03/09/2026
✊🏽 Se tem lucro com o abate, tem que ter respeito por quem trabalha
Os números não deixam espaço para desculpas. Em 2025, o Brasil bateu recorde no abate de bovinos, com 42,94 milhões de cabeças. E o ritmo continua forte: somente no primeiro trimestre de 2026, foram 10,29 milhões de bovinos abatidos, o melhor resultado da série histórica para o período.
Na Bahia, a produção também avança. Em 2025, foram 136 milhões de frangos abatidos e 1,46 milhão de bovinos, este último o maior resultado já registrado no Estado. A produção baiana de carne de frango chegou a 304 mil toneladas.
E tem mais: o agronegócio baiano alcançou US$ 6,72 bilhões em exportações em 2025. No segmento de carnes e miudezas, a receita das exportações disparou 120,3% no último trimestre do ano.
Tem carne. Tem produção. Tem mercado. Tem exportação. Tem dinheiro. O que não pode faltar é respeito por quem faz tudo isso acontecer.
Enquanto os números do setor sobem, os trabalhadores enfrentam negociações marcadas pela resistência patronal, pela avareza e pela tentativa de empurrar para quem está na linha de produção o peso de uma conta que não é sua.
É preciso perguntar: de que adianta um parque industrial moderno, máquinas novas, investimentos, campanhas publicitárias milionárias, marcas cada vez mais presentes no mercado e uma indústria vendendo para o Brasil e para o mundo, se na hora de reconhecer quem produz essa riqueza o discurso é sempre o mesmo?
Para investir em estrutura, há dinheiro.
Para ocupar espaço na mídia, há dinheiro.
Para fazer propaganda, há dinheiro.
Para ampliar produção e conquistar novos mercados, há dinheiro.
Mas para valorizar o trabalhador, aparece a desculpa de que é caro demais.
Essa conta não fecha.
E é justamente por isso que a mobilização dos trabalhadores do setor é tão importante. Cada paralisação, cada assembleia, cada protesto e cada dia de luta demonstra que a categoria não aceita mais assistir de braços cruzados enquanto os resultados das empresas crescem e os trabalhadores continuam sendo tratados como custo.
A categoria está dizendo basta! Quem produz riqueza merece participar dela.