07/09/2026
Renata Alexandre Costa Coelho tinha 25 anos e realizava um sonho antigo: casar-se com o homem que amava. Advogada, carinhosa e cheia de planos para o futuro, ela se casou civilmente com Rogério Damascena no dia 17 de dezembro de 2010. A grande festa estava marcada para o sábado, dia 19, em um luxuoso condomínio em Camaragibe, Pernambuco.
A história dos dois começou muito antes. Ainda crianças, estudavam no mesmo colégio em Ribeirão, interior de Pernambuco. Anos depois, já adultos, se reencontraram. Renata tinha 22 anos e Rogério 26. Eles começaram a namorar e, com o tempo, pareciam formar um casal feliz.
Rogério trabalhava como supervisor de vendas em uma revendedora de motos e era apaixonado por motocicletas. Renata era descrita por familiares como uma pessoa maravilhosa, que queria amar e ser amada. O casal tinha brigas, principalmente por ciúmes de Rogério, mas nada que parecesse preocupante na época.
Esses ciúmes, porém, foram crescendo e se tornando cada vez mais intensos. Rogério passou a desconfiar de qualquer pessoa que se aproximasse de Renata. Dentro do carro, ela não podia nem olhar para os lados. Amigos e parentes presenciaram cenas de ciúmes doentios. Em 2008, Renata chegou a terminar o namoro por dois meses por causa disso. Rogério pediu desculpas, jurou que havia mudado e eles voltaram.
Entre 2008 e 2010, o relacionamento parecia estar bem. Em setembro de 2010, decidiram se casar. A festa foi marcada para três meses depois. Ambos estavam em um bom momento profissional e econômico, reformando um apartamento para morarem juntos. A família de Rogério gostava muito de Renata e todos celebraram a decisão.
O casamento civil aconteceu no dia 17 de dezembro. A festa, no dia 19, foi um presente da família da noiva. Mais de 200 convidados foram ao Condomínio Casa Grande da Aldeia, um dos mais luxuosos da região. A decoração, a comida e a música estavam perfeitas, exatamente como o casal sonhava.
Rogério chegou pilotando uma moto esportiva, animado, pedindo para o DJ tocar sua música favorita várias vezes. Ele dançou coladinho com Renata, foi de mesa em mesa cumprimentando todos e, em determinado momento, sentou-se ao lado do pai e disse que o amava muito.
Ninguém imaginava o que estava prestes a acontecer.
Essa foi a última foto do casal, tirada poucos minutos antes da tragédia. Renata aparece sorridente. Rogério, com o olhar estranho, quase distante.
Nove minutos depois dessa foto, Rogério reuniu os convidados e disse que tinha uma surpresa para todos. Ele saiu da festa, foi até a caminhonete do pai, pegou uma 4rm4 e voltou. Abraçou Renata por trás, deu um beijo nela e, em seguida, s4c4u a 4rm4 e disp4r0u contra a cab€ça da noiva.
O terror começou. Ele continuou atlr4nd0. Acertou o padrinho de casamento, Marcelo Guimarães, de 40 anos, que tentou fugir. Marcelo caiu de joelhos implorando, mas Rogério atlr0u mais três vezes. Depois, virou a 4rm4 contra si mesmo, atlr4nd0 na própria c4b€ça.
Renata e Marcelo m0rr€ram no local. Rogério foi socorrido em estado gravíssimo, mas teve m0rt€ cerebral na manhã seguinte. Um sobrinho de Renata foi atlngldo de raspão no rosto e sobreviveu.
O inquérito concluiu que o crlm€ não foi premeditado. Rogério tinha ciúmes patológicos, mas ninguém imaginava que chegaria a esse ponto. Ele estava fazendo planos para a semana seguinte, inclusive para continuar a festa no dia seguinte.
Os exames t0xic0lóglcos não apontaram d*0g4s nem álc00l em níveis elevados. Os psiquiatras que analisaram o caso falaram em possível transtorno delirante focado em ciúmes. A família dele acredita que uma d€pr€ssão silenciosa, aliada à sobrecarga de trabalho, pode ter contribuído.
Renata foi ent€rr4da no Cemitério de Santo Amaro, em Recife. Rogério foi ent€rr4do no mesmo lugar, horas depois. Marcelo Guimarães foi s€pult4do no Cemitério Morada da Paz, em Paulista.
Um casamento que deveria ser o dia mais feliz da vida de Renata terminou em uma das trag€dias mais ch0cantes de Pernambuco.