Josy Stoque

Josy Stoque 🗞️ Comunicadora na agência Criativista 📣
✍🏻 Autora de 30 romances na Amazon 📚 Cada um reflete o momento pessoal e histórico da autora.

Josy Stoque é formada em Comunicação Social em 2005 e possui vasta experiência na área, atuando como repórter, assessora de imprensa, roteirista, revisora, webwriter, social media e articulista. Escreve desde que aprendeu as letras e considera o ato uma terapia que a ajuda a se autoconhecer, superar as adversidades pessoais e refletir sobre as questões sociais. Aos 28 anos começou a escrever profi

ssionalmente e publicou 30 romances de forma independente e através de editoras, além de coletâneas, prefácios e contos. Criou em 2013 a Semana do Livro Nacional, um evento anual que acontecia sempre no dia do escritor (25 de outubro), com o objetivo de fomentar a literatura brasileira contemporânea e os escritores nacionais da atualidade. Em 2014, abandonou a carreira de publicitária e se dedicou integralmente à escrita de romances de ficção com temáticas realistas, que trazem debates pertinentes ao mundo contemporâneo. Alguns livros se tornaram best-seller, e sua obra de estreia foi traduzida e publicada em língua inglesa em diversos formatos, sendo a única autora independente a ser escolhida pela seleção da AmazonCrossing entre os 10 autores brasileiros selecionados. Seu objetivo é viver uma vida com propósito e utilizar seu talento para fazer a sua parte por um país mais justo e igualitário.

01/03/2026

Solidariedade ao povo iraniano.

28/02/2026

O show de horrores da extrema direita na CPMI do INSS

Sem nenhum pudor, parlamentares bolsonaristas praticaram mais um golpe contra a democracia ao fraudar votação de requerimento para quebrar o sigilo de Lulinha.

A extrema direita brasileira é mesmo composta por uma gente horrorosa. Esse horror é constatável sob qualquer ponto de vista, seja ele moral, intelectual ou estético. Não bastou prender os líderes golpistas. Essa turma segue movida pelo espírito golpista e praticando pequenos golpes na democracia.

Eles atropelam as regras do parlamento e agem como aqueles valentões de colégio de filme de Hollywood, que andam em bando e impõem sua vontade através da intimidação e da porrada. Nesta semana, o golpismo promoveu mais um show de horror na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Instituto Nacional do Seguro Social, a CPMI do INSS.

Como de costume, a comissão se tornou palco de disputa eleitoral, com bolsonaristas querendo associar o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao escândalo a qualquer custo, nem que para isso seja necessário derrubar o tabuleiro do jogo. Tendo a presidência e a relatoria da CPMI em suas mãos, o bolsonarismo aplicou um golpe em uma das votações da comissão.

Manobra golpista

O presidente da comissão, o senador Carlos Viana, do Podemos, atropelou o regimento ao ignorar uma norma clara: em votações simbólicas, vale a maioria que esteja fisicamente presente no plenário.

Havia ao todo 21 parlamentares, sendo que 14 eram governistas. A vitória governista era óbvia, mas Viana se fez de louco, fingiu que não viu os 14 parlamentares governistas em pé e decretou a vitória da oposição por 7 a 0. Foi um golpe escancarado, à luz do dia, com dezenas de testemunhas e câmeras registrando tudo.

Entre os 87 requerimentos embutidos no pacote que foi submetido à votação, estava a quebra de sigilo bancário de um dos filhos de Lula, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que surgiu durante a investigação como suspeito de ser sócio oculto do Careca do INSS — o principal operador do esquema.

Depois de virar o tabuleiro e fraudar a votação, a oposição saiu de peito estufado e apareceu nas manchetes como responsável pela quebra do sigilo bancário de Lulinha.

Mas foi tudo um jogo de cena. O Supremo Tribunal Federal, o STF, já havia autorizado a quebra não só do sigilo bancário do filho de Lula, mas do fiscal e telemático (mensagens e e-mails).

A oposição já tinha conhecimento disso e, mesmo assim, decidiu trazer o tema na marra para os holofotes da CPMI, visando ganhos eleitorais. Na prática, nada mudaria em relação à apuração do envolvimento de Lulinha.

Diante da contagem escandalosa do presidente da comissão, parlamentares governistas protestaram e iniciou-se um empurra-empurra no plenário. Os oposicionistas atingiram o objetivo: saíram diante dos eleitores incautos como os paladinos da ética que conseguiram quebrar o sigilo do filho do presidente, e os governistas como os arruaceiros que partiram pra briga porque queriam protegê-lo das investigações.

