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31/07/2025

Os perigos da tecnocracia digital. O artigo "A anistia aos abusadores digitais e o mantra da não regulação" alerta sobre a combinação tóxica de inovação com desregulamentação.
Plataformas como X (Twitter) e Telegram amplificam discursos de ódio via algoritmos de forma deliberada (lucro) e à serviço dos extremistas de direita. Veja porquê.
----- -----------------------------------------------------------------Correio Braziliense
Artigo postado em 31/07/2025 06:06 / atualizado em 31/07/2025 07:16

A anistia aos abusadores digitais e o mantra da não regulação

GILBERTO LIMA JR.*

A política de indultos (anistia) de Donald Trump sempre funcionou como um termômetro de suas alianças e projetos de poder. Seu gesto mais simbólico, nesse campo, foi o recém perdão concedido a Ross Ulbricht, condenado à prisão perpétua por criar o Silk Road, mercado negro da “dark web”, que movimentou US$ 200 milhões em dr**as e dados roubados usando criptomoedas. Ulbricht, rebatizado de "mártir libertário", tornou-se bandeira de uma narrativa que equipara regulação estatal à tirania — exatamente o discurso que sustenta o “tecnolibertarianismo” de Trump. Mas ele não está só. Anthony Levandowski, ex-engenheiro do Google e Uber, condenado por roubo de segredos industriais, também foi perdoado em 2020. São peças de um mesmo tabuleiro: absolver os que desafiam leis e éticas em nome da inovação.

Aqui, o paralelo é Jair Bolsonaro. Durante as eleições de 2022, sua campanha foi campeã em doações privadas (R$ 90 milhões), com destaque para empresários como Rubens Ometto (Cosan) e os irmãos Grendene (Grendene). Esse financiamento sustentou uma máquina de desinformação. A deputada Carla Zambelli (PL-SP), aliada de Bolsonaro, disseminou notícias falsas sobre urnas e chegou a ameaçar um cidadão com arma em plena via pública. O caso de Marcos Cintra, candidato a vice na chapa de Soraya Thronicke, é emblemático. Ele foi suspenso do Twitter por ataques ao TSE e ao STF, tornou-se operador do negacionismo eleitoral.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro se autoexilou nos Estados Unidos (EUA) e, junto com autoridades norte-americanas, impôs a chantagem de um tarifaço de 50% sobre os produtos brasileiros, se o seu pai não for anistiado, mesmo antes da condenação formal por parte do STF. A Trump Media e o Rumble acionaram o ministro Alexandre de Moraes na justiça da Flórida, alegando cerceamento do direito de liberdade de expressão de seus clientes e usuários no Brasil.

Por que as gigantes tecnológicas financiaram maciçamente Trump e seus aliados? A resposta está na “economia política da tecnologia”: Empresas como Meta e Uber dependem da “captura de dados” sem regulação, otimização fiscal agressiva e acesso a recursos naturais baratos (ex.: servidores consomem energia equivalente ao Japão). Não por acaso, o Plano de Ação Americano de Inteligência Artificial prevê desregulação total e um agressivo plano de redução de exigências ambientais para a construção de “data centers”. A extrema-direita oferece “desregulamentação” e “redução de impostos”, além de enfraquecer leis ambientais e trabalhistas que oneram o setor; Trump posiciona-se como inimigo do maior rival tecnológico global, protegendo hegemonias como Google e Apple.

