02/01/2026
Compartilhando alguns pensamentos do que espero para 2026.
Quando a gente é criança, um novo ano tem gosto de descoberta. Será que vai entrar gente nova na sala? Aquele professor dessa série é chato mesmo como dizem? E aquela professora que todo mundo ama? Será que aquelas paixonites seguem as mesmas ou mudaram? Até o bullying do novo ano, as dores do crescimento - físicas e psicológicas -, são novidade nas nossas cabeças. Todo dia é matéria nova, aprendendo coisa nova.
Na vida adulta, o período entre Natal e Ano Novo é só uma pausa pra renovação de um dígito diferente ao preencher uma planilha de Excel. No dia útil seguinte, cá estamos, como coelhos correndo atrás de cenouras penduradas na frente do nosso nariz. É a rotina de acordar, arrumar os filhos (pra quem os tem), ir pra academia atrás de um corpo instagramável, cumprir horários, entregar tarefas, voltar pra casa e esperar pelo dia seguinte, torcendo desesperados pela chegada da sexta-feira. Uma rotina que se repete por longas 51 semanas.
E a gente vai torcendo pelo fim de semana; pelo Carnaval; pelas férias; pelo fim do ano pra começar tudo de novo; e, sem perceber, torcemos para que a gente envelheça cada vez mais rápido.
A gente renova promessas e projetos, diz que dessa vez vai ser diferente, mas logo o rolo compressor da vida adulta nos coloca de novo naquele mesmo trilho de sempre. Se, quando crianças, o entusiasmo e a ansiedade pra viver o novo é nosso combustível, na vida adulta a gente entende Cazuza ao falar de “um museu de grandes novidades”, porque fomos adestrados a viver para pagar boletos.
Esse texto parece pessimista mas, na verdade, é um convite pra uma reflexão: e se nesse novo ano a gente encarar - de novo - o novo? A gente sabe como faz, todo mundo já foi criança, ora! É aquele olhar de encantamento diante de algo jamais visto ou pensado, aquele clique na cabeça que a gente parece ouvir quando conta algo pra uma criança que ela não fazia ideia que era assim.
Pode ser uma obra de arte. Uma música nova. Um artista que você nunca ouviu. Uma viagem que sempre quis fazer. Um ponto turístico, uma nova amizade, uma visita ao lar de idosos, 5 minutos conversando com um desconhecido, um bom dia para o vizinho que vá além da conversa sobre o tempo no elevador.
Que em 2026, a gente reencontre a alegria das descobertas de criança. É o que espero pra mim e desejo a todos.
Feliz Ano Novo!