08/06/2026
Às vezes, o inconsciente fala mais alto que a gente. Eu fiquei dengosa, sensível, resmungando por qualquer coisa. Vieram picos de ansiedade, uma vontade estranha de me recolher, de ficar quietinha no meu canto.
Até que olhei o calendário e entendi.
Era a véspera do seu dia.
A véspera do bolo com chá, das conversas demoradas, de ouvir você reclamar do joelho que doía, da coluna que não dava trégua, e rir quando dizia que estava cada vez mais avoado e esquecido.
De repente, todas essas lembranças vieram me visitar. E junto delas, uma saudade imensa, daquelas que apertam o peito sem pedir licença.
Acho que o coração sempre sabe antes da gente. Ele reconhece as datas, os cheiros, os rituais e as ausências.
E hoje entendo que não era mau humor nem cansaço. Era saudade.
Saudade de você, pai. Saudade das coisas simples, dos nossos encontros, da sua voz, das suas manias e até das suas reclamações.
Algumas pessoas partem, mas continuam tão presentes que, quando o dia delas se aproxima, a alma sente antes mesmo que a memória consiga explicar. ❤️🥹