18/02/2023
MEUS
Ó pequeninos Seus!
Que sorte é essa vossa?
De existência limitada
pela pobreza infortunada.
Tratados com menosprezo
E feitos sentir indigentes.
Trocados pela ostentação,
Orgulho e egoísmo,
Incitam-vos a inveja,
ciúme e ruins suspeitas.
Ó pobres negligentes!
Que sorte será vossa?
Em meio aos pequeninos,
Ainda perguntas:
onde estava Eu...
Eu vos respondo e vos direi:
Enquanto recebeis fortunas
Eu clamava por conforto e cuidado.
Enquanto banqueteáveis
A vontade em vossa lauta mesa,
Eu me achava faminto
Na choupana e desabrigo das ruas.
Enquanto em vosso luxuoso abrigo
Eu não tinha onde reclinar a cabeça.
Enquanto apinháveis ricos trajes
Para recordações e momentos,
Eu me achava nu,
Destituído de tudo
E desabrigado da cortante geada.
Enquanto prazeres buscáveis.
Eu definhava nas prisões.
Enquanto nas esplêndidas igrejas
Eu fui excluído por olhares.
Enquanto santos sentíeis
Eu me ligava a cadeia da ignorância,
Pecado e infortúnios...
Enquanto absorvidos consigo mesmos
Não cuideis dos meus pequeninos.
Onde estava Eu, ainda perguntas...
Sempre perto de vós,
Na pessoa desses aflitos,
A quem devíeis e roubastes:
A educação, o indispensável e o viver.
Misericórdia não quisestes
Mas considerastes privilégio
Visitar os cenários milagrosos,
Estando Eu perto de vós:
No leito dos doentes,
Nas choças da pobreza,
Nos apinhados becos
E em qualquer lugar
Onde há corações humanos
Necessitados de consolação.
Todavia, não me buscastes,
Por isso não tornastes
Companheiros meus.
Então, não vos conheço
E apartai-vos de Mim:
Pobres, cegos, indiferentes
E analfabetos da experiência.
De um pequenino seu a um pobre, cego, mudo, surdo, coxo, nu...
Milton Monteiro, lendo "O Desejado de Todas as Nações", capítulo 70 - "um deste meus pequeninos irmãos".