A combinação é tóxica. Plataformas como X (Twitter) e Telegram, sob controle de aliados, como Elon Musk, amplificam discursos de ódio via algoritmos. O motivo? Engajamento = lucro. Estudos mostram que conteúdos extremistas propiciam três vezes mais interações. O resultado é a ascensão global de uma "direita algorítmica", em que o vale-tudo digital mina instituições — como na invasão do Capitólio, em 2021 e o 8 de Janeiro de 2023, no Brasil, coordenados e impulsionados por radicais de direita via redes sociais.
Trump e Bolsonaro são sintomas de uma era perigosa: a dos “Tecnocentristas”, nova classe de imperadores digitais que usam inovação como arma contra democracias. Seus projetos incluem: moedas pró-autocratas: como a $TRUMP Coin, controlada em 80% por sua família; justiça paralela: indultos seletivos para "soldados" do ecossistema (Ulbricht, Lewandowski etc); vigilância rentista: projetos como o CBDC (Moeda Digital de Banco Central), combatido por Trump para proteger criptoempresas. Daí a agressão ao nosso Pix.
O capital tecnológico é predatório, ao criar uma vida 'ideal,' via algoritmos, para submeter vidas reais aos seus interesses. A captura do Estado por Tecnocentristas não é um acidente: é projeto. E o indulto a Ulbricht revela seu núcleo — “quem controla o código, controla o poder”. Seja a China, Rússia ou EUA, se não frearmos a aliança entre Estado, ultradireita e Big Techs, assistiremos à erosão final do espaço público. Resta saber se as instituições sobreviverão aos “imperadores digitais” do século 21.

* Gilberto Lima Jr. é presidente do Instituto Illuminante de Inovação Tecnológica e Impacto Social, Palestrante e Consultor de Negócios de Base Tecnológica

06/07/2025

Cultura do risco: viver é combater riscos

Nas últimas semanas, ouvimos narradores de futebol e técnicos de futebol, lamentando a interrupção dos jogos de futebol na Copa de Clubes que está sendo disputada nos Estados Unidos. Sim, a suspensão das partidas causa efeitos na grade da programação televisiva, impactos no próprio clima do jogo e desafia a paciência dos espectadores. Mas esses resmungos em nada alteram o protocolo. E por que?

Nos Estados Unidos existe um protocolo federal que determina a suspensão imediata de eventos esportivos ao ar livre diante da ameaça de raios e ocorrências climáticas graves.

Segundo UOL, numa apuração da BandSports (24 junho), a política de segurança meteorológica passou a vigorar a partir de uma tragédia. Durante uma corrida da Nascar (National Association for Stock Car Auto Racing), no autódromo de Pocono, na Pensilvância, pouco depois da prova, um raio atingiu o estacionamento pouco depois da prova. O raio feriu 9 pessoas e matou um torcedor: Brian Zimmerman, de 41 anos.

O protocolo norte-americano em atividades esportivas abertas, ampliado para todo o País, aconteceu após pressão pública sobre a Nascar. A negligência da entidade em organizar eventos, sem considerar condições climáticas, sem alertas de evacuação e formas de proteção do público, deixou a lição preciosa para a sociedade: não deixar acontecer, evitar a repetição, corrigir para preservar porque o valor da vida está em primeiro lugar.

Este mote – aprender a partir da dor, reorganizar leis, desenvolver sistemas e protocolos para que não ocorra novamente – permeia o Brasil, um país que sofreu grandes infortúnios recentes, com perdas humanas e ambientais como nos episódios da Boate Kiss (2013), envolvendo omissão de órgãos públicos e empresa de entretenimento; os de Mariana (2015) e Brumadinho (2019), envolvendo a Vale, Samarco, BHP e Tüv Süd; Ninho do Urubu, o Flamengo (2019). Foram, tristemente, tragédias evitáveis e causaram a perda de cerca 550 vidas humanas.

Em Maceió (2018), a partir do tremor do solo, exaurido pelas explorações de sal-gema da mineradora Braskem, mais de 30 mil famílias foram removidas de suas casas. No caso dos efeitos de extremos climáticos mais recentes, em Porto Alegre e dezenas cidades do Rio Grande do Sul (2024), estima-se a morte de 200 pessoas e quase 90 bilhões de reais de prejuízos materiais.

Nos Estados Unidos, a perda de uma vida moldou um novo sistema de prevenção, gestão e alertas para eventos esportivos.

A governança no Brasil, tanto pública como privada, está, cada vez mais, sendo convocada para agir de forma qualificada no gerenciamento de riscos e na mitigação de danos. Que sigamos os bons exemplos de segurança, por mais que possam parecer, a princípio, algo apenas para atrapalhar a vida.