O cinismo da oposição revela que a prioridade não é investigar o que ocasionou os desvios do INSS, mas fabricar fatos eleitorais que coloquem o governo como cúmplice da roubalheira e a oposição, como a he***na.

Uma fraude sem pudor

As CPIs sempre foram usadas como palco eleitoral por todos os lados do espectro político. Não há novidade aqui. Mas o bolsonarismo eleva a coisa à máxima potência, sem o menor pudor em fraudar as regras do jogo de maneira torpe e escancarada.

Na grande imprensa, deu-se destaque para a briga no plenário, mas pouco se falou sobre as razões que a ocasionaram. A coisa não foi tratada com a devida gravidade. A flagrante fraude na contagem dos votos ficou relegada a um segundo plano.

A imagem passada para a população foi a de que se tratou de mais uma avacalhação de um parlamento acostumado a ser avacalhado. É muito mais grave que isso. Foi um golpe regimental do mesmo grupo político que tentou um golpe de estado e cujos principais líderes estão na cadeia.

Houve quem chamou o golpe na votação de “olé” da oposição em cima do governo. No futebol, o olé é uma saudação a um grande drible ou a uma troca de passes que faz o time adversário de bobo. Aqui, soa como uma normalização da picaretagem, como se o expediente golpista usado pela oposição fosse algo corriqueiro no parlamento.

Na ânsia pela busca de uma isenção performática, há jornalistas que preferem evitar a fadiga de chamar “golpe” de “golpe” e “golpista” de “golpista”. Uma fraude flagrante na contagem de votos vira “olé” e é jogada na vala do senso comum, em que todos os políticos são iguais.

Parte da imprensa não falha apenas no compromisso com a verdade, mas se torna cúmplice da erosão institucional promovida pelo bolsonarismo.

As fraudes no INSS começaram no governo de Michel Temer, ganharam tração durante o governo de Jair Bolsonaro e continuaram no governo Lula.

É um escândalo que envolve gente de todos os espectros políticos, mas o fato fundamental é que as denúncias só prosperaram e ganharam força com as ações em conjunto da Controladoria-Geral da União, a CGU, e da Polícia Federal, a PF, do governo Lula.

Servidores do INSS foram afastados e os aposentados lesados estão sendo ressarcidos pelo governo. Até o momento, já foram devolvidos quase R$ 3 bilhões para mais de 4 milhões de vítimas dos desvios.

A prova cabal de que a investigação da Polícia Federal não está sofrendo interferência por parte do governo é o pedido que a corporação fez para quebrar os sigilos de Lulinha.

Essa autonomia para se investigar filhos de presidente não existiu durante a gestão Bolsonaro, como foi atestado pelo então ministro da Justiça, Sergio Moro, que se demitiu do cargo dizendo que o governo interferiu nas investigações da PF contra Flávio Bolsonaro. Como se vê, a cara de pau do bolsonarismo neste caso envolvendo Lulinha é algo monumental.

A investigação contra o filho do presidente está percorrendo os ritos técnicos e não há o menor indício de que o governo esteja boicotando.

Afinal, quando a PF da gestão Lula pede a quebra de sigilos do filho do presidente e um ministro do STF nomeado por Bolsonaro a acata, temos o funcionamento pleno de uma democracia.

É preciso que fique claro que o protesto dos parlamentares governistas não foi para impedir investigação, mas contra um golpe no regimento que tinha como único objetivo conquistar dividendos eleitorais.

Bolsonaro e outros líderes golpistas foram presos, mas o espírito golpista segue vivíssimo entre os bolsonaristas.

É preciso que todos os democratas — do parlamento à imprensa — mantenham-se vigilantes para combatê-los. Não há isenção possível quando a polarização se dá entre a civilização e a barbárie.

João Filho
Jornalista
Intercept Brasil

O trabalho nos suga toda a vitalidade e criatividade, a ponto de não vermos saída dessa máquina. Estamos presos na Matri...
26/02/2026

O trabalho nos suga toda a vitalidade e criatividade, a ponto de não vermos saída dessa máquina. Estamos presos na Matrix, convulsionando de desespero, vergonha e tristeza, e não temos força sequer para tentar sair dela. Estamos tão sozinhos e tão imersos no vazio que restou na nossa alma, que não conseguimos olhar para o lado e ver como o outro está tão mal quanto nós. Porque ele é o inimigo, o competidor, a pessoa que pode tomar seu lugar no degrau de cima da pirâmide.

