30/06/2025
Embate na Alerj expõe tensão entre Reis e Bacellar e já reflete disputa para 2026
Um acalorado confronto entre o deputado estadual Rosenverg Reis (MDB) e o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), ocorrido na sessão desta segunda-feira (30), revela a escalada da disputa de bastidores pelo comando do governo do Estado do Rio em 2026. Com a aprovação de convocação do secretário Washington Reis, irmão de Rosenverg, o embate escancarou fendas na base do atual governador e intensificou os movimentos para a próxima eleição .
A sessão desta segunda aprovou um requerimento da CPI da Transparência convocando Washington Reis, secretário estadual de Transportes, para prestar esclarecimentos sobre problemas no transporte público e aumento de tarifas . Rosenverg reagiu com firmeza, sugerindo que outras CPIs também fossem abertas — especialmente sobre a Fundação Ceperj e a compra de materiais didáticos — em um claro recado político. Já Bacellar, irritado, retrucou: “Não me confunda com Cláudio Castro”, em referência ao governador — e usou tom duro, afirmando que Rosenverg poderia “destruir o próprio irmão” .
O desentendimento expõe fragilidades na relação entre Bacellar, um nome indicado pelo governador Cláudio Castro como candidato natural para o Palácio Guanabara em 2026, e a família Reis, base importante no MDB. Washington é ministro importante do governo estadual, mas o desgaste gerado pela CPI e o discurso agressivo do irmão reforçam sinais de crise interna .
O confronto não se restringe ao transporte público: trata-se de uma movimentação política com vistas à disputa eleitoral de 2026. Rosenverg projeta força ao se posicionar como defensor de transparência e condutor de CPIs, ganhando visibilidade. Bacellar, por sua vez, busca se desvincular de problemas do governo e consolidar sua imagem como líder distinto, reforçado pela frase sobre Cláudio Castro .
Na véspera, o prefeito Eduardo Paes publicou nas redes sociais apoio a Washington Reis, dando tom ainda mais político ao embate e sinalizando que aliados do atual prefeito e possíveis adversários de Bacellar já estão firmando alianças nos bastidores .
Base governista fraturada: a crise abre espaço para que o MDB reivindique protagonismo ou até lance alternativa própria no pleito de 2026.
Imagem pública em choque: Bacellar, ao se distanciar de Castro, tenta defender autonomia, mas pode acabar evidenciando divisão.
CPI como arma eleitoral: para Reis, usar os instrumentos legislativos é também forma de demonstrar protagonismo e liderar denúncia pública — e isso pode reforçar sua influência no MDB.
Conclusão
O embate na Alerj entre Reis e Bacellar não é um desentendimento pontual, mas um sinal claro de que as forças políticas no Rio estão em movimento precoce para 2026. A briga por narrativas, controle de imagem e alianças começa já dentro da Assembleia e anuncia um panfleto agressivo na disputa pelo governo.