13/02/2025

A comunicação morreu, via a comunicação. Das ruínas nascerá a nova comunicação

Sou muito grato, no meu mestrado na ECA/USP ao professor Ciro Marcondes. Sua disciplina discutia o que ele chamava de "a nova teoria da comunicação". O pano de fundo era uma sociedade invadida pelos sistemas tecnológicos e um capitalismo cada vez menos regulado, onde imperam forças de mercado impulsionadas pela velocidade (descontrolada) - sempre ditada pelo advento de novas tecnologias.

Ciro apresentou um autor precioso, David Harvey. Em 1989 escreveu o livro "A condição pós moderna". Ali antecipava o que vivemos hoje - e talvez já algum tempo atrás - que é a morte da comunicação. Até como mera frase de efeito, o sentido é chocante. Mas na perspectiva de que comunicar é tornar comum, compartilhar, interagir, dialogar, faz muito sentido para um mundo de bolhas.

De fato, estamos submetidos ao reino do "deus nos acuda", como constatamos hoje diante da oportunidade de crimes, mortes, golpes, acirramento de extremismos, etc. etc. Tudo admitido, liberado, incentivado, sob a complacência das redes sociais.

Retomando as aulas do professor Ciro Marcondes, é um lugar comum o que vou dizer, mas o papel de mestres que antecipam e apontam caminhos tem valor inestimável. Ler textos que inovam na abordagem teórica, autores que fazem nascer estudos que explicam a prática, contribuem de maneira extraordinária para a formação pessoal e profissional.

O jornal “New York Times” lembrou na semana passada Steve Bannon. Quando era o guru máximo do trumpismo, Bannon disse uma frase que revela método:
“... Tudo que precisamos fazer é inundar o terreno. Todo dia nós jogamos três coisas. Eles vão morder uma - e conseguiremos fazer as nossas coisas. Bang, bang, bang. Esses caras nunca, nunca conseguirão se recuperar. Mas precisamos começar com velocidade de saída".

A percepção do colunista Ezra Klein (também do New York Times) ao abordar o "show de Trump" e analisar as medidas governamentais em ritmo vertiginoso, revela implacável lucidez:
"A inundação é o objetivo. A sobrecarga é o objetivo. A mensagem não estava em nenhuma ordem executiva ou anúncio específico. Estava no efeito cumulativo”.

Frankenstein desgovernado onde, mesmo intencionada, a mensagem pode ganhar contornos imprevisíveis.

No dia a dia, as pressões e urgências batem na porta e precisam de resposta. É muito difícil admitir, para nós comunicadores, que a comunicação está morta e o que temos hoje - além das corporações que manipulam os algoritmos de distribuição de conteúdos - é o predomínio de discursos emocionais e narrativas que valorizam o nacionalismo extremo (e outros extremismos) e, de quebra, o chicote verbal para demonizar os inimigos. O tempo todo e repetidamente. Do tio do Zap, ao blogue engajado, se o pressuposto é exterminar o outro, não há comunicação e nem política que sobrevivam.

Mas é desta constatação, das ruínas e dos escombros, que nascerão novas abordagens e uma nova comunicação.

TREINAMENTO PARA COBERTURA DE TEMAS LIGADOS ÁS EMERGÊNCIAS CLIMÁTICAS Aberto a jornalistas, estudantes de comunicação e ...
31/01/2025

TREINAMENTO PARA COBERTURA DE TEMAS LIGADOS ÁS EMERGÊNCIAS CLIMÁTICAS

Aberto a jornalistas, estudantes de comunicação e produtores de conteúdo.

É gratuito. Confira:

Iniciativa do Instituto Bem da Amazônia, com apoio da Embaixada e Consulado dos Estados Unidos no Brasil, terá etapa online em fevereiro e evento presencial em maio

22/01/2025

A comunicação sob o efeito Trump

“Turbulência”, assim resumiu o jornalista Scott Rosenberg (Axios) sobre o estado da arte da comunicação na gestão Trump, notadamente uma comunicação permeada pelas plataformas sociais.

Rosenberg destaca tendências tecnológicas que, dado o entrelaçamento com a produção e veiculação de conteúdos, impactam diretamente a comunicação.

