26/08/2026
Montanha, Espírito Santo — Durante cerca de dez meses, Benedita de Jesus Rodrigues, de 59 anos, viveu um relacionamento que, segundo a filha, começou com acolhimento e terminou em uma sequência de conflitos, agressões e medo.
Agora, o homem que mantinha o relacionamento com a professora está preso e é investigado pela m0rte dela.
Silas Santos Fountoura, de 40 anos, foi localizado na noite de terça-feira (25), no Centro de São Mateus, no Norte do Espírito Santo. Ele era procurado desde que o corpo de Benedita foi encontrado dentro de uma geladeira, em uma residência no Centro de Montanha, na sexta-feira (21).
A descoberta aconteceu depois que o proprietário do imóvel, desconfiado do desaparecimento dos moradores, arrombou a porta da casa. Dentro da geladeira, havia um s**o plástico preto contendo o corpo da professora. A perícia identificou diversas perfurações provocadas por 4rma branca.
Mas, enquanto a investigação tenta reconstruir os últimos momentos de Benedita, a filha revelou detalhes de um relacionamento que, segundo ela, já vinha sendo marcado pela violência.
Em entrevista à TV Vitória, a filha, que preferiu não ser identificada, contou que Benedita conheceu Silas em Nanuque, Minas Gerais. Na época, segundo o relato, ele estava em situação de rua e a professora começou a ajudá-lo.
A aproximação acabou se transformando em namoro. O relacionamento durou aproximadamente dez meses, mas, de acordo com a filha, rapidamente passou a ser marcado por ciúmes, 4gr3ssões físicas e vi0lência verbal.
“Era muito por ciúmes, porque minha mãe causava ciúmes nele e ele causava ciúmes na minha mãe. Minha mãe estava cega de amor por ele”, relatou.
Em uma das 4gressões, segundo a filha, Silas teria atacado Benedita com uma chave de fenda, provocando uma perfuração.
E, conforme o relato da jovem, as ameaças não teriam ficado restritas à mãe. Ela afirmou que Silas também teria ameaçado familiares de Benedita, dizendo que mataria a professora e depois voltaria para m4tar a filha.
A declaração ajuda a dimensionar o ambiente de tensão que, segundo a família, existia antes da m0rte.
Benedita teria sido vista pela última vez no sábado (15). Silas, por sua vez, deixou de ser visto na residência na terça-feira (18). Quando questionado por pessoas próximas sobre o paradeiro da companheira, teria dito que ela havia retornado para Nanuque. A versão acabou levantando suspeitas.
Na sexta-feira (21), o proprietário decidiu entrar no imóvel e encontrou a cena que chocaria a cidade: Benedita estava m0rta e escondida dentro da geladeira.
A Polícia Científica constatou perfurações em diferentes partes do corpo. O cadáver foi encaminhado para exames médico-legais, que devem ajudar a esclarecer a dinâmica e a causa da m0rte.
Depois que Silas passou a ser procurado, equipes da Polícia Civil realizaram buscas e trocaram informações entre delegacias da região. Na terça-feira (25), investigadores conseguiram localizar o suspeito no Centro de São Mateus, a cerca de 120 quilômetros de Montanha. Segundo a polícia, ele resistiu à prisão e foi necessário utilizar força para contê-lo.
Há ainda outro detalhe que tornou a prisão ainda mais significativa: Silas já possuía um mandado de prisão preventiva em aberto por homicídio na Bahia, expedido anteriormente.
Segundo informações divulgadas por veículos locais, ele teria confessado o crime durante o deslocamento para ser ouvido pela polícia. A confissão, contudo, deverá ser formalmente analisada dentro da investigação e do processo judicial.
Silas permanece à disposição da Justiça.
A Polícia Civil ainda investiga a motivação e todos os detalhes da morte de Benedita. Uma coletiva marcada para esta quarta-feira (26) deve apresentar novas informações sobre a prisão e o andamento do caso.
Para a família, porém, a história não começou naquela geladeira.
Começou quando uma mulher decidiu ajudar um homem que estava em situação de rua. Virou um relacionamento que, segundo a filha, foi tomado por ciúmes e violência. E terminou com Benedita m0rta, escondida dentro de um eletrodoméstico, enquanto o homem que ela amava fugia.
Agora, cabe à investigação esclarecer como esse relacionamento chegou ao ponto mais trágico e quais foram, exatamente, os últimos momentos da vida da professora.
Fontes consultadas:
Folha Vitória, A Gazeta, Metrópoles