28/04/2026
Na ausência do Estado, ilha de Unhocomo cria polícia e escola comunitária
Na Guiné-Bissau, a população da ilha de Unhocomo, no setor de Uno, região de Bolama/Bijagós, decidiu organizar-se de forma autónoma para responder à ausência prolongada do Estado, criando um sistema próprio de segurança e educação comunitária.
Sem presença efetiva das forças de defesa e segurança, os habitantes estruturaram uma polícia comunitária, composta por jovens recrutados localmente e apoiados por chefes tradicionais e anciãos. Este grupo realiza patrulhas, medeia conflitos e aplica sanções simbólicas, contribuindo para a manutenção da ordem pública. Em casos mais graves, as situações são encaminhadas para as autoridades do setor de Uno.
Além da segurança, a comunidade também assegura o funcionamento do ensino básico. As duas escolas existentes uma pública e outra privada enfrentam graves limitações, operando sem água, eletricidade e com escassez de materiais didáticos. Parte dos professores é contratada pela própria população, que cobra mensalidades para sustentar o funcionamento escolar.
O isolamento geográfico agrava as dificuldades. O acesso à ilha é feito por piroga, e a ligação à capital, Bissau, pode demorar até dez horas. A região não dispõe de rede móvel, o que dificulta a comunicação e a denúncia de problemas como a pesca ilegal por embarcações estrangeiras.
No setor da saúde, a situação também é precária. Existe apenas um centro de saúde com recursos limitados, sem farmácia e com poucos profissionais. Casos mais complexos, como partos, exigem evacuação para outras localidades.
Perante este cenário, líderes comunitários classificam a situação como “grave” e denunciam o abandono estatal, sublinhando que a auto-organização tem sido a única alternativa para garantir serviços essenciais e a sobrevivência das populações locais.
O Democrata