16/09/2026
“O orçamento da obra estourou.”
Será mesmo?
Vou dizer uma coisa que pode incomodar muita gente na construção civil:
Muitas vezes, o orçamento não estourou.
Ele simplesmente nunca foi real.
Vejo obras começarem com um número definido muito mais pela expectativa de quanto se gostaria de gastar do que por uma análise técnica do que aquela obra provavelmente custará.
E depois vêm as surpresas.
“Mas aumentou muito!”
“Começaram a aparecer custos que não estavam previstos.”
“O orçamento estava errado.”
Nem sempre.
Às vezes, o problema começou muito antes: confundiram uma estimativa preliminar com um orçamento detalhado.
Se o projeto ainda está em fase inicial, eu posso estimar o custo da obra.
E essa estimativa pode ser extremamente útil para estudar viabilidade, comparar soluções, estabelecer metas e tomar decisões.
Mas ela precisa ser apresentada pelo que realmente é:
uma estimativa baseada nas informações disponíveis naquele momento.
Conforme o projeto evolui, o orçamento também precisa evoluir.
Mais informações → mais definição → mais precisão.
O que não faz sentido é pegar um número preliminar, tratá-lo como definitivo e, meses depois, dizer que “a obra estourou o orçamento”.
Antes de perguntar:
“Quanto vai custar?”
Talvez exista uma pergunta ainda mais importante:
“Com o nível de informação que temos hoje, qual é a precisão que podemos esperar desse valor?”
Essa conversa evitaria muita dor de cabeça — e muita discussão — durante uma obra.
Sou Engenheira Civil e especialista em estimativas de custos de obras.
E, para mim, um bom orçamento não começa com uma planilha. Começa entendendo o nível de informação disponível.
GestãoDeCustos