A máquina cooptou nossa vida, nossos sonhos, nossa vontade de conquistar algo melhor. Mas, apesar da acidez desse texto ao expor a realidade da vida que levamos, venho trazer uma palavra de esperança. Se esse mundo foi construído por forças e interesses, nós também podemos nos unir, juntar forças e nossos próprios interesses para reformulá-lo. Se quisermos ter vida além do trabalho, só há uma maneira de fazer isso: agir contra a lógica do sistema, nos rebelarmos.

Contra tudo e todos, precisamos transformar o individualismo em coletividade, o egoísmo em empatia, a competitividade em solidariedade. Precisamos transformar o abandono em apoio, o medo em coragem, a raiva em alegria e o ódio em amor. Precisamos transformar o trabalho em uma produção do que é essencial para vivermos. Precisamos quebrar a máquina que nos trata como robôs e humanizá-la, para que possamos investir nosso tempo e esforço em atividades que realmente nos dignificam.

Não podemos mais deixar que o sistema nos escravize, explore e humilhe. Nesse Dia do Trabalho que passou, essa foi a reflexão que fiz — e deixo aqui para que outros revoltados e desamparados como eu se sintam acolhidos e animados pela perspectiva de mudança. Não será fácil. Não será da noite para o dia. Mas não podemos desistir de nossas vidas antes mesmo de lutar. Perder por W.O. é covardia. E, se há algo que temos por natureza, enquanto humanidade, é a coragem de buscar aquilo que queremos.

22/02/2026
21/02/2026

Flávio Bolsonaro representa a farsa do bolsonarismo moderado nas eleições

Com Tarcísio de Freitas fora da disputa, o "filho 01" assume o papel de herdeiro político de Jair Bolsonaro em uma tentativa de atrair o centro e o mercado.

De tempos em tempos surge a lenda do “bolsonarismo moderado”, uma ficção projetada pela própria extrema direita e abraçada por setores do mercado financeiro e da imprensa.

Não é possível existir uma fração moderada de uma corrente política cujo ideário é essencialmente autoritário. É uma impossibilidade lógica. Não existe um “nazismo light”, assim como não existe a ala moderada da Ku Klux Klan.

Tarcísio de Freitas, do Republicanos, era quem melhor personificava essa mentira e tudo levava a crer que ele seria o candidato de Jair Bolsonaro à presidência. Tinha o apoio maciço do mercado financeiro, era bem-quisto no Centrão e vinha sendo paparicado por boa parte da imprensa.

O seu perfil técnico, tão elogiado aos quatro cantos, é o verniz perfeito para disfarçar quem ele realmente é: um ex-militar que faz parte do grupo político que tentou dar um golpe de estado no país.

Messianismo hereditário

Mas Tarcísio foi retirado da disputa. Quem irá encarnar o personagem do “bolsonarista moderado” será Flávio Bolsonaro. Prevaleceu a decisão do líder da gangue golpista que, de dentro da cadeia, mandou o recado por meio de um texto cafona com tom messiânico, lido pelo próprio filho: “Entrego o que há de mais importante na vida de um pai: o próprio filho para resgatar o Brasil”.

A candidatura de Flávio é mais uma questão de sobrevivência política da família Bolsonaro do que um projeto político pensado. A decisão não foi resultado de debates internos no PL e com suas bases, mas do desejo da família Bolsonaro em manter sua dinastia no comando da direita brasileira. O bolsonarismo se sacramenta como um messianismo hereditário.

Se a eleição fosse hoje, Lula ganharia por pouco de Flávio Bolsonaro no segundo turno. O filho de Jair sabe que, para ganhar, vai precisar buscar o eleitorado de direita que não se identifica com o bolsonarismo. Não é à toa que ele tem se apresentado como uma versão "moderada e equilibrada do seu pai” — uma espécie de “Bolsonaro de focinheira”.

Para vender bem esse personagem, Flávio tem viajado o mundo para buscar alguma influência internacional e tentando estreitar os laços com o empresariado e o mercado financeiro, que queria Tarcísio.

Credenciais democráticas: uso da força e rachadinhas

Apesar de parecer ser o menos radical entre os irmãos Bolsonaro, Flávio está longe de ser alguém de perfil moderado. Vai ser ainda mais difícil para ele do que seria para Tarcísio; é preciso relembrar as credenciais democráticas do sujeito.

