Henrique Gomes "Rasputin"

Henrique Gomes "Rasputin" Henrique Gomes "RASPUTIN"

12/03/2026

Perder urina quando tosse, ri ou corre não é normal. E definitivamente não é “coisa da idade”.
Na maioria dos casos, é simplesmente músculo destreinado.

Existe um sistema muscular responsável por estabilizar a pelve e controlar a pressão dentro do abdômen. Ele faz parte do chamado core: diafragma, transverso do abdômen, multifídios, glúteos e o assoalho pélvico.
Esses músculos funcionam como um sistema de estabilidade e contenção.

Quando esse conjunto trabalha bem, a pressão gerada ao tossir, saltar ou levantar peso é distribuída e controlada.
Quando não trabalha…a pressão vence.
E quem perde a batalha é a bexiga.
Os números são grandes.

Estudos mostram que até 30% das mulheres apresentam incontinência urinária ao longo da vida, e a prevalência aumenta com sedentarismo, envelhecimento, gestação, parto e obesidade.
Ou seja: milhões de pessoas convivendo com algo que muitas vezes poderia ser prevenido com treinamento adequado.

Um dos métodos clássicos são os exercícios de Kegel, descritos pelo ginecologista Arnold Henry Kegel em 1948, que consistem na contração dos músculos do assoalho pélvico, os mesmos utilizados para segurar a urina.
Mas a ciência atual mostra algo ainda mais interessante.

Os melhores resultados aparecem quando o assoalho pélvico é treinado junto com o core e o quadril, em exercícios como:
prancha
ponte de glúteo
agachamento
padrões de estabilidade lombo-pélvica
Porque o corpo funciona como um sistema integrado, não como músculos isolados.
Então vale lembrar:
Seu corpo foi feito para correr, saltar, levantar peso e se mover com força.
Não para perder urina.
Se isso acontece, na maioria das vezes não é destino.
É falta de treino.







Referências:
Kegel AH. Progressive resistance exercise in the functional restoration of the perineal muscles. American Journal of Obstetrics and Gynecology, 1948.
Dumoulin C. et al. Pelvic floor muscle training versus no treatment for urinary incontinence. Cochrane Database, 2018.
Bø K., Frawley H. Evidence-based physical therapy for the pelvic floor. British Journal of Sports Medicine, 2019.

04/03/2026

Você acha mesmo que sua lombar dói “do nada”?
Claro.
Deve ser azar.
Ou Mercúrio retrógrado na academia.

Enquanto isso, a biomecânica, ciência que estuda as forças internas e externas aplicadas ao corp, está sendo solenemente ignorada.

Movimento acontece em planos anatômicos:
sagital, frontal e transversal.
E gira em torno de eixos: laterolateral, ântero-posterior e longitudinal.

Mas tem gente fazendo agachamento com rotação, flexão lombar e inclinação lateral ao mesmo tempo… tudo fora das linhas anatômicas.

Depois culpa o “treino pesado”.
As Leis do Movimento de Isaac Newton não são opcionais na musculação:

✔ Primeira Lei – Lei da Inércia
✔ Segunda Lei – Lei Fundamental da Dinâmica (F = m·a)
✔ Terceira Lei – Lei da Ação e Reação

Aumentou carga e velocidade?
Aumentou força sobre articulações e discos intervertebrais.
Estudos mostram que a pressão intradiscal na lombar pode ultrapassar múltiplas vezes o peso corporal dependendo do ângulo e da execução.
(Nachemson, 1976; McGill, 2007).

Ou seja: não é o exercício que machuca.

É a execução fora do padrão de movimento eficiente.

Antropologicamente, nosso DNA foi moldado para andar, agachar, correr e rotacionar com eficiência mecânica.

Movimento é biologia.
Desorganização é sobrecarga.
Dor lombar recorrente raramente é “destino”.

Geralmente é falta de controle motor, estabilidade e respeito à cinética e à cinemática do movimento (Hamill & Knutzen, 2015).

Mas claro… estudar biomecânica dá trabalho.
É mais fácil decorar treino de influencer.
No fim das contas, se você trabalha com corpo humano e ignora biomecânica, você não está treinando pessoas.

Está apostando que o disco intervertebral delas aguente sua falta de estudo.
E spoiler: ele não aguenta.







Referências:
HAMILL, J.; KNUTZEN, K. Biomechanical Basis of Human Movement.
MCGILL, S. Low Back Disorders.
NACHEMSON, A. Lumbar intradiscal pressure studies.
NEWMAN, D. Kinesiology of the Musculoskeletal System.
HALL, S. Basic Biomechanics.

03/03/2026

Treinar não é só estética.
É biologia aplicada à saúde.

A prática regular de exercício físico promove adaptações sistêmicas profundas, capazes de prevenir doenças e proteger o cérebro ao longo da vida.

1️⃣ Reduz inflamação crônica:

O exercício diminui citocinas pró-inflamatórias como TNF-α e IL-6 (em repouso) e aumenta substâncias anti-inflamatórias.
Isso reduz a inflamação sistêmica de baixo grau, associada a doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e câncer.

