21/09/2026
IGREJA CATÓLICA EXIGE RESPOSTAS SOBRE ASSASSINATO DO BISPO DE QUELIMANE
O presidente da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), Dom Inácio Saúre, voltou a exigir esclarecimentos das autoridades sobre o assassinato do bispo da Diocese de Quelimane, Dom Osório Citora Afonso, ocorrido na madrugada de 6 de Junho, na residência pastoral da diocese.
Meses depois do homicídio, continuam por esclarecer as circunstâncias do crime, bem como a identidade dos seus autores, eventuais mandantes e as motivações que terão estado na origem do assassinato.
Durante a cerimónia de graduação de 690 estudantes da Universidade Católica de Moçambique, entre licenciados, mestres e doutores, o arcebispo de Nampula questionou publicamente a ausência de respostas sobre o caso.
“Quem foram os mandantes, portanto o autor moral, o autor material, as motivações do cobarde e bárbaro assassinato do humilde homem de Deus e do povo?”, questionou Dom Inácio Saúre.
O líder da Igreja Católica considera que o crime representa mais uma ferida profunda numa sociedade já marcada por diferentes episódios de violência.
“Este crime odioso abriu mais um vale de lágrimas muito profundo para os moçambicanos”, afirmou.
Citado pela RFI, Dom Inácio Saúre manifestou igualmente preocupação em relação aos riscos enfrentados por cidadãos que se pronunciam abertamente sobre a situação do país. Na sua perspectiva, a defesa pública da verdade pode colocar em causa a segurança e até a vida de quem se manifesta.
“Ousar dizer a verdade em Moçambique sem esconder a cara constitui um grande risco, o risco da própria vida”, declarou.
Dom Osório Citora Afonso, para além de liderar a Diocese de Quelimane, desempenhava também as funções de administrador apostólico da Arquidiocese da Beira.
SOCIEDADE CIVIL ALERTA PARA INSEGURANÇA
As preocupações manifestadas pela Igreja Católica surgem num momento em que organizações da sociedade civil também denunciam o agravamento do sentimento de insegurança no país.
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