Em julho do ano passado, Flávio afirmou abertamente que o próximo presidente deverá “usar a força” caso o STF negue um indulto presidencial para tirar seu pai da cadeia.

Em outubro, enquanto seu irmão fustigava Trump contra o Brasil, sugeriu que Trump poderia jogar bombas atômicas no Brasil caso a anistia não fosse aprovada. Eis o “bolsonarismo moderado”.

Moderação com dinheiro público também nunca foi o forte do senador, que tem um vasto currículo no mundo das “rachadinhas” e na distribuição de empregos para o crime organizado. Não podemos perder de vista o seu histórico. Flávio é o Bolsonaro que mais tem esqueletos no armário.

Quando tinha apenas 19 anos, acumulou três ocupações em duas cidades diferentes: faculdade presencial diária de Direito e estágio voluntário Defensoria Pública no Rio de Janeiro, e um cargo de 40 horas semanais na Câmara dos Deputados, em Brasília. Todas essas ocupações exigiam a presença física, o que significa que Flávio estreou na vida pública pela via do funcionalismo fantasma.

Nessa época, o gabinete de Flávio era um cabide de emprego para milicianos e seus parentes. Os ex-policiais militares Fabrício de Queiroz e Adriano da Nóbrega, dois parceiros de longa data da família Bolsonaro, lideraram a farra com dinheiro público no gabinete de Flávio.

Parte dessa grana era usada pelo então deputado para financiar e lucrar com a construção ilegal de prédios erguidos pelo Escritório do Crime — a milícia que era chefiada por Adriano da Nóbrega.

Não nos esqueçamos das mágicas de Flávio no mercado imobiliário. A mansão em que ele e sua família residem em Brasília, por exemplo, foi financiada por um banco público — o BRB do Distrito Federal — com juros muito abaixo do mercado (3,71%), algo impensável para um cidadão comum.

A compra da mansão de quase R$ 6 milhões era incompatível com sua renda, mas Flávio afirmou que foi feita “com recursos próprios”, oriundos da venda de um outro imóvel e da franquia da Kopenhagen — a sua fantástica fábrica de chocolates irrigada pelas rachadinhas milicianas.

Das rachadinhas à Abin paralela

Com Bolsonaro na presidência, todos os escândalos de corrupção de Flávio passaram a ser blindados pela Abin. O serviço de inteligência do país foi utilizado para bisbilhotar a vida de auditores que ousaram investigar os esquemas de corrupção do primogênito. Os advogados de Flávio eram orientados por relatórios produzidos pela agência.

Das rachadinhas à Abin Paralela, a história de Flávio Bolsonaro na política é deplorável sob qualquer aspecto. Por mais forte que seja o seu sobrenome eleitoralmente, não será fácil manter o personagem que estão tentando encaixar nele.

Seu teto de vidro é enorme e as pedradas serão inevitáveis durante a campanha eleitoral.

Flávio tem um “jeitão de Centrão”, mas sua genética política é extremista, autoritária e golpista. Os mercados, as elites e setores da imprensa sabem que ele não é o candidato dos sonhos, mas é o que tem para hoje. Vale qualquer coisa para impedir a continuação do governo Lula.

Ou seja, não há nada de novo no front.

por João Filho
Intercept Brasil

Mais uma saga épica finalizada. Estou encantada com esse clássico da ficção científica. Com foco em História e psicologi...
19/02/2026

Mais uma saga épica finalizada. Estou encantada com esse clássico da ficção científica. Com foco em História e psicologia, o autor nos carrega pela Galáxia através das complexidades humanas. Amei! Recomendo muito a leitura.

A sociedade humana não é uma ciência exata, nem natural, portanto, não é imutável. Pode ser alterada e deve ser sempre m...
14/02/2026

A sociedade humana não é uma ciência exata, nem natural, portanto, não é imutável. Pode ser alterada e deve ser sempre melhorada conforme as necessidades da maioria sempre. Não acredite quando dizem que não dá pra mudar. A gente quanto humanidade criou essas regras e sempre podemos alterá-las. Inclusive, podemos começar tudo de novo se quisermos, de maneira diferente. Não precisamos aceitar as coisas como estão.