2️⃣ Fortalece a imunidade:

Treinos regulares melhoram a vigilância imunológica, aumentam a circulação de células NK, linfócitos T e B, reduzindo a incidência de infecções e melhorando a resposta imune.

3️⃣ Reduz sintomas depressivos:

A contração muscular estimula a liberação de serotonina, dopamina, noradrenalina e endorfinas. Além disso, aumenta o BDNF (Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro), promovendo equilíbrio neuroquímico e melhora do humor.

4️⃣ Melhora memória e aprendizagem:

O aumento do BDNF estimula neuroplasticidade e neurogênese no hipocampo, região essencial para memória e cognição. Exercício é um potente modulador da função cerebral.

5️⃣ Previne demências:

A prática regular melhora fluxo sanguíneo cerebral, sensibilidade à insulina e reduz estresse oxidativo, fatores associados à redução do risco de demências, incluindo Alzheimer.

Treinar é intervenção preventiva.
É modular inflamação, hormônios, neurotransmissores e proteger o cérebro.
A vida não é sobre remédio.
É sobre o movimento.





28/02/2026

Treinar aeróbico (cardiorrespiratório) após o treino anaeróbico (musculação) não é modinha, é estratégia fisiológica.

Quando você realiza o treino de força primeiro, ocorre maior recrutamento de unidades motoras, maior ativação do sistema neuromuscular e melhor desempenho em cargas e potência. Se você faz o aeróbico antes, pode gerar fadiga periférica, reduzir glicogênio muscular e comprometer a qualidade do treino resistido.

Após o treino anaeróbico, o cenário metabólico muda:

✔️ Estoques de glicogênio parcialmente reduzidos
✔️ Maior liberação de catecolaminas
✔️ Aumento da mobilização de ácidos graxos
✔️ Ambiente hormonal favorável à oxidação de gordura

Isso pode aumentar a utilização de gordura como substrato energético durante o aeróbico subsequente.

Além disso, do ponto de vista adaptativo, separar estímulos ajuda a minimizar a “interferência” molecular entre vias como mTOR (força/hipertrofia) e AMPK (resistência), otimizando ganhos quando o objetivo principal é força ou composição corporal.

Mas aqui entra a maturidade estratégica:

Se você tem pouco tempo, faça o cardiorrespiratório em qualquer momento do dia. A consistência supera a ordem.

A fisiologia é importante.
A aderência é decisiva.
Treinar “menos ideal” é infinitamente melhor do que não treinar.

Estratégia, não regra.






Referências:
Fyfe JJ et al. Sports Med, 2014.
Wilson JM et al. J Strength Cond Res, 2012.
Coffey VG & Hawley JA. J Appl Physiol, 2007.
ACSM. Guidelines for Exercise Testing and Prescription, 11ª ed.
McArdle WD et al. Exercise Physiology, 8ª ed.

24/02/2026

Seu corpo é como uma casa.
Se você não cuida da estrutura, ela enfraquece.
Mas se você reforça os pilares todos os dias, ela atravessa o tempo firme.

O treinamento físico faz exatamente isso.

Músculo é o pilar da autonomia.
Sem estímulo, ele diminui, como uma parede que perde sustentação.
A musculação ativa vias de síntese proteica e preserva a massa magra, prevenindo a sarcopenia e mantendo força e independência (American College of Sports Medicine).

Os ossos são o alicerce.
Quando recebem carga, tornam-se mais densos.
O impacto controlado envia um “recado” biológico para que fiquem mais fortes, reduzindo risco de osteoporose (World Health Organization).

O coração é a bomba d’água da casa.
Se você o treina, ele trabalha com mais eficiência.
O aumento do VO₂máx melhora a capacidade de transportar e utilizar oxigênio, um dos maiores marcadores de longevidade já estudados (Steven N. Blair).

As artérias são os encanamentos.
O exercício melhora a função endotelial, aumenta a produção de óxido nítrico e reduz a pressão arterial.
Menos pressão, menos desgaste, menor risco de AVC (American Heart Association).

O colesterol é como o trânsito.
Quando desorganizado, gera congestionamento.
A atividade física aumenta HDL, reduz LDL e triglicerídeos, melhorando o fluxo e protegendo o sistema cardiovascular (American Heart Association).

Treinar não é estética.
É manutenção preventiva da sua própria estrutura.
Seu corpo responde ao uso.
E recompensa a constância.

19/02/2026

Exercício físico não é luxo.
É base biológica de sobrevivência.

A prática regular de treinamento físico está diretamente associada à redução da mortalidade geral.

Pessoas fisicamente ativas apresentam menor risco de morte precoce por todas as causas, vivendo mais e com melhor qualidade de vida, segundo a World Health Organization.

No sistema cardiovascular, o impacto é profundo: melhora da função endotelial, redução da pressão arterial e controle do perfil lipídico diminuem significativamente o risco de infarto e AVC, como destaca a American Heart Association.

No campo metabólico, o exercício aumenta a sensibilidade à insulina e melhora o controle glicêmico, sendo pilar fundamental na prevenção e tratamento do diabetes tipo 2, conforme a American Diabetes Association.

