12/09/2026
OPINIÃO | O DE SEMPRE: QUANDO É INVESTIGADO, CORRE PARA WASHINGTON
Eduardo Bolsonaro parece ter encontrado uma fórmula conveniente para enfrentar os problemas que deveria resolver dentro do próprio Brasil: quando a Justiça aperta, pega um avião e vai pedir socorro em Washington.
Agora, segundo as informações divulgadas, a missão seria buscar apoio norte-americano contra o ministro Alexandre de Moraes e defender novas sanções contra o Brasil.
É difícil não enxergar nisso uma enorme contradição.
Um deputado brasileiro, eleito por brasileiros, deveria estar preocupado em defender os interesses do Brasil. Mas, diante de uma crise política ou de problemas judiciais, prefere bater à porta de um governo estrangeiro e pedir pressão contra instituições brasileiras.
Isso não é defender o Brasil. É internacionalizar uma briga política interna.
Pode-se discordar de Alexandre de Moraes. Pode-se criticar o STF. Pode-se exigir investigação, transparência e limites para qualquer autoridade. Democracia não signif**a concordar com ministro, juiz, deputado ou presidente.
Mas existe uma diferença entre criticar as instituições brasileiras e pedir que uma potência estrangeira imponha punições ao próprio país.
E essa diferença é enorme.
O mais preocupante é que as sanções não atingiriam apenas uma pessoa. Pressões econômicas e diplomáticas contra o Brasil podem produzir consequências muito maiores, atingindo empresas, trabalhadores, relações comerciais e a própria imagem do país no exterior.
E f**a a pergunta que não quer calar:
Se a questão é realmente defender a democracia brasileira, por que correr para Washington em vez de enfrentar o debate dentro do Brasil?
A impressão que f**a é a do velho roteiro: quando o problema é dos outros, fala-se em patriotismo; quando o problema chega à própria porta, procura-se ajuda do estrangeiro.
O Brasil tem Constituição, Congresso, Judiciário, Ministério Público, eleições e instituições capazes de resolver seus próprios conflitos.
Não precisamos de deputado brasileiro funcionando como lobista de interesses políticos brasileiros dentro do governo dos Estados Unidos.
O país não pode ser tratado como instrumento de uma disputa familiar, eleitoral ou pessoal.
Brasil não é quintal de Washington.
E muito menos pode ser transformado em moeda de troca para salvar projeto político de quem está sob pressão.
Criticar o STF é democrático.
Questionar decisões judiciais é democrático.
Pedir investigação é democrático.
Mas pedir que um governo estrangeiro castigue o Brasil para pressionar autoridades brasileiras é outra história.
No fim, f**a a sensação de que é sempre a mesma coisa:
quando está tudo bem, patriotismo; quando a Justiça aperta, Washington.
E o Brasil que pague a conta.
Esta é a opinião do Grupo Mundial News de Comunicação.