01/05/2024
Vanguarda Cultural 21 Anos
Aroldo Pedrosa
Hoje, 1° de Maio, Vanguarda Cultural está de berço. Há 21 anos lançávamos a primeira edição do jornal-revista - a princípio era um jornal com cara de revista - na esquina da Rua Cândido Mendes com a Avenida Padre Júlio Maria Lombaerd, ao pôr-do-Sol, quando milhares de andorinhas, vindas de algum lugar, desciam do céu, numa espécie de balé, para pousar e pernoitar na rede elétrica do centro da cidade. VanguardaTrupe & LavourArcaica, que toca os nossos projetos, com o grupo de arte Urucum (Josapha & Companhia) faziam a distribuição gratuita do jornal-revista aos transeuntes que passavam pela esquina, de pés ou motorizados, à medida em que o grupo realizava ao mesmo tempo a performance Os Catadores de Orvalho. Os artistas do grupo, vestidos de capas pretas de chuva, espalhavam penicos multicoloridos nas calçadas para colher o orvalho que caía e o coco das andorinhas, em uma primeira manifestação artística ambiental sustentável pública na capital do meio do mundo. A manifestação atraiu, inclusive, a atenção da TV Cultura de São Paulo, que enviou a Macapá o cineasta Felipe Barcinski depois, para um documentário que foi produzido para a televisão paulistana.
E o jornal-revista trouxe na capa de sua edição inaugural a cantora Patrícia Bastos, que começava a despontar em festivais de música popular brasileira pelo país. O texto sobre a cantora amapaense, assinado por mim, fala da atuação dela no 3° Fest Sinhá-Festival Internacional de Música Popular Brasileira de Itumbiara (GO), em Outubro de 2000, e no 10° Festival de MPB de Tatuí (SP), esse realizado nos dias 24 e 25 de Abril e 1° de Maio de 2001, com a cantora interpretando Valsa de Ciranda (Aroldo Pedrosa / Enrico di Miceli / Helder Brandão / Joel Elias / Aldo Gatinho), arranjo de Aluísio Laurindo Júnior. Em ambos os festivais, de Goiás e de São Paulo, Patrícia Bastos venceu como melhor intérprete, e Valsa de Ciranda conquistou o 1° lugar em Itumbiara e o 4° lugar em Tatuí.
Ao longo de mais de duas décadas, Vanguarda Cultural foi premiada nacionalmente como Ponto de Mídia Livre II (2010) e III (2015) pelo Ministério da Cultura-MinC e, por conta dessas premiações, fui selecionado pelo projeto Produção Cultural no Brasil, que reuniu em uma enciclopédia de quatro livros, uma plataforma digital (site) e uma produção audiovisual 100 produtores culturais do Brasil.
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Fragmento da crônica "Patrícia Bastos, a sabiá da planície"
Aroldo Pedrosa
Quando Caetano Veloso fez Sou Sua Sabiá, que a cantora Marisa Monte gravou usando o pronome no feminino, a canção tocou Patrícia Bastos. Lembro que ela vivia cantarolando quando nos preparávamos para ir ao Festival Internacional de Goiás, em outubro de 2000.
Aliás, antes mesmo da canção, Patrícia já era a sabiá da planície.
Em Valsa de Ciranda, ao compor o verso "música de pássaros da Amazônia", imaginava o timbre cristalino dela fazendo soar cada sílaba.
E fomos a Itumbiara.
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