Ele descreveu duas tendências.

A primeira vê o avanço da inteligência artificial sem controle e até fora dos trilhos:
• Trump já revogou a ordem executiva de IA do ex-presidente Biden como parte de sua enxurrada de declarações no primeiro dia.
• O novo presidente não deu nenhum sinal de que acredita que o Estado tenha um papel importante a desempenhar na regulamentação da nova plataforma de tecnologia, além de garantir que as vozes conservadoras não sejam limitadas.
• Elon Musk há muito tempo tem a visão de que a IA avançada pode ameaçar o futuro da humanidade. Mas esse medo não parece estar em mente enquanto ele aborda sua missão de cortar o orçamento federal.

O cenário de disputa acirrada das corporações – quem tem a melhor tecnologia – será dentro de um ambiente flexível e tolerante aos perigos (desinformação, crimes, etc.) da IA.

A segunda tendência é o aprofundamento da polarização:
• As empresas e os usuários de internet americanos estão rapidamente se segregando em ambientes "vermelhos" e "azuis".
• A iniciativa da Meta de abraçar o MAGA e o apoio da X às vozes de extrema direita estão acelerando esse processo, levando os oponentes a novas plataformas de mídia rivais do outro lado da cerca política.
• Pelo menos online, esse processo condena a busca por um ponto em comum e garante um distanciamento ainda maior entre os dois partidos e culturas dos Estados Unidos.

Sara Fisher, também do Axios, relata que “aplicativos de esquerda, sites de notícias e redes sociais estão vivenciando um aumento no engajamento após a vitória eleitoral do presidente eleito Trump , dividindo ainda mais a internet em linhas políticas .

A jornalista registra que “o Bluesky, uma alternativa ao X de Elon Musk, viu seus downloads aumentarem em 430% durante a semana eleitoral, de acordo com a Sensor Tower. O uso do aplicativo Bluesky nos EUA cresceu 519% nas semanas após a eleição, em comparação aos primeiros 10 meses do ano, segundo a SimilarWeb. Lefty, um aplicativo de namoro para progressistas, teve um aumento sem precedentes de 453% nos downloads nas duas semanas desde a eleição.

Em resumo: escolher o ambiente que reforça as próprias convicções está na mente daqueles que não gostaram da guinada das big techs. O chamado campo progressista está em busca de espaço oferecido por parceiros com ideais políticos semelhantes.

Outra informação da jornalista foram os novos dados da CivicScience: as pessoas que votaram na vice-presidente Harris são mais ativas do que os eleitores de Trump no Threads, Instagram, LinkedIn e TikTok, enquanto os eleitores de Trump são muito mais propensos a serem ativos no X. Certos aplicativos de streaming, como Disney+, Hulu e Amazon Prime Video, também são muito mais populares entre os eleitores de Harris do que entre os eleitores de Trump.

Fique de olho no que vem por aí em 2025 O dever de casa para a comunicação pública persiste na valorização contínua do t...
20/12/2024

Fique de olho no que vem por aí em 2025

O dever de casa para a comunicação pública persiste na valorização contínua do trabalho do jornalismo e de conteúdos – sejam com denúncias ou cobertura factual – que estimulam a cultura de um Estado democrático, transparente e que tem obrigação legal de prestar contas à população – e no caso das emergências climáticas, proteger e assegurar o direito à vida em segurança.

Já a temática eleitoral, para os próximos pleitos, entre os desafios já citados, cabe a comunicação pública lidar, a partir de diagnósticos claros, com o índice de quase 30% de eleitores ausentes nas votações e o descumprimento da cota de gênero (segundo o Observatório Nacional da Mulher na Política em mais de 700 municípios brasileiros não houve participação mínima nas eleições municipais).

Embora os desafios sejam significativos, as transformações em curso abrem espaço para inovações que podem fortalecer a relação entre meios de comunicação, sociedade e Estado.

O ano de 2025 será decisivo para consolidar práticas mais éticas, transparentes e sustentáveis, capazes de restaurar a confiança pública e garantir o acesso universal à informação de qualidade.

