18/05/2026
Antes do filme, tinha uma árvore.
Ela não vende ingresso. Não aparece na tela. Mas quem já esteve ali sabe: a grande árvore do Anexo do Espaço Petrobras (antigo Espaço Itaú) é parte da sessão.
Em São Paulo, uma cidade de concreto, asfalto e pressa, aquele pedaço da Rua Augusta era um oásis. Você chegava cedo, pedia um café no Fellini, sentava ali — sob a copa enorme — e o cinema já começava antes da sala escurecer. O verde acalmava. A sombra abraçava. O tempo desacelerava.
Agora, a Justiça de SP determinou o despejo do espaço. O juiz Gustavo Coube de Carvalho, da 5ª Vara Cível, mandou executar a reintegração de posse para a incorporadora Rec Vila 15. A meta dela é clara: demolir o anexo, derrubar a árvore, e erguer mais um empreendimento imobiliário.
Tudo isso apesar do local ser Área de Proteção Cultural (ZEPEC-APC), de ter liminar contrária, de estar em análise de tombamento e de mais de 90 mil pessoas terem assinado contra a demolição.
O vereador Nabil Bonduki chamou a ação de "absurdo" e possivelmente ilegal.
Mas o que está em jogo aqui não é só uma questão jurídica. É um pedaço de memória. É um respiro.
Deram as costas à cultura. Mas estão derrubando também um dos últimos oásis de São Paulo.
📢 Compartilhe. Porque antes do próximo filme, a gente ainda quer tomar café debaixo daquela árvore.
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