualquer envolvimento com as irregularidades e, em manifestações públicas, afirma que as acusações contra ele são utilizadas com finalidade política.
Mais de dez anos depois, o arroz desapareceu, os processos passaram pelos tribunais e os produtores continuam esperando por uma resposta para um prejuízo milionário.
Rádio Primavera | Ubirajara Dol Dos Santos