O trecho acima é da Carta de Conjuntura e Tendências da Associação Brasileira de Comunicação Pública. Vale ler a íntegra.

A ideia deste documento é uma visão breve, do presente, e um olhar sobre tendências e perspectivas da Comunicação Pública para amanhã. O olhar sobre o futuro, nesta edição, coube a Érica Abe, coordenadora do Comitê Temático de Comunicação Digital. As lições de 2024 O ambiente da comu...

https://mediatalks.uol.com.br/2024/12/03/entenda-o-que-e-brain-rot-palavra-do-ano-do-dicionario-oxford/ A crise do jorna...
10/12/2024

https://mediatalks.uol.com.br/2024/12/03/entenda-o-que-e-brain-rot-palavra-do-ano-do-dicionario-oxford/

A crise do jornalismo é antiga. Mas, nesta batalha entre o mundo digital e tradicional, onde a convergência e a mistura de mídias ocorre com frequência, alerta máxima para "influenciadores" (ou propagandistas seria termo melhor?) que geram conteúdos online de baixa qualidade.

Londres - A Oxford University Press, que edita o dicionário de inglês Oxford, anunciou "brain rot" (deterioração cerebral, em tradução livre) como a

03/12/2024

Oito anos atrás nasceu um projeto compartilhado com Jorge Duarte, amigo da vida e do mundo profissional. A ideia era criar e consolidar um espaço associativo, nacional, que pudesse lidar com as realizações, os dilemas e os sonhos dos comunicadores que trabalham na interface do Estado com o cidadão. Na multiplicidade, um ponto unificador: a comunicação é um campo estratégico e um direito social.

A comunicação pública somente sobrevive genuinamente no terreno fértil da democracia e de uma sociedade que combate o déficit social (desigualdades e injustiças). Mais democracia, mais igualdade, mais comunicação pública.

Entre golpes, reviravoltas, duas eleições presidenciais e copas mundial de futebol perdidas, cá estamos no Brasil de 2024. Aquele projeto flui e consolidou a Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCpública), hoje com diretorias em todos os estados do País e seis grupos de estudos temáticos.

Ontem, esta causa, compartilhada por uma rede de 350 associados, foi premiada no Prêmio de Comunicação e Inovação organizada pelo Grupo Empresarial de Comunicação (formado pela Business News, Cia. Jornalistas Editora, Maxpress e Mega Brasil) e que tem como umas das referências o querido Eduardo Cesario Ribeiro.

Algum segredo? Resiliência, convicção de propósitos e uma rede de profissionais muito especiais. Resultado: a capacidade de avançar, ir em frente. A palavra grega "rhytmos" significa movimento regular, aquilo que flui. É isto.

24/11/2024

COMUNICAÇÃO, GESTÃO DE RISCOS E REPUTAÇÃO DO SETOR PÚBLICO
Os comunicadores públicos - em todo o País - carregam nos ombros, dia após dia, a árdua tarefa de fazer a interface do Estado (serviços, políticas públicas, atendimento aos cidadãos, etc.) com a sociedade.

Esta missão depende, fundamentalmente, da qualidade e da eficiência do Estado ao prestar serviços à população e garantir direitos (e deveres também).

Sozinha, sem gestão eficaz, a comunicação é insuficiente para a qualidade do diálogo e do fluxo de informações para a sociedade.

Vejam, por exemplo, os dados que o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo apurou sobre a saúde pública paulista:

Fiscalização do TCE aponta irregularidades em postos e Unidades de Saúde de 237 municípios

08/11/2024 – SÃO PAULO – Medicamentos vencidos e indevidamente armazenados, falta de vacina e remédios essenciais, dificuldades na realização de exames, equipamentos quebrados e falhas estruturais para prestar atendimento aos pacientes. Esses foram alguns dos achados das equipes de fiscalização do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP) ao vistoriarem, mais de 400 unidades e postos de saúde que oferecem o programa Estratégia Saúde da Família (ESF).