"Fim da escala 6x1: o terrorismo das elites contra os direitos do trabalhador

De Barão de Cotegipe a Sóstenes Cavalcante, o discurso do "caos econômico" se repete para barrar direitos. Com 70% de apoio popular, a PEC avança na Câmara, mas sofre pressão para ser desidratada.

Trata-se de um milagre de ano eleitoral, já que Motta costuma evitar a fadiga na hora de defender direitos dos trabalhadores. O mesmo fenômeno se viu até em alguns parlamentares da extrema direita, como é o caso do senador Cleitinho, aquele falastrão do Republicanos, que está cotado para ser o candidato a governador da família Bolsonaro em Minas Gerais.

Mas o jogo não está ganho para quem defende uma jornada minimamente digna para os trabalhadores.

As elites produtivas e financeiras já estão mobilizadas no Congresso e na grande imprensa para tentar vender caro a aprovação do fim da escala 6x1. Empresários têm pressionado deputados para que se mantenha as atuais 44 horas semanais de trabalho, em vez das 36 horas da proposta original da deputada Erika Hilton. Em outra frente de pressão, grandes veículos militaram ostensivamente contra a PEC.

Chilique apocalíptico de patrão

Toda vez que as elites sentem-se ameaçadas por alguma medida a favor dos trabalhadores, segue-se um roteiro que está manjado há séculos.

Apela-se ao terrorismo no debate público, apontando um futuro sombrio para a economia e para a sociedade caso a mudança seja concretizada. A comparação com as reações das elites em outros períodos da história é inevitável.

Na internet, muitos recuperam notícias dos tempos em que se debatia a introdução do 13º salário, a criação do salário mínimo, do direito às férias ou a abolição da escravatura. Impressiona como as reações das elites são semelhantes com as atuais. É tudo tão parecido que chega a ser caricatural.

Os chiliques são sempre apocalípticos, apontando uma crise econômica sem precedentes. O debate público passa a ser tomado pelo terrorismo, e a defesa por novos direitos é tratada como populista e demagoga. Passam-se os séculos, o apocalipse não chega nunca, mas as elites continuam agindo do mesmo jeito.

É um cacoete histórico de uma casta que, durante séculos, enriqueceu com a exploração do trabalho escravo. Toda e qualquer expansão de direitos ao trabalhador sempre foi tratada historicamente como um atentado contra a economia.

Vejamos o depoimento de Barão de Cotegipe, que representava grandes fazendeiros no Senado, durante os debates que antecedem a implementação da Lei Áurea: “Tenho conhecimento da nossa lavoura, especialmente das províncias de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia, e afianço que a crise será medonha. A verdade é que haverá uma perturbação enorme no país durante muitos anos".

Corta para 2026 com a fala do deputado Sóstenes Cavalcante, do PL do Rio de Janeiro, um dos críticos mais ferozes do fim da escala 6x1: “Este é um tiro de morte no coração da economia”. Mais de um século e meio se passou, mas as trombetas do apocalipse seguem tocando no mesmo tom terrorista.

O papel da imprensa na defesa dos interesses patronais

Na imprensa, não faltam jornalistas empenhados em defender os interesses dos patrões. A proposta por uma jornada de trabalho menos indigna é tratada como um populismo barato em ano eleitoral que trará consequências gravíssimas para a economia.

O Estadão manchetou: “Fim da escala 6x1: entidades da indústria se dizem preocupadas e citam ‘graves prejuízos à economia’” e não se dignou a ouvir opiniões contrárias. É o mesmo jornal que durante a escravidão fazia anúncio de vendas de escravos e que militou para adiar ao máximo a abolição da escravatura.

Na Band, o jornalista Eduardo Oinegue foi escalado para atacar o fim da escala 6x1. Depois de se escorar na falácia de que o trabalhador brasileiro é um dos mais improdutivos do mundo, o jornalista chama afirma que a “redução de jornada de trabalho sem redução salarial é populismo barato".

Os que defendem direitos dos trabalhadores são historicamente pintados como idiotas populistas que vão destruir a economia do país com sua demagogia.

A história de todas as sociedades é mesmo a história da luta de classes, como diria aquele famoso barbudo alemão. Entra século e sai século, lá estão as elites usando o terrorismo para manter seus privilégios históricos.

Bolsonaro prometeu “menos direitos e mais empregos" e o que se viu durante sua gestão foi menos direitos e menos empregos.

