12/04/2026
Há algo profundamente preocupante no cenário atual: até veículos que se apresentam como alternativos e progressistas passaram a reproduzir, sem o devido questionamento, pesquisas encomendadas pelos mesmos grupos econômicos que historicamente atuam para moldar a opinião pública contra governos populares no Brasil. Não se trata de ingenuidade — é, no mínimo, negligência política. Essas pesquisas não são neutras. São instrumentos. São narrativas travestidas de números, financiadas por interesses que jamais aceitaram a ascensão de projetos que priorizem distribuição de renda, fortalecimento do Estado e soberania nacional.
O padrão é antigo e conhecido. Foi assim na ascensão de governos progressistas, foi assim durante o processo que culminou no impeachment de Dilma Rousseff, foi assim na perseguição judicial que levou Lula à prisão em decisões amplamente questionadas, e foi assim na construção do ambiente que viabilizou a eleição de Jair Bolsonaro. Agora, a engrenagem volta a girar: grandes veículos de imprensa, aliados ao mercado financeiro, produzem e amplificam pesquisas que artificialmente equilibram cenários eleitorais, colocando lado a lado projetos políticos completamente distintos — como se fossem equivalentes. Ao fazer isso, não informam: induzem. Criam uma falsa percepção de disputa acirrada para influenciar comportamento eleitoral, enfraquecer governos em exercício e pavimentar o caminho para alternativas alinhadas ao interesse econômico dominante.
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