A ação, denominada ‘Fiscalização Ordenada’, que ocorreu de forma surpresa e concomitante em 237 municípios localizados no interior, no litoral e na região metropolitana da capital, ocorreu na quinta-feira (7/11). Para tanto, o TCESP mobilizou um efetivo de 452 Auditores de Controle Externo que atuam nas 20 Unidades Regionais pelo Estado e em 10 Diretorias de Fiscalização na Capital.

O objetivo foi avaliar, dentre outros aspectos, as condições estruturais, condições das instalações, funcionamento dos serviços e equipes médicas, presença de equipamentos obrigatórios e estoque de medicamentos. Com os dados, o órgão fará um comparativo das ocorrências e verificará se foram tomadas providências em relação ao que foi identificado na primeira fiscalização realizada em março de 2023, e que abrangeu os mesmos municípios.

Problemas

A fiscalização do Tribunal de Contas identificou que, das unidades vistoriadas, 30% das localidades demonstrou a existência de equipes incompletas. Das 441 unidades fiscalizadas, 279 não possuíam composição de equipe mínima necessária para prestar atendimento à população.

O balanço aponta déficit na quantidade de veículo próprio para uso da unidade, assim como de cilindros de oxigênio aparelhos para inalação, desfibriladores, reanimadores pulmonares e estrutura essencial para atender os pacientes.

O relatório geral das atividades, divulgado pelo TCE no final do dia, também apontou que 39,9% das unidades trabalham com o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) fora da validade. Em 29,8% dos locais foram detectadas condições inadequadas para atendimento com problemas de conservação, segurança, organização, conforto e limpeza.

A fiscalização apontou que falta vacina em 40% das unidades vistoriadas. Em 46% dos locais visitados faltam itens de medicamentos utilizados ou dispensados pelas unidades. Dentre os medicamentos que mais faltam estão remédios para hipertensão arterial (16%), antibióticos (16%) e diabetes (13%).
(fonte site do TCE SP)
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Gestão ineficaz compromete a comunicação. Gerenciamento dos serviços e atenção máxima no atendimento à população andam lado a lado e são inseparáveis da boa comunicação pública. A comunicação, sozinha, não faz milagres.

Por isto, a comunicação precisa estar, estrategicamente, no centro das decisões da administração pública, apontando que, antes de tudo, é preciso consertar o que não funciona bem. Não há ações de comunicação que possam salvar a reputação do serviço público se os problemas estruturais não forem encarados. Neste sentido, o papel de "grilo falante" continua essencial para a rede de comunicadores públicos - alertando aos gestores que os problemas estruturais precisam ser encarados, por mais complexo que seja a missão do Estado de servir bem à sociedade.

22/11/2024

De olho na comunicação pública

A CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) decidiu substituir os mapas do transporte metropolitano por QR Code, onde o passageiro aponta o celular e o código gera um link para o acesso ao mapa completo das linhas.

Antes, o mapa ficava colado, afixado, próximos das portas. O assunto foi tratado na edição do SP TV G1 e também no Diário do Transporte no dia 19 de novembro.

A empresa informou que o mapa impresso somente será afixado no primeiro e no último vagão.

O QR Code depende do sinal de internet. Em muitos trechos e também quando o trem estiver lotado, as dificuldades serão evidentes

Quem não tem celular e quem tem celular, mas não consegue sinal nas linhas de trem (o que é frequente), ficará no prejuízo. Sem falar na complicação que é, em um vagão lotado, abrir o celular e tentar captar o QR Code.

A CPTM justifica que a decisão acompanha a evolução tecnológica e a oferta de formatos de comunicação digital. A premissa da mudança está centrada no emissor (CPTM) e não nos receptores (usuários, público em geral).

Comunicação pública tem como premissa informação para todos. É um direito que precisa ser assegurado. Mesmo que novas tecnologias sejam implantadas, não dá para descuidar da pergunta estratégica: TODOS terão acesso às novidades?

Mais simples é deixar o mapa e ao mesmo tempo informar sobre o QR Code. O mundo não é totalmente digital.

Faz sentido a decisão de comunicação da CPTM? O que os comunicadores públicos pensam desta atitude?

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