Já o seu ministro da economia, Paulo Guedes, defendeu fervorosamente o não aumento do salário mínimo, com um terrorismo que fez o Barão de Cotegipe sorrir no inferno: “Hoje, se você der um aumento de salário mínimo, vão ter no mínimo milhares e talvez milhões de pessoas que vão ser demitidas. Você está no meio de uma crise de emprego terrível, todo mundo desempregado, você dar um aumento de salário, vai condenar as pessoas ao desemprego.”

Corta para 2026, com o Brasil vindo de três anos seguidos de aumento real do salário mínimo e sem aumento de desemprego. Pelo contrário: dados oficiais apontam que o Brasil atingiu os menores níveis de desocupação da série histórica justamente nesse período de valorização do salário mínimo.

O fim da escala 6x1 vai quebrar o Brasil?

Não nos esqueçamos também da clássica manchete de capa do jornal O Globo em abril de 1962, anunciando a tragédia que seria a implantação do 13º salário: “Considerado desastroso para o país um 13º mês de salário”. É o mesmo jornal que hoje critica o reajuste do Benefício de Prestação Continuada, o BPD, e das aposentadorias pelo salário mínimo.

Vendo que o jogo pela escala 6x1 está perdido, os parlamentares que representam as elites agora lutam para sair perdendo menos. Vão acatar a escala 6x1, mas não abrem mão das 44 horas semanais de trabalho. É muito semelhante com o que fez Barão de Cotegipe e sua turma que, ao verem a abolição como inevitável, lutaram para que os proprietários de escravos fossem indenizados pelo estado.

No século passado, as jornadas de trabalho eram exaustivas e os direitos escassos. De lá pra cá, o que se viu foi um aumento vertiginoso da produtividade da economia brasileira, provando que essa correlação com o aumento de direitos trabalhistas é falsa. Mesmo assim, ninguém tem dúvidas de que essa amnésia conveniente continuará surgindo toda vez que se proponha alguma melhoria para o trabalhador.

O apocalipse econômico evocado pelos críticos de todas as grandes reformas sociais nunca se concretizou. Muito pelo contrário, a economia e a sociedade acabam se adaptando aos novos padrões de dignidade humana.

E, convenhamos, o fim da escala 6x1 é pouco ou quase nada para a maioria dos trabalhadores brasileiro, que sofre com baixos salários e más condições de trabalho. Defender com unhas e dentes a negação dessa migalha mostra a crueldade histórica das elites brasileiras com o povo."

por João Filho

11/02/2026
É interessante como as artes nos ajudam a imaginar o futuro possível diante da tragédia que estamos vivendo. Se podemos ...
12/01/2026

É interessante como as artes nos ajudam a imaginar o futuro possível diante da tragédia que estamos vivendo. Se podemos imaginar o fim, também somos capazes de imaginar o recomeço e, portanto, criá-lo.

Assisti novamente ao brilhante filme Não Olhe Pra Cima e revi, com tristeza, o momento histórico em que estamos vivendo. A ordem mundial que conhecíamos acabou, e uma nova — e pior — era está se estabelecendo. Ainda assim, seguimos simplesmente vivendo, trabalhando em nossos empregos sem sentido, enquanto bilionários e governos financiados por eles ameaçam extinguir a humanidade para lucrar trilhões.

Seremos como aqueles que só viram o meteoro quando ele já estava na órbita terrestre e não havia mais nada a fazer? De que adianta termos povoado o planeta e inventado tecnologias que nos permitiram vencer as ameaças à nossa existência se nossa espécie acabará sendo a que menos viveu sobre a Terra, deixando para trás nada além de destroços e entulho?

Ficaremos sentados vendo isso acontecer ou nos uniremos para exigir um mundo realmente justo e bom para todos antes que seja tarde demais?

Em um futuro não muito distante, o Brasil é governado por uma IA conectada a um governo mundial unificado, que controla ...
09/01/2026

Em um futuro não muito distante, o Brasil é governado por uma IA conectada a um governo mundial unificado, que controla a população remanescente e os recursos naturais escassos após uma guerra nuclear que devastou o planeta.

Transumanos são criados para superar as falhas da biologia humana que nos levaram ao abismo, porém uma garota nasce com um defeito que pode bani-la para fora dos muros de contenção, onde selvagens sobreviventes aterrorizam os cidadãos de bem.

Nem parece uma história de ficção, não é mesmo?

Resista.

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Disponível na Amazon — Kindle e Kindle Unlimited

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07/01/2026

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05/01/2026

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