06/03/2026
O que é a vida?
Às vezes tenho a sensação de que vivo apenas dentro daquilo que existe na minha própria mente.
É lá que as coisas ainda fazem sentido.
É lá que ainda existe esperança.
É lá que a beleza continua viva.
Quando olho para fora, é como observar o mundo através de uma janela.
Alguns dias são claros, bonitos, cheios de luz.
Outros são nublados, pesados, difíceis de compreender.
A vida é coletiva…
mas também profundamente individual.
E talvez seja justamente essa mistura que tantas vezes nos confunde.
Com o tempo aprendi algo importante:
virtudes não deveriam ser diferenciais.
Virtudes deveriam ser o básico.
Não é um favor fazer o que é certo.
Não deveria ser algo extraordinário agir com justiça, respeito ou humanidade.
Isso deveria ser apenas o normal.
Uma atitude coletiva.
Mas o que fazer quando não vemos isso?
Quando tudo o que observamos parece estar ao avesso?
Foi então que percebi algo.
Às vezes eu preciso fechar a janela.
Não porque desisti do mundo…
mas porque entendi que não posso mudar tudo.
O que posso fazer é cuidar do pequeno espaço que me cabe.
Criar, dentro dos poucos cômodos que possuo, um ambiente melhor.
Mesmo que seja simples.
Mesmo que seja pequeno.
Ali eu posso garantir um pouco mais de justiça.
Ali eu posso garantir um pouco mais de humanidade.
E no fim, não se trata de ser melhor que ninguém.
Não se trata de estar acima ou abaixo.
A sociedade possui uma régua.
Uma baliza.
Uma bússola.
E ela deveria apontar para aquilo que é certo.
Mas, em muitos momentos, essa bússola parece não funcionar mais.
Ainda assim, sigo aqui.
Não posso impedir os dias nublados.
Mas posso tentar produzir alguns dias de sol.
E quem sabe, em algum momento,
outras pessoas também encontrem essa luz.
E talvez…
isso já seja suficiente.
Maiquel Rocha