12/09/2026
Pode parecer estranho para quem está acostumado com chuveiro, sabonete e hidratante, mas existe uma explicação cultural e ambiental por trás dessa tradição.
Os Himba são um povo seminômade que vive principalmente no norte da Namíbia, em uma região extremamente seca, onde historicamente a água sempre foi um recurso precioso.
Por gerações, muitas mulheres Himba tradicionalmente não utilizam água para seus banhos corporais. No lugar dela, existe uma prática conhecida como “banho de fumaça”.
Ervas, galhos e resinas aromáticas são colocados sobre brasas. A mulher se posiciona sobre a fumaça e pode cobrir parte do corpo para concentrá-la, fazendo a pele transpirar. A fumaça aromática também é utilizada para perfumar o corpo e as roupas.
Mas existe outro elemento essencial nessa rotina: o otjize, responsável pela famosa coloração avermelhada da pele e dos cabelos das mulheres Himba.
A pasta é preparada principalmente com ocre vermelho e gordura de manteiga, podendo receber resinas aromáticas de plantas locais. Além de ter enorme importância estética e cultural, ela ajuda a proteger e cuidar da pele diante das condições quentes e secas da região.
E aqui tradição e ciência acabam se encontrando.
Pesquisadores analisaram o ocre utilizado no otjize e encontraram capacidade de filtrar radiação ultravioleta e refletir parte da radiação infravermelha, além de alguma atividade antibacteriana. Isso não signif**a que a pasta seja equivalente aos protetores solares modernos, mas mostra que ela realmente possui propriedades protetoras.
O vermelho também vai muito além da proteção: o otjize é associado à beleza e à identidade cultural Himba, sendo uma tradição transmitida através das gerações.
Ou seja: aquilo que, aos nossos olhos, pode parecer uma maneira completamente diferente de cuidar do corpo é resultado de séculos de adaptação a um ambiente onde água, calor e sol sempre fizeram parte dos desafios cotidianos.
Você imaginava que fosse possível manter uma rotina tradicional de higiene sem utilizar água no banho? 👇