28/03/2026
Mais uma vez, um episódio aparentemente simples escancara um problema profundo da democracia brasileira: o comportamento seletivo da grande mídia. Em vez de cumprir seu papel de questionar o poder e investigar decisões que afetam o país, parte significativa do jornalismo corporativo prefere o silêncio quando o assunto envolve figuras e interesses alinhados ao grande capital ou a setores da direita política. É nesse contexto que ganhou repercussão nas redes sociais o desafio lançado pelo advogado Roberto Bertholdo, que prometeu pagar R$ 20 mil ao jornalista ou estudante de comunicação que fizer uma pergunta direta ao ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto — uma pergunta que, segundo ele, ninguém na chamada “imprensa oficial” teve coragem ou disposição de fazer.
No vídeo publicado nas redes, Bertholdo propõe uma missão simples: encontrar Campos Neto e perguntar por que o Banco Central autorizou a abertura e expansão do Banco Master. A provocação carrega uma crítica direta ao comportamento da imprensa brasileira, que, segundo o advogado, tem ignorado questionamentos fundamentais sobre a atuação da autoridade monetária durante a gestão de Campos Neto. “Aquilo que o jornalismo oficial deveria estar fazendo e não faz, talvez você consiga fazer”, diz ele, ao anunciar o prêmio. A fala expõe um desconforto crescente de parte da sociedade com o que muitos veem como uma cobertura seletiva, que frequentemente evita confrontar certas autoridades ou interesses econômicos
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