Em relação à obesidade, o treinamento regula o balanço energético, eleva o gasto calórico e preserva massa magra, fator determinante para manutenção do peso saudável, de acordo com o American College of Sports Medicine.

Por fim, o aumento da força muscular não é apenas estético:
É funcional.

Preserva autonomia, previne sarcopenia e reduz risco de quedas ao longo do envelhecimento, como aponta o National Institute on Aging.

Treinar é investir em longevidade, proteção cardiovascular, equilíbrio metabólico e independência física. É ciência aplicada ao cotidiano.





💥 Mais peso NÃO é sinônimo de mais músculo.É só mais ego se movimentando errado.Hipertrofia não acontece porque a barra ...
13/02/2026

💥 Mais peso NÃO é sinônimo de mais músculo.
É só mais ego se movimentando errado.

Hipertrofia não acontece porque a barra está pesada.
Ela acontece porque o músculo está sob tensão mecânica eficiente, por tempo suficiente, com execução biomecanicamente correta.

Quando você “rouba” o movimento:

❌reduz ativação muscular
❌transfere carga para articulações
❌diminui o estímulo hipertrófico real

Já o treino dentro do padrão de movimento, com cargas entre 65–85% de 1RM, controle excêntrico e amplitude completa:

✅ recruta mais fibras musculares
✅ aumenta tempo sob tensão
✅ gera mais crescimento com menos risco.

A ciência é clara:

👉 técnica + tensão progressiva > peso descontrolado.

Se precisa balançar o corpo pra subir a carga…não ficou mais forte, só ficou menos eficiente.

📚 Referências:
Schoenfeld BJ (2010);
Schoenfeld et al. (2017);
Calatayud et al. (2016);
Tesch (1988).

12/02/2026

Você não “contrai o músculo” de um jeito só.
Seu corpo trabalha em modos diferentes, e treinar ignorando isso é como dirigir usando só a primeira marcha.

CONTRAÇÕES:

👉 Concêntrica é quando o músculo ENCURTA pra vencer a carga.
Subir o halter no bíceps.

O “levantar da sacola do mercado”.

👉 Excêntrica é quando o músculo FREIA a carga enquanto ALONGA.
Descer o halter devagar.

O “não deixar a sacola despencar”.
(onde mais se ganha força e proteção articular)

👉 Isométrica é força SEM movimento.
Prancha ou segurar o peso parado.

O “segurar a sacola sem deixar cair”.

👉 Isocinética é quando o movimento acontece em VELOCIDADE CONSTANTE
(máquinas específicas controlam isso).

É como empurrar algo que nunca acelera nem trava, resistência perfeita o tempo todo.
Muito usada em reabilitação e avaliação muscular.

👉 Pliométrica é estica rápido + contrai forte.

O músculo vira uma mola (saltos).

Resumo para leigos:

Concêntrica move encurtando.
Excêntrica move controlando.
Isométrica não move, estabiliza.
Isocinética regula velocidade.
Pliometria explode.

Treinar só uma é pedir desequilíbrio e lesão.

Treinar todas, no lugar certo, é força real + articulações protegidas + saúde duradoura.

Não é sobre levantar peso.
É sobre COMO seu músculo trabalha contra ele.

📚 Referências:

Huxley (1957);
McArdle et al. (2020);
Enoka (2008);
Douglas et al. (2017);
Franchi et al. (2017);
Perrine & Edgerton (1978);
ACSM (2022);
Komi (2000)

09/02/2026

Treinar sem orientação profissional não é “autonomia”.
É roleta russa biomecânica.

Quando você entra na academia copiando treino da internet, aumentando carga por ego e ignorando descanso, você não está sendo dedicado, está sendo negligente com o próprio corpo.

Sem planejamento, não existe progressão segura.
Existe sobrecarga descontrolada.

E sobrecarga sem dosagem é o caminho mais curto para tendinites, lesões ligamentares, hérnias discais, fraturas por estresse e afastamento do exercício, exatamente o oposto de saúde.

Treinamento físico é estímulo + recuperação + adaptação.

Quando alguém treina “de qualquer jeito”, quebra esse ciclo e transforma exercício em fator de risco.

A literatura é clara: programas mal estruturados elevam drasticamente a incidência de lesões musculoesqueléticas, especialmente quando não há controle de volume, intensidade e técnica.

E não, dor constante não é sinal de evolução.
É sinal de erro.

O problema não é treinar pesado.
O problema é treinar sem critério.
Quem não segue um plano não está treinando.
Está apenas se desgastando até o corpo cobrar a conta.

Saúde não é improviso.

Resultado não vem do caos.

E lesão não é azar, é consequência.

📚 Referências:
• American College of Sports Medicine (ACSM). Guidelines for Exercise Testing and Prescription.
• Bahr R, Krosshaug T. Understanding injury mechanisms in sports. Br J Sports Med.
• Haff & Triplett. Essentials of Strength Training and Conditioning. NSCA.
• Soligard et al. How much is too much? Load and injury risk. Br J Sports Med.





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